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O povo daqui que acompanha as notícias que vem da Coreia deve estar cansado de ouvir o nome da presidente coreana, a tal de Park Gun… Kum… Keum… He… Hie… Hee… ah, sei lá… Enfim, a tal presidente que também está enfrentando problemas de popularidade como a Dilma Rousseff teve aqui no Brasil. Acho que não preciso entrar em detalhes sobre os fatos mais recentes, porque quem acompanha o Koreapost está tendo acesso a uma cobertura incrível (modéstia à parte, a melhor por aqui?) através da nossa especialista em Geopolítica Coreana e pesquisadora Marcelle Torres e do nosso lindo time de jornalistas e tradutores.

No último sábado, mais de um milhão de manifestantes pediram a deposição de Park Geun-hye. E como sou um descendente de coreanos e ativista político no Brasil, inevitavelmente acabo comparando os dois países quando se trata de política. Existem muitas semelhanças mas também muitas diferenças. Por exemplo, tivemos as nossas eleições municipais neste ano e enquanto que o nosso sistema é de voto proporcional, na Coreia temos o voto distrital. Mas o que mais desperta a minha atenção é (na minha opinião pessoal) o maior interesse dos coreanos nos rumos da sua nação do que o dos brasileiros pelo nosso país.

A gente costuma dizer que no Brasil vivemos numa democracia e a definimos usando aquela famosa frase “a democracia é o governo do povo, pelo povo, para o povo”. Claro, podemos elaborar a frase um pouco mais e perguntar “mas… quem é o povo?”. Pois é, sabemos são as coisas por aqui, onde um pequeno grupo de poderosos comanda praticamente toda a nação para seu próprio benefício. Sim, isso ocorre em praticamente todas as nações do mundo, em maior ou menor intensidade. E é o que está ocorrendo na Coreia neste momento. A grande diferença é a consciência e participação popular exigindo que providências sejam tomadas, de maneira mais engajada do que costumamos ver no Brasil. E mais uma vez, podemos ver que a diferença é… a educação.

Este vídeo acima é um dos meus favoritos para mostrar como a Coreia conseguiu sair de uma grave situação econômica para ser um dos países que mais se desenvolvem no mundo. A educação acabou trazendo benefícios para economia coreana. Na década de 70, a renda per capita era baixa e parecida tanto no Brasil como na Coreia, mas hoje, a da Coreia é praticamente três vezes maior que a brasileira. E o aumento no nível educacional acaba formando pessoas com maior exigência em todos os níveis da vida, inclusive a política.

A democracia é fortalecida quando há uma maior participação das pessoas e isso somente é possível quando existe um fortalecimento da educação, incluindo a educação política. Não me conformo que um mês antes das eleições municipais, mais de 70% dos cidadãos não tenham escolhido ainda ou que não estejam planejando quem escolher para dar o seu voto. Muitos acabam escolhendo os seus candidatos de última hora e de qualquer maneira. E mais, não me conformo que depois das eleições, a grande maioria da população simplesmente desligue o seu interesse na política para pensar novamente nisso somente depois de quatro anos.

Não estou dizendo que o sistema político coreano ou que os cidadãos coreanos sejam os melhores ou mais representativos da democracia moderna, muito pelo contrário. Mas é interessante acompanharmos o desenrolar da atual situação da presidente e também de outros lugares do mundo para aprender através de exemplos, sejam eles bem ou mal sucedidos.

Estou ansioso para ver as cenas do próximo capítulo desse dorama da vida real!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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