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Na postagem anterior, falamos sobre a Dinastia Joseon e a aproximação da Coreia com a cultura ocidental. Hoje, iremos conhecer de forma um pouco mais aprofundada a história de uma personagem importante, e que foi citada anteriormente: a Imperatriz Myeongseong, que também é conhecida como Rainha Min.

A Imperatriz Myeongseong foi a primeira esposa oficial do Rei Gojong, o vigésimo sexto rei da dinastia Joseon na Coreia. A rainha nasceu em 19 de outubro de 1851, em Yeoju (província de Gyeonggi). Ela veio de uma família de aristocratas, onde muitos – no passado – se tornaram burocratas com altas posições.

Quando o pai de Gojong resolveu que era hora de seu filho – de 15 anos – se casar, a futura rainha se tornou uma das candidatas e após um processo de seleção rigoroso, o casamento entre Gojong e Min – com quase 16 anos – ocorreu em 1866.

Diz-se que esta é uma foto real da Imperatriz Min em sua juventude. Foto: IMgur
Diz-se que esta é uma foto real da Imperatriz Min em sua juventude. Foto: IMgur

Logo de início, a Imperatriz Myeongseong se mostrou diferente das outras rainhas. Ela não participava de grandes festas e raramente encomendava vestidos extravagantes. Como rainha consorte, esperava-se que ela agisse como um ícone para a alta sociedade, mas a mesma se recusou. Ao invés disso, a rainha se concentrou em ler livros que geralmente eram reservados aos homens, assim como investiu em sua educação em áreas como religião, filosofia, história, ciências e política.

A imperatriz logo mostrou sua ambição ao fortalecer a sua influência, a ponto de – secretamente – formar um grupo contra o seu sogro, Daewongun, que reinava no lugar do seu jovem filho. Após dar à luz ao Príncipe Wanghwa, a rainha argumentou com a corte que o seu marido – que tinha entre 20 e 22 anos – tinha a capacidade de governar o reino.

Com isso, Daewongun saiu do poder e a rainha se consolidou como uma influência forte na corte. Em 1877 enviou uma missão ao Japão, com o objetivo de entender como um país que até alguns anos era menos desenvolvido que a Coreia, passou a ter grandes e modernas cidades com o apoio ocidental.

Outras missões foram ao Japão e em uma delas, o chefe trouxe para a rainha um livro chamado Estratégia Coreana. O livro – que era chinês – colocava que a Coreia deveria se abrir para o ocidente, que precisava se unir com os EUA, com a China, e – de forma temporária – com o Japão. Ao ler o livro, a rainha distribuiu copias para os nobres do palácio, porém os mesmos não apoiaram a rainha, pois acreditavam que os cristãos destruiriam os princípios confucionistas que estavam enraizados na Coreia.

Mas as mudanças feitas pela rainha não foram bem aceitas por todos. No exército, por exemplo, ocorreu a criação de uma nova unidade formada pelos alunos militares que mais se destacavam. Essa unidade recebia treinamentos de novas e mais modernas armas, o que levou os militares mais antigos a nutrirem certo ressentimento pela rainha.

Com relação a educação, temos a criação da Escola Real de Inglês e da Ewha Academy, atualmente conhecida como Ewha Womans University. A Escola Real era apenas para a elite e tinha aulas em inglês, mas não ficou muito tempo e acabou em 1893 devido à falta de estudantes.

EWHA 1 Veritas EWHA 2

A Ewha Academy foi a primeira escola apenas para meninas, e foi criada por uma missionária que estava na Coreia a convite da própria rainha. Com a Ewha Academy, pela primeira vez, meninas coreanas – nobres ou não – poderiam estudar. Atualmente, a Ewha Womans University é conhecida por muitos, e muitas meninas tem o sonho de estudar lá (inclusive esta que vos escreve).

O convite da rainha Min a esta missionária mostra a posição da rainha com relação a religião. A imperatriz pregou a tolerância religiosa, convidou diferentes missionários para a Coreia, e aprendeu com eles tudo o que podia.

Nesse período, a Clínica Médica Real de Gwanghyewon foi aberta, e com isso a tradicional medicina se modernizou.

A relação da rainha com o Japão se mostrou tempestuosa e, durante o governo da imperatriz, o Japão via a mesma como um obstáculo a expansão japonesa. Então, após seu marido assinar um tratado com o Japão permitindo que a segurança da sua embaixada fosse feita por japoneses, e sentindo que sua vida corria risco, a imperatriz resolveu se aliar aos russos.

Essa aproximação não deixou os japoneses felizes e, em 1895, militares japoneses invadiram o palácio real e assassinaram todas as mulheres que ali estavam presentes. Ao ser encontrada, a rainha foi esfaqueada e abusada. O seu corpo foi levado para fora do palácio e queimado sob os olhares de diversas pessoas. Esse assassinato fez com que o sentimento anti-japonês crescesse na Coreia, levando a resoltas armadas de diversas classes.

Seu marido se refugiou com os russos por um ano, até que resolveu voltar ao palácio e assumir o seu papel de rei. Ao voltar, assinou vários tratados que deram grande poder ao governo japonês, o que pode ser visto como o início da anexação da península coreana ao Japão (assunto que será detalhado nas próximas semanas).

Apesar de mais de 50 homens japoneses terem sido acusados de assassinato, nenhum foi preso e alguns receberam bonificações. Até hoje, o governo japonês não se pronuncia sobre o assunto.

O que podemos ver, é que a rainha foi importante para a abertura coreana para o ocidente, o que certamente ajudou a conhecermos a Coreia do Sul dos dias atuais.

A importância da mesma é tanta que existe um musical sobre a sua vida chamada A última Imperatriz. Este, que é o primeiro musical original sul coreano, estreou em 1995 e está a mais de 20 anos em cartaz. Ele é uma adaptação do livro escrito por Yi Mun-yol, que se baseia na vida da Rainha Min. O musical passa pelo seu casamento com Gojong até o seu assassinato e já foi apresentado nos Estados Unidos, Inglaterra e Canadá.

Você pode conferir mais sobre o musical nesse vídeo:

Até a próxima e espero que tenham gostado!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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