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Em 1981, Do Won Chang, fundador da empresa varejista de roupas Forever 21, deixou a Coreia do Sul com a esposa Jin Sook e imigrou para os Estados Unidos. Para trás ficava um país mergulhado em uma profunda crise política e econômica. O ditador militar Park Chung-Hee acabava de ser assassinado e a luta por reformas políticas apenas se iniciava. Na época, os sul-coreanos não desfrutavam ainda de uma economia pulsante, como viria ocorrer alguns anos depois, de maneira que muitos deles buscaram uma vida melhor em outros países, e, certamente, os Estados Unidos foi um dos principais destinos para muitos coreanos.

Do Won e Jin Sook Chang. Foto: Forbes
Do Won e Jin Sook Chang. Foto: Forbes

A conquista do sonho americano, como se referem grande parte deles, não se concretizou para muitos, mas Do Won Chang encontrou o sucesso, depois de muitas incertezas e fracassos que foram assimilados como aprendizado para seguir adiante.

Conforme a revista Forbes, o faturamento da Forever 21 encontra-se entre 4,4 bilhões de dólares (2016), contando com 43.000 empregados e 790 estabelecimentos distribuídos em 48 países. O maior número de lojas encontra-se nos seguintes países: Estados Unidos (506), Canadá (39), Brasil (31), Japão (19) e México (18). O casal ocupa atualmente a 222ª posição na lista dos 400 americanos mais ricos.

A parceria do casal encontra ecos em diferentes áreas da vida. Juntos frequentam a mesma Igreja, todas as manhãs, como verdadeiros cristãos devotos. Inclusive nas bases das conhecidas sacolas amarelas da Forever 21, está escrito “João 3:16”. Trata-se de uma passagem bíblica que versa o seguinte: “Porque Deus amou tanto o mundo, que deu o seu único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna”.

Contudo, o início da história deste casal pode soar um pouco estranha para ocidentais. Eles se conheceram através de um costume tradicional na Coreia, em que os amigos promovem encontros arranjados para aqueles que ainda não “ataram o nó”. Segundo o próprio Do Won à revista Forbes, não teria sido exatamente um encontro arranjado, mas eles acordaram de se conhecer, com a intenção não apenas de namorar, mas também de casar.

A parceria entre ambos certamente seria positiva e foi o incentivo principal que deu confiança a Don Won Chang para imigrar e estabelecer-se em Los Angeles. O tom familiar sempre esteve presente desde o início da vida nos EUA e continua sendo um dos elementos que ele aponta como parte das razões para o sucesso.

FOREVER 2
Linda e Esther Chang. Foto: Forbes

Atualmente, as filhas Linda e Esther Chang, junto com algumas sobrinhas, trabalham na empresa. O casal, apesar do alto patrimônio conquistado, tem hábitos modestos, viajando sempre de classe econômica, por exemplo. No entanto, há duas outras razões para o progresso dos negócios que estão relacionadas à qualidade de roupas e acessórios vendidos, do estilo fast fashion, e aos preços acessíveis, que no Brasil vão de R$ 8,00 a R$ 167,00. Dois fatores que rapidamente conquistaram os brasileiros.

Forever 21 do Shopping Morumbi, em São Paulo. Foto: Sindivestuário
Forever 21 do Shopping Morumbi, em São Paulo. Foto: Sindivestuário

Em entrevista para o jornal o Globo (2014), o empresário mostrou-se surpreso com o retorno das vendas. “Acostumado a um giro de 20% da mercadoria por semana (o dobro dos concorrentes) nos 615 pontos de venda pelo mundo, viu o estoque, programado para durar um trimestre, acabar menos de um mês após abrir as duas primeiras lojas no Rio e em São Paulo, em março”, descreveu a jornalista Isabel de Luca. No mesmo ano, a Forever 21 inaugurou cinco novas lojas no país: Rio de Janeiro (no Barra Shopping), São Paulo (na Rua Oscar Freire), Ribeirão Preto, Brasília e Porto Alegre. E apesar dos altos impostos, Chang garantiu que os preços permaneceriam baixos: “Manter nossos preços é prioridade, e baseamos todas as nossas decisões nesse princípio. Somos conhecidos pelo preço e vamos continuar fiéis à marca”, disse ele para o jornal O Globo.

