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Desencorajar viagens para a Coreia do Sul de grandes grupos de turistas chineses, impedir a entrada de produtos coreanos em mercados chineses, boicotar produtos coreanos por consumidores chineses e cancelar eventos culturais sul-coreanos são algumas das manobras chinesas para pressionar o governo sul-coreano contra a decisão de implantar o sistema de defesa norte-americano THAAD em seu território.

Em julho de 2016, Seul acordou com a implantação do sistema tendo em vista a escalada de tensão e aumento dos lançamentos de mísseis norte-coreanos. Neste mês, Seul recebeu os primeiros elementos para a implantação do THAAD, culminando no endurecimento das medidas chinesas contra a Coreia do Sul. Pequim observa o THAAD como uma ameaça contra as suas próprias forças de mísseis e tem criticado severa e continuamente desde o início das deliberações entre Washington e Seul.

Na China, a empresa sul-coreana mais atingida é a Lotte Group – 5º maior conglomerado – desde o seu acordo com o Ministério da Defesa da Coreia do Sul para fornecer uma de suas propriedades como local para o THAAD, o campo de golf em Seongju, na província de Gyeongsang do Norte. Em 2016, a Lotte já havia registrado déficit em suas lojas e departamentos, mas, agora, a empresa já enfrenta maiores riscos devido ao seu envolvimento em uma das questões mais sensíveis da relação Seul-Pequim e pode não ser capaz de lidar com o contínuo boicote chinês aos seus produtos e lojas.

Em 2013, o número de visitantes chineses para a Coreia do Sul já havia ultrapassado o de japoneses. Outro ponto relevante é quanto ao turismo chinês na ilha de Jeju. Quando visitei Jeju, um dos fatos que mais me impressionou foi a presença chinesa na ilha sul-coreana. Empreendimentos imobiliários exclusivos para chineses e o aumento dos preços no mercado imobiliário. Hoje, enquanto Pequim continua tomando medidas de retaliação em protesto contra o THAAD, o movimento de turistas chineses na ilha sofre uma queda brusca. Além disso, turistas chineses em viagens por cruzeiros também estão se recusando a desembarcar em Jeju como forma de protesto espontâneo.

Aeroporto Internacional de Jeju, Coreia do Sul.
Aeroporto Internacional de Jeju, Coreia do Sul.

Na tentativa de convencer a China a repensar sua oposição à implantação do THAAD e medidas contra os negócios sul-coreanos, Yoo Il-ho, vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças da Coreia do Sul, procurou Xiao Jiae, novo ministro das Finanças da China, para uma reunião bilateral durante a reunião do G-20. Todavia, o seu pedido foi negado. Para Yoo, é difícil fazer uma queixa oficial ao governo chinês porque nenhuma razão específica foi dada por suas ações. Ainda, Pequim pode argumentar que nunca terminou os seus laços econômicos com Seul devido ao THAAD.

Seul procura levar a questão à Organização Mundial do Comércio. Em todo caso, a retaliação econômica de Pequim contra a decisão de Seul de permitir a implantação de um sistema norte-americano anti-mísseis está provocando mais um desdobramento: um sentimento anti-China entre os sul-coreanos.

 


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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