Compartilhe

Nos últimos dias nos deparamos com notícias sobre o envio do porta-aviões USS Carl Vinson (CVN 70) à península coreana, a resposta de Kim Jong-un às medidas de Trump e o envio de tropas chinesas à fronteira sino-norte-coreana. Mas o que realmente isso significa? Estamos à beira de um conflito armado no leste asiático?

Carl Vinson Strike Group
Carl Vinson Strike Group

Poucos dias após os EUA terem lançado 59 mísseis Tomahawk contra a base de Shayrat – uma das principais da força aérea de Bashar al-Assad – a partir de dois destróieres – o USS Porter e o USS Ross – estacionados no Mar Mediterrâneo,  o país reencaminhou um grupo de ataque da Marinha em direção ao Oceano Pacífico ocidental perto da península coreana a fim de manter prontidão e presença na região tendo em vista as recentes desconfianças de que Pyongyang pode estar preparando um novo teste nuclear para os próximos dias, sendo 15 de abril a data de comemoração ao aniversário de Kim Il-sung.

O almirante Harry Harris, comandante do US Pacific Command, informou no dia 08 de abril que o Carl Vinson Strike Group, incluindo o porta-aviões USS Carl Vinson (CVN 70) da classe Nimitz, asas de ar embarcadas (CVW) 2, os destróieres USS Wayne E. Meyer (DDG 108) e USS Michael Murphy (DDG 112), de Arleigh Burke, e o cruzador de mísseis-guiados da classe Ticonderoga USS Lake Champlain (CG 57) partiram de Cingapura para operarem no Pacífico Ocidental em vez de executarem as visitas de porto previamente planejadas à Austrália para treinamento com a Marinha de Canberra e uma chamada de porto em Brisbane.

O Strike Group permanecerá sob o controle operacional da 3ª Esquadra dos Estados Unidos, a qual tem como área de responsabilidade a região abaixo:

Áreas de responsabilidade das Esquadras da Marinha dos EUA.
Áreas de responsabilidade das Esquadras da Marinha dos EUA.

Segundo o porta voz do comando, “os navios da 3ª Esquadra operam com um propósito: proteger os interesses dos EUA no Pacífico Ocidental. A principal ameaça na região continua sendo a Coreia do Norte devido ao seu programa de testes de mísseis e busca de uma capacidade de armas nucleares”. Com o redirecionamento, o porta-aviões deve chegar em uma semana na península coreana.

Almirante James Kilby, comandante do US Carrier Strike Group 1, durante a chegada do USS Carl Vinson na cidade portuária de Busan, na Coreia do Sul.
Almirante James Kilby, comandante do US Carrier Strike Group 1, durante a chegada do USS Carl Vinson na cidade portuária de Busan, na Coreia do Sul.

É importante esclarecer que não é a primeira vez que o porta-aviões é enviado à península coreana, como recentes notícias nos induzem a pensar. No mês passado, o USS Carl Vinson participou de exercícios militares navais com a Força de Defesa Marítima do Japão e a Marinha da República da Coreia em iniciativas de segurança marítima e operações de patrulha de rotina no Mar da China Meridional.

Fundamental esclarecer também que falsas notícias estão sendo disseminadas a fim de aumentar o pavor da opinião pública em relação aos desdobramentos na região. No início da semana surgiu a notícia de que a China havia enviado 150 mil soldados para a fronteira sino-norte-coreana. Ontem, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China declarou desconhecer tal informação. A imprensa sul-coreana, por sua vez, que também noticiou a supracitada informação, declarou que a fonte original é oriunda do jornal japonês Sinkei Shinbun. Lembremos aqui que em fevereiro deste ano e no início do ano passado tivemos o mesmo problema acerca da veracidade dos fatos veiculados na imprensa do leste asiático.

Além de aumentarem o temor e preocupação acerca dos acontecimentos correntes na região, tais informações podem influenciar a oscilação na bolsa de valores da Ásia.

Com relação à abordagem estratégica de Trump para a Coreia do Norte, em recente entrevista, o presidente norte-americano declarou: “Se a China não resolver a Coreia do Norte, nós vamos“. Quando questionado se poderia resolver sem a China, Trump afirmou: “Totalmente”. E complementou: “Eu não sou os EUA do passado, em que lhes dizemos onde vamos atingir o Oriente Médio”.  O alerta de Donald Trump de que poderia tomar medidas unilaterais contra a Coreia do Norte caso a China não pressionasse Pyongyang preocupa não só os países do leste asiático, mas o mundo inteiro.

Em recente visita ao leste asiático, o secretário de Estado Rex Tillerson já havia declarado que a política de paciência estratégica dos EUA para a Coreia do Norte havia chegado ao fim. A estratégia do governo Obama se baseava em suposições de que as provocações da Coreia do Norte levariam ao autoisolamento prejudicial de seus vizinhos, que assim poderiam expor o governo a um grande risco político e que a capacidade de curto prazo da Coreia do Norte em fortalecer ainda mais suas capacidades nucleares estava em grande parte sob controle.

Com o fracasso da política de paciência estratégica em deter o desenvolvimento do programa nuclear da Coreia do Norte, Trump ordenou a revisão da política norte-americana em relação à Pyongyang, analisando todas as opções que Washington acerca do país e do regime de Kim Jong-un. Assunto, este, que discutiremos em breve.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




DEIXE UM COMENTÁRIO