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Em retaliação ao teste nuclear norte-coreano de quarta-feira, a Coreia do Sul retomou hoje as transmissões de propaganda anti-Pyongyang através de alto-falantes ao longo da Zona Desmilitarizada, de acordo com a Yonhap. Suspensas desde agosto de 2015, as transmissões retornam como um presente ao líder aniversariante. K-pop e mensagens críticas ao regime norte-coreano estão sendo as primeiras armas de Seul.

Segundo Cho Tae-Yong, vice-chefe do Serviço de Segurança Nacional, “o teste nuclear do Norte violou suas obrigações e compromissos com a comunidade internacional e não conseguiu honrar o contrato de 25 de agosto”, referindo-se ao acordo intercoreano alcançado após Pyongyang ter suspendido o quase estado de guerra e Seul ter interrompido as transmissões de críticas ao regime de Kim Jong-un e a guerra psicológica na fronteira terrestre coreana, alegando suspendê-las até que algum evento anormal ocorresse na região.

Abaixo uma amostra de como foi a transmissão de propaganda contra o regime norte-coreano em agosto de 2015:

A tática de guerra psicológica é sensível e preocupante à Coreia do Norte devido aos efeitos que pode ter sobre sua população e forças armadas, como o aumento das tentativas de deserções. Entretanto, tal estratégia – principalmente em caso de longa duração – também pode surtir efeitos negativos à Coreia do Sul: um aumento drástico no número de desertores com destino à Seul pode comprometer a economia sul-coreana, além do fato da Coreia do Sul não estar, repito, não estar preparada para uma eventual unificação [assunto que discutiremos numa futura publicação].

Em meio ao esfriamento da tensão nipo-coreana no âmbito governamental em relação ao acordo sobre as “mulheres de conforto”, Barack Obama, Park Geun-hye e Shinzo Abe concordaram em trabalhar em conjunto para uma resposta internacional unida e forte frente ao comportamento de Kim Jong-un.

Em comunicado de imprensa conjunto, o ministro da Defesa sul-coreano Han Min-koo e o secretário de Defesa norte-americano Ashton Carter compartilharam da determinação de que a Coreia do Norte não será aceita como um Estado nuclear.

Ainda que Washington não acredite que o teste nuclear tenha sido de uma bomba de hidrogênio e desconfie da capacidade nuclear de Pyongyang, a “oportunidade” de alocar armamentos norte-americanos na península é única – haja vista o contínuo impasse partidário em Seul acerca da implementação ou não do escudo antimísseis THAAD, além da pressão negativa de Pequim e Moscou.

O general Lee Sun-jin, comandante das Forças Armadas da Coreia do Sul, e o general Curtis Scaparrotti, comandante das Forças dos Estados Unidos na Coreia, discutiram uma possível implantação de equipamento militar como parte das medidas para melhorar as capacidades de defesa conjuntas. B-2, B-52, caças F-22 e um submarino de propulsão nuclear são ativos militares norte-americanos que podem ser destinados à península para eventuais ataques às instalações nucleares e de mísseis da Coreia do Norte.

O B-2, bombardeiro de fabricação exclusiva da USAF (Força Aérea dos Estados Unidos), tem função de furtividade e é capaz de carregar bombas termonucleares. O B-52 é um avião de guerra capaz de lançar mísseis de cruzeiro com armas nucleares. O caça F-22 mantém a superioridade aérea no campo de batalha, mas também possui capacidade secundária de ataque ao solo. Já o submarino de propulsão nuclear é alimentado por reator nuclear, mais difícil de ser detectado, não precisa emergir com tanta frequência e opera com maior velocidade em longos períodos de tempo. Com o lema “Gachi Gapsida” (“vamos juntos”), as forças militares norte-americanas reforçam a parceria militar conjunta com seus homólogos sul-coreanos descrita pelo Tratado de Defesa Mútua, assinado em 1951. Mas, poderia a Coreia do Sul enfrentar a Coreia do Norte sozinha, sem o braço militar norte-americano? Humm, é um assunto para outra próxima publicação!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




4 Comentários

  1. É bom poder ouvir opiniões isentas sobre as tensões entre as duas Coreias, ainda mais em português. É um assunto muito sério que precisa ser discutido de maneira séria. Marcelle, mais uma vez parabéns pelo seu trabalho!

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