Mas como teria sido o início de toda esta jornada? De acordo com a revista Forbes, o casal, após uma curta parada no Havaí, onde passaram menos de um dia, assegurando um green card para eles e os pais de Do Won, chegaram em Los Angeles, onde sua irmã morava. O jovem logo procurou emprego nos classificados e conseguiu uma entrevista em uma cafeteria local, onde lavou pratos e preparou refeições. O salário de U$ 3 por hora não era suficiente para garantir o sustento necessário. Então ele começou também a trabalhar em um posto de gasolina, totalizando entre o café e o posto 19h de trabalho. Para complementar ainda mais sua renda, ele começou um pequeno negócio de limpeza de escritório que o mantinha ocupado até meia-noite. Já sua esposa trabalhou como cabeleireira, uma habilidade desenvolvida em casa.

Nas horas despendidas no posto de gasolina, Do Won percebeu que os homens na indústria de vestuário tinham vidas excelentes e perguntou o que faziam para ter tal estilo de vida. Inspirado pelo que viu e ouviu de seus novos compatriotas, ele tentou um emprego em uma loja de roupas, e resolveu que aprenderia o oficio daquele nicho de mercado, tratando o estabelecimento de seu chefe como seu também. Após três anos, o casal conseguiu juntar $11 mil dólares em uma poupança.

Primeira "Forever" 21. Foto: Forbes
Primeira “Forever” 21. Foto: Forbes

Em 1984, abriram uma loja de 900 metros quadrados, denominada Fashion 21, no distrito de vestuário que fica perto do centro de Los Angeles. Ainda na entrevista para a Forbes, ano passado, Do Won também relatou que diferentemente do dono anterior, que tinha um rendimento anual de U$ 30.000, a loja faturou U$ 700.000 em seu primeiro ano, capitalizando liquidações por atacado e adquirindo mercadorias diretamente dos fabricantes com preços competitivos no mercado. O negócio foi tão bem que o casal abriu uma nova loja a cada seis meses e trocou o nome da marca para Forever 21.

Certamente obstáculos foram encontrados, mas a família manteve-se positiva e firme em seu negócio. Durante a Grande Recessão de 2008, ele aproveitou o forte fluxo de caixa de sua empresa e abriu mais lojas, tendo como objetivo criar 7.000 empregos dentro de um ano. O empresário disse a jornalista Grace Chung da Forbes, que nunca se concentrou apenas em vendas e lucro, mas em empregos crescentes. Do Won afirmou ter atingido esse objetivo. Porém, contratempos ainda existem. A concorrência com as cadeias de lojas on-line fez com que algumas das suas maiores lojas fechassem em 2015, sendo que as vendas acabaram não tendo um aumento, permanecendo as mesmas de 2014.

O casal na capa da Revista Forbes. Foto: Forbes
O casal na capa da Revista Forbes. Foto: Forbes

Para Don Won há menos tráfego de pessoas em shoppings com o advento da internet. A expansão para o mercado internacional trouxe também alguns problemas como o atraso no pagamento de fornecedores e com uma empresa de transporte marítimo contratada que chegou a desfazer um contrato exclusivo com a loja, promovendo um prejuízo de 50% no negócio varejista. Contudo, Do Won afirmou que “o negócio continua indo bem“.

Para ele, o mais importante é a família estar bem. Na visão do fundador da Forever 21, de nada adianta ter muito sucesso, se a sua vida pessoal está em crise. “Isso não é sucesso real na minha opinião. A família deve sempre ser prioridade. Quando tudo vai bem com ela, qualquer obstáculo torna-se menor”.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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