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Olá amigos e amigas que acompanham a minha coluna, antes de tudo, 새해 복 많이 받으세요! Espero que todos estejam bem e tenham tido uma boa passagem de ano! E lá vamos nós para mais um ano onde trarei a vocês histórias sobre a vida de um imigrante coreano no Brasil. Aproveito para agradecer a cada um de vocês por me prestigiarem, 감사합니다!

Hoje eu vou falar sobre um assunto que volta e meia tenho vontade de abordar. Na verdade não é um assunto em si, mas algo que atrai a curiosidade dos muitos fãs da cultura coreana, seja dos K-dramas, o K-pop ou da língua coreana: como é a Coreia na real? Bom, a resposta não é fácil de ser dada, porque depende de muitos fatores que se interligam. Provavelmente não existe uma resposta única e irá divergir dependendo de quem está dando a opinião. Lembro que algum tempo atrás entrei num fórum de discussões onde um ex-estudante brasileiro que ficou seis meses na Coreia reclamava que os coreanos eram “frios”. Concordei mas disse que isso dependia de muitas coisas. Qual foi a experiência dele lá? Qual é a própria história de vida dele? Onde foi que ele ficou? Tudo isso pode influir na sua opinião. Claro, podemos generalizar de que os coreanos “em geral” são menos calorosos que os brasileiros, mas não acho justo.

Uma grande barreira é o idioma, não? Como a maioria esmagadora dos amantes da cultura coreana não dominam a língua coreana, sempre ficarão alienados de alguma forma. Para começar, não conseguem acessar informações sobre a Coreia na fonte. Sempre dependerão de traduções ou reportagens feitas por “estrangeiros” que muitas vezes já tem as suas próprias crenças. Outra barreira são as ideias pré-concebidas que muitos tem sobre a Coreia, algo criado pelos K-dramas e K-pop, por exemplo. Muitos acham que o país é parecido com o que se vê nos K-dramas ou que todos os coreanos se parecem com os seus idols favoritos! Outro erro muito comum é achar que os coreanos de lá são parecidos com os coreanos daqui. Vejam só um vídeo interessante sobre a realidade da Coreia em relação ao que os estrangeiros acham sobre ela baseados em K-dramas (legenda apenas em inglês, desculpem):

Algo que eu acabo fazendo muito quando converso sobre as diferenças culturais entre o Brasil e a Coreia, é tentar contextualizar as informações. Como cresci imerso entre as duas culturas, consigo entender o por quê de uma ou outra característica. Mas isso já me trouxe muitas discussões desnecessárias porque muitas vezes acabo sendo acusado de tentar “acobertar” ou “colorir” uma determinada situação. Como a questão do preconceito, o sistema patriarcal ou de respeito aos mais velhos na Coreia, que somente quem cresceu influenciado pela filosofia confucionista ou que consegue compreender do que se trata conseguirá entender plenamente. E isso vale para a cultura brasileira também, alguém só consegue entender muitas coisas se cresceu no Brasil ou teve uma experiência mais prolongada por aqui. E vou ser sincero, não acho legal quando alguém que nunca pisou no Brasil age como se fosse um expert em cultura brasileira e o mesmo vale para a Coreia.

Uma coisa banal que um dia desses eu estava conversando com o pessoal do É Nada É Treta (canal que eu acompanho no YouTube e que aborda não somente cultura pop coreana mas também língua e outros aspectos da Coreia) era que as pessoas interessadas conseguem aprender coreano mais facilmente através da internet, mas por exemplo, provavelmente não entendem o quão importante é usar 존댓말 (linguagem de respeito) não somente para os mais velhos, mas para qualquer um que nunca tenham encontrado anteriormente, por exemplo.

Nos meus próximos posts irei abordar essas questões de diferenças culturas mais vezes. Sei que muitos devem ter este tipo de curiosidade e gostaria inclusive de que vocês escrevam no campo de comentários assuntos que tenham interesse de ler aqui. Terei o maior prazer em falar sobre eles! 🙂

18 Comentários

  1. Oii, Bruno! Gosto muito da sua coluna, estou sempre acompanhando. Você falou sobre a questão de aprender a língua na internet e tudo mais, sobre isso, você pode indicar algum site ou canal no youtube que considere bom para aprender coreano?

