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Nesta semana, Toshihiro Nikai, secretário-geral do Partido Democrata Liberal do Japão e enviado especial do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, está em visita oficial à Coreia do Sul com o objetivo de estabelecer as bases para a primeira reunião entre Shinzo Abe e Moon Jae-in. Tal reunião poderia ser realizada em julho, no mesmo momento em que os líderes do G-20 se encontrarão na Alemanha.

Toshihiro Nikai
Toshihiro Nikai, secretário-geral do Partido Democrata Liberal do Japão.

A reunião, em Seul, é importante para aumentar as relações entre os dois vizinhos asiáticos, as quais abarcam uma série de questões espinhosas, como a reivindicação territorial do Japão em relação à Dokdo e o acordo das “mulheres de conforto”.

Toshiro Nikai e Moon Jae-in.
Toshihiro Nikai e Moon Jae-in.

Também, é provável que Nikai entregue uma carta do primeiro-ministro Abe ao presidente Moon, haja vista no dia 18 de maio, em Tóquio, Abe ter recebido uma carta de Moon Jae-in de seu enviado especial Moon Hee-sang.

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Shinzo Abe recebendo a carta do presidente Moon Jae-in.

Espera-se que Nikai também converse com outras autoridades sul-coreanas em relação ao acordo “mulheres de conforto”, de 2015, indo além do tema Coreia do Norte, com o fito de melhorar os laços nipo-coreanos.

O presidente sul-coreano Moon Jae-in, que assumiu o poder recentemente, reconhece que a maioria dos sul-coreanos não aprova o acordo, o que poderia sugerir uma renegociação da questão bilateral. Diante da incerteza, o tribunal atrasou sua decisão por um mês até o início de julho, a pedido do governo. É importante lembrar que o acordo não foi aceito pela principal voz da questão: as vítimas da escravidão sexual, que sequer foram consultadas previamente.

O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul pede que o Japão seja mais cuidadoso ao comentar sobre questões tão espinhosas, como esta.

Toshihiro Nikai (centro), enviado especial para o primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e outros funcionários japoneses visitam o Cemitério Nacional de Seul em 12 de junho de 2017.
Toshihiro Nikai (centro), enviado especial do primeiro-ministro japonês Shinzo Abe e outros funcionários japoneses em visita ao Cemitério Nacional de Seul.

Nikai está sendo acompanhado por uma delegação japonesa, incluindo Masanao Ozaki, governador da Prefeitura de Kochi, que formou um acordo de relacionamento irmão com a província sul-coreana de Jeolla do Sul, e representantes da indústria japonesa de turismo.

Recentemente, o cônsul geral do Japão em Busan, Yasuhiro Morimoto, foi substituído por Hisashi Michigami, cônsul geral do Japão em Dubai. No início do ano, Yasuhiro Morimoto e Yasumasa Nagamine, embaixador do Japão, foram chamados de volta ao Japão em resposta à instalação da estátua em homenagem às vítimas coreanas de escravidão sexual pelas tropas japonesas durante a 2ª G.M em frente ao consulado geral do Japão em Busan. A estátua teria sido retirada uma vez, mas reinstalada logo após o ministro da Defesa, Tomomi Inada, ter visitado o Santuário Yasukuni após o retorno da visita histórica do primeiro-ministro Shinzo Abe ao sensível USS Arizona Memorial em Pearl Harbor, no Havaí. O santuário é criticado pelos vizinhos do Japão de glorificar a agressão do Japão em tempo de guerra.

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O recall foi uma das medidas que Tóquio tomou em protesto. À época, o governo japonês afirmou que a construção da estátua vai contra o espírito do acordo bilateral de dezembro de 2015 para resolver a longa disputa sobre a escravidão sexual japonesa de dezenas de milhares de mulheres coreanas durante a 2a Guerra Mundial. Como parte do acordo, o Japão havia concordado em fornecer 10 bilhões de ienes (US $ 9 milhões), não em compensação, mas em fundos de apoio, para as mulheres coreanas forçadas à escravidão sexual.

Apesar da disputa em curso sobre o acordo controverso, Moon e Abe sublinharam a necessidade de seus países trabalharem juntos tendo em vista o desenvolvimento da capacidade nuclear da Coreia do Norte.

O acordo de dezembro de 2015 sobre as “mulheres de conforto” tido como “uma resolução definitiva e irreversível” grosseiramente não considerou/consultou a principal voz da questão: as vítimas da escravidão sexual cometida pelo império japonês durante a 2ª Guerra Mundial, medida esta que resultou em novos protestos por parte da população contra também o governo sul-coreano pela aceitação do acordo e hoje persiste como uma questão ainda não resolvida. É mais que urgente que Coreia do Sul e Japão resolvam por definitivo os seus impasses e mantenham o foco orientado para o futuro. Para o futuro. São duas grandes potências asiáticas situadas em uma região extremamente estratégica militar e economicamente.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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