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(Observações do autor: qualquer semelhança com outros textos é mera coincidência. Aliás, este texto está cheio de coincidências e é uma “paródia”, por favor relevem a sua baixa qualidade buscando apenas cliques para monetizar e fazer escândalo gratuito. Ah, a foto acima é meramente ilustrativa, não são e nem representam os entrevistados, grato).

 

Durante um encontro virtual com quatro representantes da nova sociedade coreana em São Paulo, o blog aprendeu que: 1) “casaria com brasileiras ou coreanas indistintamente, o que importa é o sentimento”; 2) “sinto orgulho pela trajetória de vida e luta dos meus pais” e 3) “meu objetivo na vida é ter uma família e poder passar aos meus filhos a vontade de serem pessoas boas”.

O encontro foi pelo Messenger, um dos mais tradicionais da internet, mas poderia ter sido no Bom Retiro, região que antes concentrava grande parte da comunidade judaica em São Paulo. Por uma grande coincidência, os quatro entrevistados tem sobrenome Kim. Mas já adianto que foi uma apenas uma coincidência, pois eram as pessoas disponíveis no momento para conversar. Aproximadamente 30% dos coreanos são Kim, então é totalmente possível que quatro Kims sejam entrevistados ao mesmo tempo! Poderia ser um Lee, um Park ou um outro sobrenome qualquer, mas encalhou, o que vou fazer? E como são três amigos e uma amiga, só espero que não digam que eu prestigiei somente a ala masculina da comunidade coreana…

Atenção, estes Kims aqui NÃO SÃO MEUS PARENTES!
Atenção, estes Kims aqui NÃO SÃO MEUS PARENTES!

Seung Beum Kim, 27, é formado em administração e trabalha numa boutique de investment banking. Poderia juntar um bom dinheiro e aposentar-se cedo, dando conforto aos pais que vieram ao Brasil com uma mão na frente e outra atrás, em 1996. Mas sempre teve paixão pelo voluntariado e logo cedo foi trabalhar na missão CENA, uma casa de recuperação para dependentes na região da Cracolândia. Depois que passou a ler sobre Yunus, sua visão sobre trabalho social cresceu e o seu TCC foi sobre um business plan para uma ONG socio-educativa. “Meu objetivo de vida é montar um banco social que canaliza recurso para investir em programas, projetos e empresas com impacto social”, diz o jovem que também é voluntário do TETO e já ajudou a contruir muitas casas para famílias em situação de extrema pobreza. “Acho que é bastante utópico, mas é o que quero da minha vida”, finaliza.

A “nova coreanada” é bastante diversa. “Antes, a grande maioria era da confecção, mas hoje muitos não atuam mais na área”, diz Hanna Kim, 42, PhD em administração de empresas e professora da ESPM. “Hoje temos juízes, promotores, advogados, médicos, engenheiros, etc”, complementa. Ela mesma escolheu ser professora por ser uma profissão de prestígio na Coreia e por gostar de compartilhar conhecimento. Nas suas palavras, “é um grande prazer contribuir para a auto reflexão das pessoas”. Ela é uma representante da geração 1.5, ou seja, nasceu na Coreia e veio jovem ao Brasil. Mas como podem ver, se adaptou bem e hoje é alguém perfeitamente integrada na sociedade brasileira.

Infelizmente, não tivemos comida durante o nosso encontro virtual, mas um dos participantes é dono de restaurante. Sae Young Kim, 36, também formado em administração (três administradores até agora, coincidência pura!). “A nossa família também veio com uma mão na frente e outra atrás, mas com muito trabalho conseguiu se estabilizar financeiramente no Brasil”, diz. Ele fez carreira em empresas multinacionais até que o seu pai faleceu, em 2013. Então, abandonou tudo e se juntou à mãe para tocar o New Shinla-Kwan, especializado em churrasco coreano. Quem o vê sempre sorridente não sabe o sofrimento e a dedicação que dá ao seu negócio e à sua família. Pergunto se ele sente orgulho dos pais e ele responde “claro… mesmo com todo o conservadorismo deles, eles me fizeram ter o caráter que eu tenho hoje.”. E ele ainda encontra tempo para colaborar com instituições do terceiro setor. Quando perguntado quantas instituições já ajudou, diz “não tenho ideia de quantas … e prefiro nem contar … doação é de coração … o resto é marketing. Mas são tantos, GRAAC, Hospital do Câncer de Barretos, UIPA, albergues, entre outros.”

O último entrevistado é o Bruno J. Y. Kim. Coloquei as iniciais dos nomes do meio para que ninguém o confunda comigo. “Mas eu sou mais o Bruno Kim mais bonito”, tenta se diferenciar, cheio de graça! Mas se confundissem, também não ficaria chateado pois tenho grande admiração por ele. Primeiro porque tem um nome lindo, obviamente. Em segundo porque é alguém do meu círculo de conhecidos que apesar de ser bem mais novo do que eu (28 anos), tenho uma grande admiração por suas ideias relacionadas à cidadania. Formado em arquitetura, tem uma família igualmente engajada incluindo a mãe. Uma das irmãs tem a mesma formação que ele e a outra é cineasta formada em audiovisual e especializada em roteiro e cinematografia. Conheci ele algum tempo atrás num evento de apoio ao uso de bicicletas como modal de transporte. Quando perguntado sobre o seu objetivo de vida, responde que é “tentar melhorar o ambiente ao meu redor fazendo o que gosto, não sinto obrigação de realizar algo, apenas vou trabalhando no dia a dia.”. Resposta bem diferente do que ouviríamos se perguntássemos o mesmo para coreanos da geração anterior.

