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Paradoxo geográfico e político. Apesar da proximidade geográfica e política da China com a Coreia do Norte, é a Coreia do Sul a escolhida como referencial pela Prefeitura Autônoma de Yanbian. Localizada na província chinesa de Jilin, fronteira com a Coreia do Norte, Yanbian é a maior entidade administrativa na província, cobrindo uma área de 42.700 km², onde os coreanos provindos da Coreia do Norte representam cerca de 40% da sua população. Além disso, o chinês e o coreano são idiomas oficiais.

Yanbian (vermelho) na província de Jilin (laranja), no nordeste da China.
Yanbian (vermelho) na província de Jilin (laranja), no nordeste da China.

Em 2015, Yanbian recebeu a visita de empresas sul-coreanas que já se estabeleceram na região e a visita do embaixador sul-coreano Kim Jang-soo – general de 4 estrelas, ex-ministro da Defesa,  vice-comandante da força tarefa conjunta ROK-US e ex-chefe do escritório de segurança nacional criado para supervisionar questões especialmente sobre a Coreia do Norte. Fato que poderia ser visto como a aproximação entre a China e a Coreia do Sul.

Por vezes chamada de “terceira Coreia”, a Prefeitura Autônoma de Yanbian desempenha papel particular na complicada relação entre a China e as duas Coreias. Esse território chinês, na província de Jilin, um pouco maior do que a Bélgica, é o lar de uma população significativa de origem coreana cuja presença remonta a da dinastia Qing. No final do século XIX, o império decidiu regulamentar as colônias de agricultores coreanos, na esperança de bloquear o progresso da Rússia e, graças ao seu dinamismo, tornaram Yanbian uma das regiões mais urbanizadas no nordeste chinês.

Yanji, capital de Yanbian.
Yanji, capital de Yanbian.

Uma vez lançada a política de abertura pelo líder chinês Deng Xiaoping, em 1979, Yanbian prosperou graças à sua relação com a Coreia do Sul. Famílias sino-coreanas começaram enviando seus parentes para trabalhar em fábricas e serviços em Yanbian e a maioria das pessoas que vivem na Chinatown de Seul são chineses de origem coreana. O sucesso econômico da Coreia do Sul na década de 1990 e a popularidade da cultura sul-coreana na China fizeram com que trabalhadores voltassem à Yanji, capital de Yanbian, e restaurantes e empresas fossem abertos, transformando a região autônoma em uma mini Seul em solo chinês.

Por outro lado, a proximidade com a Coreia do Norte é uma fonte de frustração e falsas esperanças para os residentes de Yanbian. A fronteira ainda é um beco sem saída, pois há poucos postos fronteiriços com fiscalização entre a China e a Coreia do Norte. O rio Tumen, estreito e raso, continua a ser o ponto de passagem para a maioria dos refugiados norte-coreanos. E Dandong, a grande cidade fronteira com a China, a oeste, serve como o principal corredor logístico para os negócios transfronteiriços. Além disso, norte-coreanos que residem em Yanbian, quando questionados, se intitulam como sul-coreanos. Muitos sentem vergonha do seu país e preferem ser considerados como coreanos do Sul da península.

Devido à posição geográfica estratégica da Yanbian, o PNUD lançou um plano em 1991 para criar uma zona de desenvolvimento econômico no Delta do Rio Tumen, um rio fronteiriço de 516 km de comprimento, situado entre a China, a Rússia e a Coreia do Norte. Mais tarde, esse plano evoluiu para o Tumen Iniciativa Mais, o qual visa promover o desenvolvimento regional, a prosperidade e a segurança da região Ásia-Pacífico.

Yanbian agora tem ligações rodoviárias e ferroviárias com a Rússia e a Coreia do Norte e voos regulares para a Rússia, o Japão e a Coreia do Sul. Muitos esperam que a Coreia do Norte participe na cooperação econômica multilateral, a qual busca a prosperidade regional e a abertura gradual do regime norte-coreano.

Rio Tumen, que separa parte da China da Coreia do Norte.
Rio Tumen, que separa parte da China da Coreia do Norte.

 

 


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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