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A acusação de assédio de uma promotora contra seu ex-supervisor sênior vem acendendo o movimento #MeToo na Coreia do Sul e ganhando apoio de pessoas de todas as idades.

Seo Ji-hyun, promotora de Tongyeong, no escritório do Ministério Público do Distrito de Changwon, recebeu o apoio de seus colegas promotores e legisladores depois que divulgou ter sido assediada por Ahn Tae-geun, ex-procurador sênior, em um funeral em 2010.

Além das mensagens de apoio dos cidadãos nas mídias sociais, 225 promotores emitiram uma declaração de apoio a Seo.

Exigimos que a verdade seja dita sobre as alegações de assédio sexual expostas por Seo. Também pedimos novas investigações para encontrar outras vítimas “, diz o comunicado.

Seo não deveria sofrer nenhum contratempo em decorrência de sua revelação. Para evitar que isso não mais aconteça, a acusação deve pensar sobre o que aconteceu de errado e corrigi-lo.

Eles também pediram desculpas a Seo. “É difícil imaginar o que ela passou pelos últimos oito anos. Lamentamos por não ajuda-la neste momento de dificuldade. Mas vamos ajuda-la a partir de agora.

Os juízes se juntaram à onda de mensagens. Moon Yoo-seok, um juiz no Tribunal Distrital Leste de Seoul, propôs um movimento “Me First” em sua página no Facebook. “É preciso uma pessoa para dizer uma palavra para parar o ofensor. Isso é o que precisamos agora. Vou tentar ser essa pessoa“.

Kim Jae-Ryeon, representante legal de Seo, disse que, apesar do amplo apoio à ela, alguns de seus colegas ainda estão tentando desacreditar sua cliente com afirmações falsas de que ela tornou sua experiência pública para ganhar uma posição melhor dentro da promotoria ou entrar na política.

O crescente apoio à campanha demonstra a prevalencia de má conduta sexual na Coreia socialmente conservadora e a supressão das vítimas que se expõe sobre a injustiça.

Muitos se perguntam se isso irá desencadear um movimento #MeToo em escala total além da promotoria.

O movimento começou no ano passado nos EUA com atrizes de Hollywood falando sobre episódios de assédio sexual praticados por Harvey Weinstein, um influente produtor de filmes. Isso se espalhou pelos EUA e na Europa.

Na terça-feira, um advogado detalhou em entrevista à SBS TV o suposto assédio de supervisores seniores. Na quinta-feira, o Hankook Ilbo, jornal parceiro do The Korea Times, também contou com uma advogada que expos má conduta sexual de seus colegas seniores e supervisores do Instituto Judiciário de Pesquisa e Treinamento.

Eu decidi falar porque sei que algumas pessoas pensam que Seo é uma mulher estranha. mas ela não é. Isso pode acontecer a qualquer um. Aconteceu comigo também “, disse ela.

Entretanto, Cho Hee-jin, 56, chefe de uma equipe de investigação especial criada pelo Ministério Público Superior, comprometeu-se a descobrir a verdade por trás das alegações.

Cho, o atual chefe do Ministério Público do Distrito Leste de Seul, disse aos repórteres na quinta-feira que em breve iniciará uma equipe de investigação na qual especialistas de fora da acusação participarão.

Vamos formar uma equipe incluindo pessoas do setor privado“, disse ela. “Eu farei o máximo para revelar a verdade como promotora e como funcionária pública“.

Na segunda-feira, Seo detalhou o que aconteceu com ela durante uma entrevista com o JTBC News, um programa de horário nobre.

Em um funeral em 2010, um promotor sênior que se sentou ao meu lado continuamente buscou minha cintura e nádegas“, disse Seo durante a entrevista ao vivo. “Eu não podia dizer nada porque o ministro da Justiça estava lá. Eu só tentei me afastar dele“.

Ela disse que muitos procuradores seniores estavam conscientes do que estava acontecendo, mas ninguém disse nada para detê-lo.

Mais tarde, ela queria uma desculpa de Ahn, mas ele nunca ofereceu uma. Em vez disso, ela afirmou ter sido punida em sua carreira por exigir as desculpas.

Ahn disse que não se lembrou do que aconteceu, mas também negou que Seo foi discriminada porque exigiu um pedido de desculpa.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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