E assim, eu estava feliz em fechar o ciclo de entrevistas mas não saía da minha cabeça que os meus leitores achariam que estou privilegiando os Kims, mesmo que eu insistisse que não são meus parentes… Aí tive a ideia de chamar um quinto elemento e o único que estava acordado tão tarde era o meu amigo Mateo Hyun Suk Chang. Notem que o sobrenome dele é CHANG!

Não quero que pareça que ele está aqui só porque eu precisava de alguém que não tivesse sobrenome Kim, ok? Ele também é um cara que me dá um baita orgulho: vivia nos EUA mas acabou voltando para ajudar os pais (mais um bom filho). Nunca teve nada de graça e batalhou muito dando aulas particulares de inglês para ter o seu próprio dinheiro. Fez de tudo um pouco até perceber que tinha talento para ensinar inglês e ajudar pessoas a fazer entrevistas e hoje é um conhecido professor de TOEFL e coach de entrevistas para MBA. E é também o cara que me incentivou a escrever este texto! “Claro, a comunidade coreana não é só flores, mas também não podemos deixar que avacalhem ela. Temos que levantar este tipo de discussão, é importante”, disse. A gente gosta de conversar sobre assuntos aleatórios, mas também de outros sérios, como o fato de muitos descendentes de coreanos, chineses e japoneses não conseguirem se adaptar inteiramente por aqui: “é irônico que num país multicultural como o Brasil, muitos não tenham um sentimento de pertencimento”. É a questão da “Third Culture Kid”, mais conhecido como TCK, assunto interessante do qual um dia desses farei um texto.

Aos que tem apenas nome coreano, perguntei porque não pegavam um nome de guerra brasileiro, para facilitar. “Me chamavam de João, mas não uso, não gosto, primeiro porque não é meu nome e segundo porque perde a autenticidade”, responde Seung. Sem problemas, sendo João ou Seung, você tem o meu respeito e representa a nova comunidade coreana!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




14 Comentários

  1. Excelente seu texto Bruno, sempre muito lúcido nas coisas que escreve. Sou admirador da colônia coreana você sabe disso.Tenho grande carinho por pessoas que me ensinam principalmente o idioma no dia a dia. Obrigado pelo texto (sou fã), obrigado pela amizade… Abraço.

  2. Acho que nem preciso dizer novamente, mas me sinto no dever:
    Sensacional!
    Melhor resposta para matéria ‘confusa’ é alguém que é especialista no assunto!

  3. Excelente texto até porque a matéria da “sociedade coreana” deixou uma versão mais cheia de esteriótipos do que o normal. Parabéns Bruno

  4. Me senti ‘des’representado (existe essa palavra no Aurelio???) pelo seu artigo.
    Voce foi PREconceituoso com os conterraneos nao-possuidores do sobrenome KIM.
    Vou pedir ao Conseg do Bom Retiro para te multarem com 2 kilos de kimtchi a ser ‘doado’ as vitimas do preconceito nominal.

  5. Me senti ‘des’representado (existe essa palavra no Aurelio???) pelo seu artigo.
    Voce foi PREconceituoso com os conterraneos nao-possuidores do sobrenome KIM.
    Vou pedir ao Conseg do Bom Retiro para te multarem com 2 kilos de kimtchi a ser ‘doado’ as vitimas do preconceito nominal.
    (seu blog acusa de postar assunto semelhante soh pq nao coloquei o email e aperter ‘enter’ denovo)

  6. Alguém que implica com o sobrenome dos outros só pode não ter o que fazer mesmo, se pegar pra entrevistar os brasileiros com certeza vai encontrar muitos Santos, Silva, e daí. Parabéns, sua defesa foi espetacular, conheci pessoas incríveis (coreanas) que com certeza tem suas histórias de vida bem parecida com essas mencionadas, todos temos o direito de continuar lutando por nossos ideais, tendo orgulho do sobrenome que nos foi dado.

  7. Parabéns Bruno, sou sua fã, sempre acompanho seus posts e me regozijo com as notícias e suas observaçōes bem formuladas…estou cada vez mais apaixonada pela cultura coreana….👏👏👏

  8. Parabéns Bruno, exelente matéria sou sua fã. Só uma opinião particular, não acho que vocês precisem mudar seus nomes (que por sinal acho lindo), todos devemos nos aceitar como somos, com nossas caracteristicas peculiares e distintas, pois elas nos fazem ser quem somos, e vocês são pessoas maravilhosas e lindas, esse país é de vocês também independente do nome ou do sangue que corre em suas veias, todos nós brasileiros e estrangeiros juntos é que formamos esta nação, afinal sangue puramente bresileiro apenas os índios possuem, portanto que vocês possam ser feliz aqui na terra onde escolheram viver.

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