    Desde já agradeço :*

    • Oi Karina! Muito obrigado por acompanhar a minha coluna! Em português, gosto muito do “De Prosa Na Coreia”, “Aprendendo Coreano” e o pessoal do “É Nada É Treta”. No Facebook, tem uma comunidade chamada “포르투갈어 + 한국어 para todos” que é tocado pela professora Juliana Oh, tem muitas dicas bacanas por lá em relação a material, método de estudo, etc.

  2. Muito legal a matéria Bruno. Sinto que muitas vezes os brasileiros (em especial os mais jovens) tendem a “se iludir” bastante por conta da mídia coreana… É importante saber antes de tudo que a Coreia é um outro país com outra cultura… não é a toa que as pessoas estranham tanto quando vão, mesmo já se julgando conhecedores. Também acho que o brasileiro tende a julgar bastante a questão por exemplo do preconceito e das hierarquias (tanto de mais velhos em relação aos mais jovens quanto de homens em relação as mulheres) sem antes tentar compreender o raciocínio local! É importante sabermos que quando estamos em outro país que não o nosso temos de nos adaptar a ele o melhor que pudermos e não o inverso. Nós brasileiros nos achamos muito liberais e mente aberta, mas ainda falta um longo caminho para evoluir… Continuarei lendo até da Coréia suas matérias!

    • Olá Giulia! Sinto que o que você descreveu realmente acontece corriqueiramente. A Coreia acaba sendo idealizada e quando a pessoa chega lá ou então recebe uma informações que é diferente do que pensa, começa a briga! E o que muitas vezes é esquecido é que mesmo na Coreia existe a diversidade, não dá para generalizar os coreanos de uma única forma como muitas vezes se faz.

  3. Oooi Bruno,
    Gostei muito da coluna que você fez… Espero que você faça mais, eu acho a Cultura coreana incrível, inclusive estou aprendendo o idioma sozinha em casa, se tiver conselhos ou dicas ficaria muito feliz…
    Obrigada!!!

  4. Oi Bruno! Primeira vez que leio tua coluna. Eu sou kpopper desde 2008. Recentemente completei 19 anos. Acredito que todo esse pensamento de uma Coreia perfeita baseada na comercialidade dela é um pensamento muito jovem e imaturo. Concordo com tudo que tu escreveu. Adorei tua forma de espressar. Eu neste tempo todo como amante da cultuta só nestes 2 ultimos anos que realmente comecei a pesquisar sobre a realidade do País. Acredito que quando a maturidade chega, se os gostos não mudam e a paixão pela grandiosa cultura Coreana persiste as pessoas correm atrás de melhores meios de informação menos alienado. Adorei a coluna e pretendo seguir lendo. 😊

    • Ah sim, os coreanos sabem como (e muito bem) vender o seu peixe, não? Não gosto muito de abordar o aspecto comercial da cultura Hallyu, mas é notório que tudo é feito à perfeição para suprir uma demanda de fãs no mundo todo. Veja bem, eu gosto de K-pop, o que quero dizer é que há muito mais a enxergar por trás das cortinas. Obrigado por ler a minha coluna, espero que nos vejamos nas próximas! 😉

  5. Olá Bruno, um assunto que eu gostaria de entender melhor é a forma como a mulher é tratada e “encarada” pela sociedade. Sempre vejo, nos programas de variedade e nos doramas, que as mulheres que se mostram mais fortes e não abaixam a cabeça acabam sendo vistas como “bruxas”, lembro que uma atriz foi chamada assim em um programa pq fez de tudo pra ganhar um etapa do jogo, por serem menos ” femininas”/ fofinhas… E Tanto as atrizes quanto as idols estão sempre mostrando esse lado mais “frágil”. Sem contar que sempre é mostrado nos dramas como é difícil pra mulher conquistar seu espaço profissional, conciliar a profissão com a maternidade ou o ” preconceito ” com mães solteiras…
    Gostaria de saber se realmente é assim tão “bruto”/ radical a forma como essas situações acontecem… Ou se nos doramas tudo é levado ao extremo…
    Obrigada! Conheci a sua coluna agora, mais pretendo aparecer bastante por aqui!

