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Calma pessoal, o texto de hoje não tem briga não… quis apenas chamar a atenção de vocês quanto a um assunto que foi amplamente divulgado até no exterior: o tweet da revista Glamour Brasil com membros do seu time em viagem ao Japão, fazendo o famoso “olho puxado” com as mãos. Quem de vocês acompanhou a “treta”, que acabou rendendo bastante pano para manga?? Para quem não viu, esta é a imagem em questão:

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Pois é, a postagem acabou até sendo apagada depois que muitos leitores (inclusive de não descendentes de asiáticos) reclamaram da postura preconceituosa que a imagem passava. Fizeram até uma postagem pedindo desculpas pelo ocorrido, mas que acabou jogando mais combustível no problema por praticamente chamar os ofendidos de “sensíveis”. E na sequencia soltaram até um pedido de desculpas em inglês, por causa de toda a repercussão do caso em sites no exterior. Depois, postaram uma foto com uma membra asiática do staff para tentar mostrar que “não são preconceituosos”, mas não houve jeito de segurar a enxurrada de críticas.

Sabem, praticamente toda a minha vida vi pessoas fazendo esse tipo de gestos para mim. Ouvi muitos “volta para o Japão” ou então gozações por ter “aquilo pequeno”, se é que me entendem. Ouvir “flango flito”, “japoronga” ou “xing ling” também foi/é bastante comum. E nunca pude reclamar, porque sempre era/sou taxado como alguém com falta de senso de humor, pois se trataria de apenas uma brincadeira inofensiva. Pois bem, quero deixar bem claro aqui que não, não acho engraçado fazer gestos de puxar os olhos para imitar os olhos do asiático assim como não acho engraçado alguém fazer gestos de macaco para “imitar” um negro. Claro, não quero de maneira alguma comparar as duas situações, mas para mim as motivações são semelhantes. Também não acho engraçado “imitar” o jeito de falar de um asiático que não tem fluência no português, porque o tom geralmente é de zombaria e não de “homenagem”.

Outro caso que recentemente criou polêmica foi a escalação de atores na novela “Sol Nascente”, onde a Rede Globo colocou como protagonistas do núcleo “oriental” o ator Luís Melo e a atriz Giovanna Antonelli apesar de existirem no Brasil grandes atores de ascendência asiática. É o chamado “Yellow Face”, como é conhecida a prática de se escalar atores ocidentais para interpretarem personagens orientais. Normalmente, são caracterizados de maneira estereotipada, como ocorreu com a caricata personagem Shin-soo da novela “Geração Brasil”, vivido pelo ator Rodrigo Pandolfo, que até colocava adesivos para deixar o olho mais puxado. E em 2009, tivemos a novela “Negócio da China”, cuja propaganda em revistas é a imagem que ilustra este texto. Aliás, o caso da novela “Sol Nascente” fez nascer o Coletivo ORIENTE-SE, que luta por mudanças de paradigmas nas produções cênicas, midiáticas e audiovisuais no que tange à diversidade.

Lembro de ter falado algumas vezes sobre esse incômodo assunto do preconceito no Brasil e que alguns leitores terem comentado que os coreanos também são preconceituosos, tanto aqui como na Coreia. Sim, concordo sem generalizar. Preconceito existe em qualquer lugar do mundo mas é algo que não pode existir em pleno século XXI. Devemos combater qualquer tipo de preconceito (racial, de gênero, social, etc) em qualquer lugar do mundo.

E vocês, qual é a sua opinião?


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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Bruno Kim
Nascido na Coreia do Sul, entende a importância de respeitar a diversidade e considera-se um cidadão do mundo, mas, quando o assunto é futebol, é 100% brasileiro. Na área da educação é blogueiro (guiadomba.com.br) e dirige uma ONG (facebook.com/onginovareducacao). É skatista das antigas e tem paixão por cachorros.

10 Comentários

    • Obrigado Paula! Sim, há esperança porque as pessoas estão mais receptivas a ouvir o que temos a dizer hoje do que a 10, 20, 50 anos atrás. E claro, porque existe o efeito de panela de pressão, em algum momento tinha que explodir. Lembro que quanto tivemos a novela “Negócio da China”, muito menos gente “reclamou” do que agora com a novela “Sol Nascente” e fico feliz que hoje temos uma geração de descendentes de asiáticos super articulados, incluindo você e a menina que protestou contra o post da Glamour Brasil. Temos que continuar falando sobre este assunto, influenciar amigos e pessoas próximas, mostrar que (neste caso) o tal “puxão de olhos” (e o que vem por trás) nos incomoda. Façamos barulho por honra aos nossos pais e avós que nunca puderam reclamar adequadamente e também pelos nossos filhos e netos, que continuarão a viver neste país, como brasileiros. 😉

  1. Infelizmente o preconceito é algo que está na raiz da cultura BR. Chamamos aos “brancos de olhos azuis” de Alemão, os orientais de japa e por aí vai, como se isso fosse uma forma de os “integrar” na sociedade multi-étnica que formou esse país. Mas como algo cultural deve ser mudado pela sociedade, família etc.

