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Agosto de 1945 foi um dos momentos mais celebrados pelo povo coreano em toda sua história. Isso porque os 40 anos de ocupação japonesa na região chegaram ao fim, dando a Coreia a oportunidade de crescer como uma nação independente…

Observaram que eu não falei unida? Pois é! Pouco tempo após a liberação da península, os Estados Unidos e a União Soviética ocuparam zonas do país.

Alguns estudiosos (como o professor Michael Kim da Yonsei University) colocam que não existe uma justificativa histórica para a divisão da Coreia e que o paralelo 38 (linha imaginaria que está a 38º ao norte da Linha do Equador e que foi utilizada na divisão da península, foi “desenhada” sem muita premeditação, isso porque o exercito dos EUA desenhou a divisão e a URSS simplesmente aceitou. Assim ocorreu o inicio da divisão da península coreana.

Nesse foto conseguimos ver o Paralelo 38 N em todo o planeta Terra. Fonte: Google.
Nessa foto conseguimos ver o Paralelo 38 N em todo o planeta Terra. Fonte: Google.

Porém, a sociedade coreana já estava dividida em diferentes grupos, classes e ideologias políticas. De um lado a elite, composta pelos senhores de terra, por aqueles que possuíam indústrias e pelos que colaboraram com os japoneses e mantiveram privilégios durante o período colonial.

Do outro lado, estudantes, intelectuais, camponeses e trabalhadores que tinham forte simpatia ao comunismo. Um ponto interessante é que, independentemente da posição de alguém, a maioria dos coreanos preferiu que o governo seguinte seguisse uma generosa agenda de bem-estar social.

Durante esse período, o Japão teve como principal preocupação (quando nos referimos a Coreia) a retirada de seus militares e a evacuação de mais de 700 mil japoneses que estavam na Coreia.

Para isso, o Japão se voltou para duas pessoas: Song Jin-Woo e Yeo Un-Hyeong. Jin-Woo era editor de um dos jornais mais conservadores do país e recusou a proposta japonesa. Além disso, Jin-Woo foi o fundador do Partido Democrático da Coreia, que existiu entre 1945 e 1949 e fez oposição ao governo temporário de Un-Hyeong, também conhecido como Lyuh Woon-Hyung.

Song Jin-Woo Fonte: Google
Song Jin-Woo
Fonte: Google

Un-Hyeong, editor de outro jornal durante o período colonial, era uma figura bastante popular e os japoneses pensavam que ele iria trabalhar junto a eles, mas ao invés disso, Un-Hyeong organizou o seu próprio governo e formou o Preparation for the Committee of Current Independence, também conhecido como Comitê Popular ou Comitê do Povo. Dentro de alguns dias, outros núcleos desse comitê surgiram em diversas províncias da Coreia e, na maior parte, foram formados por líderes locais que assumiram as funções básicas do governo. Em 6 de setembro, vários representantes desses núcleos se reuniram para estabelecer a República Popular da Coreia, em Seul e, assim, criar um único governo unificado.

Yeo Un-Hyeong, também conhecido como Lyuh Woo-Hyung. Fonte: Google.
Yeo Un-Hyeong, também conhecido como Lyuh Woo-Hyung.
Fonte: Google.

No entanto, quando os estadunidenses chegaram, eles se recusaram a reconhecer a legitimidade desse governo e tentaram separar os Comitês Populares. No norte, os soviéticos mantiveram, em grande parte, a estrutura dos comitês, mas se recusaram a reconhecer o governo de Un-Hyeong em Seul.Bandeira da República Popular da Coreia. Fonte: Google

Bandeira da República Popular da Coreia.
Fonte: Google

Assim, apesar dos coreanos começarem a organizar o seu próprio governo, ambas ocupações militares se recusaram a reconhecer a legitimidade política desses governos. As ações dos norte-americanos e dos soviéticos para estabelecer os seus governos militares teve serias consequências na divisão da Coreia, que mergulhou em vários anos de instabilidade e crise após esse breve momento de celebração.

Mas, isso é assunto para o nosso próximo encontro. Até mais!!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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