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“Hoje, um ‘muro de confronto militar’ atravessa o centro da península coreana. Um ‘muro de desconfiança’ também foi erguido durante a guerra e as décadas seguintes de hostilidade. Um ‘muro sociocultural’ divide sulistas e nortistas sob ideologias e sistemas muito diferentes em termos de como eles pensam e vivem. Há um ‘muro de isolamento’ imposto pelo programa nuclear da Coreia do Norte, colocando o país para fora da comunidade das nações”. (Discurso da presidente Park Geun-hye na Universidade de Tecnologia de Dresden, na Alemanha, em março de 2014).

Discurso da presidente Park Geun-hye em Dresden, Alemanha 2014.
Discurso da presidente Park Geun-hye em Dresden, Alemanha 2014.

Sabemos que a verdade é que a guerra entre as Coreias nunca acabou e a península permanece em estado de tensão e conflito. Para Seul, o principal empecilho para a normalização das relações é o desenvolvimento do programa nuclear da Coreia do Norte. Já para Pyongyang, os exercícios militares conjuntos entre Coreia do Sul e EUA e a presença militar norte-americana na península.

Os efeitos da divisão nacional não se restringem ao campo político-militar, mas afetam diretamente os dois povos. Há quase 70 anos, inúmeras pessoas ainda vivem separadas de suas famílias, sem contar aqueles que faleceram sem saber se seus entes estavam vivos ou não do outro lado da Zona Desmilitarizada. Ainda, há a situação de prisioneiros de guerra detidos durante a Guerra da Coreia e os raptos de coreanos e estrangeiros após a assinatura do Acordo de Armistício em 1953.

A unificação coreana é uma das metas nacionais da República da Coreia e espera trazer o fim à trágica divisão de 70 anos e inaugurar uma nova fase de unificação geográfica do território, de estabelecimento político de um estado unitário, de integração de uma economia e de restauração sociocultural da homogeneidade nacional.

Preparing for a Peaceful Unification of Korea, Seul, novembro de 2015.
Preparing for a Peaceful Unification of Korea, Seul, novembro de 2015.

Durante a conferência Preparing for a Peaceful Unification of Korea, em Seul, os participantes ficaram surpresos com a presença de uma pesquisadora brasileira no assunto e eram inevitáveis e muito bem recebidas as perguntas “por que você pesquisa sobre a unificação?”, “como o Brasil poderia ajudar nesse processo?”, as quais eram respondidas com muito orgulho e carinho. Os comentários “obrigada pela sua presença”, “é muito bom saber que o Brasil também se importa com a nossa causa”, “a sua determinação em tratar do assunto é contagiante”, etc, me incentivam nessa caminhada do outro lado do mundo! <3

No dia 24 de fevereiro deste ano, durante uma sessão na Câmara dos Deputados, fiquei feliz ao saber que o deputado federal William Woo fez um discurso em defesa da cultura de paz na península coreana, destacando, inclusive, a existência do Conselho Nacional de Unificação, órgão consultivo que busca a paz entre as Coreias e conta com a participação de brasileiros entre seus membros. Precisamos de mais apoio como este para questionarmos a atuação brasileira no cenário internacional e pressionarmos pelo posicionamento ativo da nossa diplomacia.

Deputado federal William Woo em discurso na Câmara dos Deputados sobre a paz entre as Coreias.
Deputado federal William Woo em discurso na Câmara dos Deputados sobre a paz entre as Coreias.

Estabelecido pelo art. 92 da Constituição da República da Coreia, o Conselho Nacional de Unificação objetiva a preparação para a unificação nacional a partir de políticas alternativas mais detalhadas e realistas e o reforço do papel dos membros do Conselho no exterior como uma delegação diplomática privada para a unificação nacional a fim de alcançar a harmonia entre os coreanos no exterior e reforçar a base de apoio de sociedades internacionais à causa e, de acordo com o seu art. 2º, deve apresentar propostas à presidente da República da Coreia sobre a preparação e execução de políticas para a unificação democrática e pacífica da pátria.

Reunião do Koreapost com membros do Conselho Nacional de Unificação da Coreia, para uma surpresa aos nossos leitores e admiradores da cultura coreana! :D
Reunião com membros do Conselho Nacional de Unificação da Coreia.

O Brasil é o único país da América Latina a ter embaixadas residentes em Pyongyang e Seul. De acordo com o atual embaixador do Brasil na Coreia do Norte, Sr. Roberto Colin, “o Brasil abriu sua embaixada em Pyongyang em 2009 com o objetivo de contribuir para a solução pacífica da questão coreana”. E então quais são as contribuições? Nós temos um canal de comunicação direta e que pode servir, ainda, para monitorar o curso da Coreia do Norte na geopolítica asiática, o qual não está sendo devidamente usado e muitas pessoas acabam não sabendo de sua existência.

Então, em relação à atuação brasileira com vistas à reconciliação intercoreana, pergunto: qual é o posicionamento da diplomacia brasileira e que medidas o Brasil está adotando e adotará para contribuir com o processo de paz entre as Coreias?

One dream. One people. One Korea.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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