  2. Muito Bom o Texto;

    Não tenho nada de descendência oriental mas compreendo muito bem o que queres dizer, se estes meios de comunicação querem abrir um mercado no oriente, por que não fazer com pessoas de lá? Gerando empregos lá??!! Mais uma tentativa te forçar uma cultura em um local estrangeiro…..

  3. Acho curioso nas novelas (pra não dizer preconceituoso) que nunca escalam um asiático para um papel se ser asiático não for uma característica do personagem. Ex: Não teria um elenco oriental se a historia não estivesse relacionada com o Japão. Nunca escalam um asiático para ser, sei la, o coleguinha de trabalho do mocinho, onde a aparência dele não interfere em nada com a historia. Normalmente os papéis são sempre estereotipados. Isso ocorrem também com negros.

  4. Adorei o texto, muito informativo! Agradeço de coração por este post! Fez-me repensar sobre gestos e palavras que vejo e ouço desde criança quando comecei a estudar japonês e estar muito em ambientes onde estavam.

    Lembro que antes de estudar esse idioma, já tinha contato com japoneses e descendentes amigos(as) da minha mãe, e eu achava muito legal terem os olhos puxados. Tanto que eu “puxava” meus olhos e segurava um pouco para que ficassem assim RSRS. Meu Deus, cada coisa!

    Em relação a imitar o modo de falar dos asiáticos, gente eu nunca mais farei isso! rsrs tem palavras ou frases que acho bem fofa a maneira como é pronunciada (não só de asiáticos), acabava imitando. Eu realmente adoro “sotaques”, não só por questões identitárias (me entristece quando alguém QUER – e se puder faz de tudo para – apagar essa “marca”, até em mim que achava que falar inglês bem era sinônimo de falar sem sotaque), e porque isso desperta minha curiosidade sobre o lugar de onde a pessoa veio. Se todos falássemos todos os idiomas bonitinho, certinho, sem “marca” – para mim – o mundo não seria tão interessante quanto é cada um de um jeito, com uma motivação, opinião, uma particularidade que pertence a cada um.
    Quantas conversas deixariam de existir, quantas amizades que começaram por conta das diferenças dos seres humanos não teriam sido feitas.
    Sei que existem muitas semelhanças, pois somos TODOS HUMANOS, isso é o que importa para mim. As diferenças são o condimento/tempero para deixar o mundo mais alegre! (aqui eu quis me referir também às diferenças de personalidade, humor, e diversas que possam ser pensadas).

    Obs.: não estou falando de quem perde o sotaque naturalmente por N motivos.
    Desculpe se falei algo preconceituoso, não foi a intenção ofender ninguém, ainda estou descobrindo o que é e o que não é considerado preconceito (quando este não está tão visível/aparente).
    E peço desculpas também pelo texto estar meio enrolado, e longo, eu me empolguei na hora de escrever.

  5. Fico muito triste ao ver materia como esta ,morei em Seul e passei por uma situação muito constrangedora ao entrar em uma loja no Namdaemun Market (남대문시장) ,sentido na pele meu amigo Bruno Kim, em todos os lugares vamos encontrar pessoas medíocres e idiotas que se julgam melhores que outras.
    O que não podemos é deixar estas coisas abalar e destruir nossos sonhos e ideais. Eu amo a Coreia, e o povo coreano.

  6. Oá! Nooossa! Fiquei boquiaberta com os seus textos! Você, um coreano ter uma ortografia tão perfeita…!Eu cheguei até o seu blog por conta dessa polêmica com o apresentador Raul Gil..mas na verdade eu já venho despertando o interesse pela cultura coreana..os grupos Kpop ,as danças..enfim. Ainda sou “novara”, vou aprendendo aos poucos sobre a cultura desse país magnífico. Rs Aos poucos também vou lendo cada post do seu blog.
    Aaaah e por favor querido ,releve essa situação com o apresentador Raul Gil, foi um tremendo mal entendido, ele eh uma pessoa queridisima por todos-adultos, crianças (sobretudo!)e idosos..está aí na TV há muiiiitos anos ,sempre levando alegria e acredito que jamais teve intenção de cometer qualquer tipo de preconceito com quem quer que seja!
    Grande abs!

    • Olá Ana!! Obrigada por seu comentário. O Bruno Kim é nosso colunista mais expoente, sem dúvida. Seus comentários a cerca das percepções de um coreano sobre o Brasil, são extremamente relevantes. Fico feliz que o texto dele tenha te trazido ao nosso site. Por favor, navegue à vontade. Com certeza você gostará muito de todo conteúdo do Koreapost! Um Abraço!!

  7. Puxa Bruno parabéns pelo seu texto. Você conseguiu expressar em poucas palavras tudo aquilo que nós descendentes de orientais tivemos que enfrentar a vida inteira. Os ocidentais acham que é apenas brincadeira.Mas pimenta nos olhos dos outros é refresco.Infelizmente em pleno século XXI ainda existe muito preconceito em relação aos orientais.Mas nós temos que lutar contra isso, afinal somos tão brasileiros quanto eles.

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