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A despeito do ditado popular coreano cuja tradução aproxima-se de “a preocupação mais infundada é preocupar-se com celebridades”, um relatório do Serviço Fiscal Nacional (NTS) revela discrepâncias surpreendentes entre os ganhos dos 10% de artistas mais bem pagos em comparação com o restante dos trabalhadores da área do entretenimento, desafiando o senso comum de que todas as celebridades desfrutam de uma vida farta.

O relatório do NTS foi resumido e trazido a público pelo Comitê de Estratégias e Finanças da Assembleia Nacional em 17 de outubro. De acordo com um integrante do Comitê, o Deputado Park Kwang-on, 1% dos músicos e atores declararam ganhos anuais de 4.2 bilhões de wons e 2.0 bilhões de wons no último ano, respectivamente. Os outros 10% mais bem pagos de ambas as profissões também declararam ganhos expressivos; músicos com 732 milhões de wons e atores com 367 milhões de wons.

Além de PSY, G-Dragon, do grupo Big-Bang também acumula uma fortuna devido principalmente à sua ligação com o mundo da moda. Foto: All Kpop
Além de PSY, G-Dragon, do grupo Big-Bang também acumula uma fortuna devido principalmente à sua ligação com o mundo da moda. Foto: All Kpop

Os outros 90%, porém, possuem ganhos consideravelmente distantes dos mais bem pagos. De fato, 90% dos músicos afirmaram uma média de ganhos anuais de 8.7 milhões de wons, enquanto os atores figuram com insignificantes 6.2 milhões de wons. Em perspectiva, o top 10, ou o 1% mais bem pago, recebe pelo menos 50 vezes mais do que o restante de seus colegas de indústria.

Neste sentido, 2015 não foi diferente em relação à desigualdade salarial em ambos os campos; apesar dos ganhos anuais dos atores e músicos serem um pouco menores (músicos do top 10% com 640 milhões de wons e atores do top 10% com 367 milhões de wons), os 90% restante da indústria ganharam menos ou não o suficiente para fazer uma diferença significativa, com 8 milhões de wons (músicos) e 7 milhões de wons (atores). A persistente disparidade de renda nos dois últimos anos sugere que esta questão surpreendente das desigualdades salariais é algo inerente a natureza única da indústria do entretenimento.

De fato, tal qual o clichê de “artista passando fome”, há uma proporção de artistas que têm dificuldades em manter as contas em dia. Inúmeros atores relembram saudosamente um período de 10 a 20 anos atrás, antes de programas de TV e filmes blockbusters de sucesso massivos se tornarem cotidianos, quando sobreviver com um orçamento anual de 3 a 5 milhões de wons ainda era possível.

Choi Si-won, do bem sucedido grupo Super Junior, empresta sua imagem a diversos produtos, além de atuar. Foto: Fan Pop
Choi Si-won, do bem sucedido grupo Super Junior, empresta sua imagem a diversos produtos, além de atuar. Foto: Fan Pop

Apesar da dura realidade do dia-a-dia para grande parte da indústria artística, é comum que pessoas de fora do ramo imaginem celebridades em carros, prédios e roupas de luxo, de acordo com o estereótipo do que é uma vida de celebridade.  Esta perspectiva pode explicar a reação da população ao fato de que o comediante e personalidade da TV Kim Saeng-min tenha acumulado os meios para viver em um apartamento de primeira classe no centro da cidade e possuir um Mercedes-Bens através de uma carreira de mais de 25 anos por meio de uma vida extremamente simples, até “miserável”, diriam alguns.

Uma das opiniões sobre esta questão é que não importa o quão rigoroso ele tenha sido ao administrar suas finanças, seu status como um artista, ou como muitos coreanos costumam dizer, “mas ele não é uma celebridade?!”, seria a principal razão para sua situação financeira. Atitudes como esta erroneamente interpretam as fortunas de artistas como Kim, que em termos de popularidade e repertório artístico de trabalho está longe de ser uma celebridade e se aproximada mais de um artista veterano, como uma certeza inevitável, algo que o relatório do NTS claramente refuta.

A divisão invisível que separa ricos e pobres, minorias e maiorias, também perpassa os aspectos gerenciais do mundo do entretenimento. Ao contrário de mais um estereótipo da área, que diz que as pessoas envolvidas no gerenciamento de artistas vivem bem aos custos do trabalho de seus artistas, na verdade, a maioria enfrenta dificuldades no cotidiano, suando para realizar tarefas comuns como abastecer o carro da empresa.

Praticamente sem classe média, o ingrediente que impulsiona o gerenciamento de artistas da base para o topo são as estrelas, que nos últimos cinco a 10 anos tem visto o surgimento de uma versão potencializada: as estrelas Hallyu.

Sendo as estrelas Hallyu raridades, as companhias de gerenciamento e as agências de entretenimento sem estrelas são forçadas a competir entre si na busca da próxima pessoa ou grupo de sucesso, frequentemente arriscando as economias de uma vida inteira de seus executivos e o risco de falência.

BoA é uma das mais antigas artistas coreanas, que além de cantora, já atuou em filmes coreanos, japoneses e americanos. Foto: SM Entertainment
BoA é uma das mais antigas artistas coreanas, que além de cantora, já atuou em filmes coreanos, japoneses e americanos. Foto: SM Entertainment

Ao responder a um pedido por comentários, o presidente de uma agência de talentos disse que “não importa quantos atores conhecidos você tenha, se eles não conseguem assinar ofertas de patrocínios ou acordos internacionais, você não ficará com nada depois de pagar as contas de gás e os salários dos funcionários”. Em um tom de voz de frustração, ele completa dizendo que “grande parte das agências que representa atores não conseguem sobreviver sem financiamento de fontes externas”.

Quando cego pela realidade ou cativado por uma chance em um milhão de encontrar e trabalhar com o próximo, a fila de empresários que sonha em se tornar grande no ramo chega a dobrar ao redor da esquina. Em um mundo em que muitos são chamados, mas poucos são selecionados, a esperança destes empresários é se tornar parte da estatística dos artistas 1% mais bem pagos.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




2 Comentários

  1. Oi, um pouco aleatório meu comentário mas queria saber se foi feito algum post sobre o TOPIK de 2018? conferi o edital e sei as datas mas não encontrei nada sobre o local que serão feitas as inscrições para a de abril em São Paulo.

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