    • Olá Ingrid, esse é um assunto interessante, certamente daria muito pano pra manga. Olha, é preciso entender a própria história da sociedade coreana e o quanto isso influencia mesmo nos tempos contemporâneos. Se bem que preconceito contra mães solteiras ou dificuldade de progressão profissional temos no Brasil também, não? Pelo que eu sinto por experiência própria, a Coreia mudou muito digamos, comparando o tempo da minha mãe para o tempo da minha esposa (diferença de 30 anos), as mulheres certamente tem uma força maior agora do que há décadas atrás. Mas mais uma vez, tem que se contextualizar para entender, não dá para simplesmente comparar friamente duas culturas diferentes e ficar apontando erros aqui ou ali. Obrigado por acompanhar e escreva sempre! 🙂

  6. Oi, Bruno! Estou lendo um post seu primeira vez.
    Sou “coreana”, nascida no Brasil e nunca fui a Coreia.
    Tenho muito da cultura coreana que foi transmitida pelos meus pais e avós. Mas às vezes não me identifico nem com os coreanos daqui, muito menos com os de lá! Não assisto novelas (nem
    Coreanas, nem brasileiras, na verdade), não curto musicas k-pop… e sinto que os coreanos daqui se isolam muito nas comunidades. O que vc tem a dizer sobre isso? Concorda? Discorda?

    • Eline (ou seria Eliane?), entendo você PERFEITAMENTE! Eu saí da Coreia com dois anos e para piorar, vivi em dois países antes de chegar ao Brasil aos oito anos. Imagina o bug que deu na minha cabeça, essa mistura de culturas tão diferentes. Tive diversas crises de identidade, que sinto que só melhoraram depois que entrei na casa dos 30 anos e pude entender melhor a vida, digamos assim. Pessoalmente, te digo que ao menos não negue as suas origens, deixe que as coisas corram naturalmente. Muitos amigos meus negaram as ruas raízes quando eram mais jovens e sinto que isso é uma batalha que não termina nunca. Temos sim é que sermos gratos por temos acesso a duas culturas diferentes, peguemos as coisas positivas das duas e sejamos pessoas duas vezes melhores! Sim, parte da comunidade se isola, certamente. E outra parte nega as suas origens. Acho ambos errados, mas essas é a minha opinião, tá? Que não quer dizer que está certa. Só por curiosidade, qual é a sua idade?

      • Meu nome é Eline mesmo. Estou na casa dos 40, portanto, não estou passando por nenhuma crise de identidade! Kkkk
        Sou executiva de uma multinacional europeia (mas já trabalhei em empresa americana tb).
        Pasme, sou casada com coreano!!! 😉

  7. Bruno Kim, amo a sua coluna.
    Um assunto que sempre me chamou a atenção e que vi em determinados dramas foi aqueles “pedófilos” que seguiam garotas apenas com um casaco, apareciam do nada e mostravam a sua parte íntima para elas. Muitas das vezes, eles só queriam que elas vissem o seu corpo.

  8. Boa tarde Bruno Kim.
    Me desculpe mas não sei qual honorífico devo usar. Muito obrigado por sua matéria,gostei muito, esclarece alguns pontos para as pessoas que estão conhecendo agora a cultura coreana através do kpop, kdramas e outros, ficou ótimo também o vídeo que usou para contextualizar a matéria.Comecei a assistir kdramas por acaso na Netflix e fiquei viciada, depois busquei outras fontes e hoje depois de buscar informações e observar atentamente concordo plenamente com o que disse, que também depende da experiência de cada um um quando vai conhecer o país em questão, para poder imergir na cultura é preciso manter a mente aberta e buscar aprender o básico,fiquei tão apaixonada pela história e pela cultura que estou me esforçando pra aprender a língua antes de ir conhecer pessoalmente a Coréia do Sul. Muito obrigado mais uma vez,é um prazer aprender com o Senhor. 새해 복 많이 받으세요!

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