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Oi Gente,

Eu queria muito poder trazer um texto animado e fofo para vocês todas as vezes que a gente se encontra. Mas essa semana vai ser um pouco diferente.

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Vou falar um pouco da minha vida pós-Coreia.

Depois que eu voltei, vocês provavelmente não sabem que eu tentei uma nova bolsa de estudos para a Coreia, que eu tinha quase certeza que eu ia conseguir. Mas aí é que está a pegadinha da vida – quando a gente tem certeza de algo, a vida vem e puxa o nosso tapete.

Eu acabei não sendo aceita na bolsa, e tive que continuar meus estudos aqui, claro. Você deve estar pensando “tudo bem, Duda, você pode tentar de novo” e eu vou. Mas o problema não é esse.

Quando você coloca suas expectativas lá em cima, e sobe sonhando junto com elas, o tombo é bem grande, e machuca, muito. Depois que saíram os resultados da bolsa, eu chorei, durante 15 minutos seguidos, e depois parei. Eu estava apenas tentando ser positiva, deixar para lá, seguir com a minha vida, tacar o “dane-se” na situação. O problema é que eu guardei toda a tristeza, e ela foi crescendo dentro de mim sem que eu percebesse.

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Em algum momento, as mágoas voltam, e bem maiores. Um mês depois de tacar o “dane-se” eu me peguei aos prantos no meio da noite, de nervoso, de tristeza, de decepção. Eu não conseguia ver meu futuro, parecia que eu nunca mais ia ser feliz.

Eu chorava tanto, que a minha cabeça doía. As lágrimas vinham nos momentos mais aleatórios, no banho, no trabalho (para quem não sabe, eu trabalhei na Cafeteria da Bolsa do Café) – eu tinha até que sair do salão, por que eu não podia deixar os clientes me verem daquela forma, mas as lágrimas simplesmente não cessavam. Uma vez, eu estava com meus pais, arrumando as coisas para nossa mudança de apartamento, e nós começamos a rir de uma gracinha que meu pai fez, mas não sei por que raios, as lágrimas e os sentimentos ruins decidiram vir sem aviso, eu fui literalmente de gargalhando para chorando em questão de segundos.

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Qualquer coisa que fosse, memórias do Facebook, mostrando todos os bons momentos que eu tive na Coreia, fotos que eu abria no meu computador para rever, mesmo sabendo que era tortura, as vezes simplesmente, uma frase, uma pessoa, um olhar. Era o suficiente. Lá estavam as lágrimas de novo, eu não via mais propósito na vida, tudo parecia desinteressante, tudo parecia estar lentamente se desfazendo diante dos meus olhos.

Todas as minhas memórias boas, pareciam estar se tornando facas, que a cada vez que eram relembradas, afundavam mais forte no meu coração. A representação mais próxima do que eu sentia, seria aquela cena do filme “Divertidamente” onde a felicidade está tentando usar uma memória boa para animar a garotinha, mas no momento em que a tristeza encosta naquela memória, ela se torna algo triste, que pesa ao lembrar.

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É claro que eu estou melhor agora, ainda bem, eu tive muita ajuda. Meus pais, as pessoas mais compreensivas do universo, e meus amigos, que faziam de tudo para tirar esses pensamentos nostálgicos e destrutivos da minha cabeça. Mas de vez em quando eu ainda tenho minhas recaídas, por exemplo, outro dia, eu estava assistindo Reply 1994 e no drama, um dos personagens é de Sunchon, a cidade que eu fiquei quando eu estive na Coreia.

O jeito dele falar, o Satoori extremamente presente, a descrição de lugares que eu visitei, ou que frequentava em uma frequência quase diária – meu coração simplesmente não aguentou. Lá estava eu, em prantos em frente a televisão novamente. Foi simples, mas acertou fundo.

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Eu não estou escrevendo esse texto, tentando desencorajar as pessoas a ir para Coreia, não, eu quis simplesmente compartilhar meus pensamentos a respeito da minha experiência, e o que aconteceu depois que eu voltei.

Eu quero mais é que as pessoas vão mesmo, vejam as maravilhas daquele lugar que eu sonho em voltar. Vejam a razão do meu amor por este país tão comentado neste site. Todas as suas particularidades, pequenas coisas que agora significam muito.

O amor que eu tenho pela Coreia é tão grande, que é quase palpável, eu jamais serei completa novamente sem ela, não consigo ver meu futuro sem ela. É o meu destino, eu sinto isso, mais do que qualquer coisa que já senti antes.

Para pessoas que passam ou passaram por uma situação similar a minha, seja por motivos similares, ou outros. Eu lhes deixo um dos meus provérbios coreanos favoritos:

“고생 끝에 낙이 온다” (Depois das dificuldades o melhor virá).

Quando tudo parecer escuro, quando parecer que não há luz no fim do túnel, não desista.

아침은 다시 올 거야…어떤 어둠도, 어떤 계절도 영원할 순 없으니까.

A manhã virá novamente, porque nenhuma escuridão e nenhuma estação é eterna.

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Um beijo no coração de vocês (desculpem o desabafo!) e tenham uma boa semana!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



Asome - Hallyu Beauty


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Duda Sparsbrod
Duda Sparsbrod, 19 anos. Estudante de Tradução. Apaixonada pela cultura coreana desde os 13, em 2016 realizou o sonho de morar e estudar na Coreia. Não vê a hora de voltar!

2 Comentários

  1. 화이팅~
    Torço muito pelas realizações dos seus sonhos. E espero que continue partilhando suas belas e nostálgicas histórias conosco. Bju Duda!

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