Compartilhe

Primeiro comprei a capa para smarphone da Marymond porque era bonita. Mas, ao comprar o produto, que foi projetado com base nas pinturas das mulheres de conforto, senti-me bem em apoiar as vítimas através do meu consumo“, disse Lee Chae-yoon, de 26 anos.

A Marymond começou há seis anos como uma forma de ajudar a restaurar a dignidade das vítimas de escravidão sexual durante a 2ª Guerra Mundial, eufemisticamente chamadas de mulheres de conforto, que foram forçadas a trabalhar em bordéis de primeira linha para o exército japonês.

Os produtos variam de artigos de papelaria à garrafas de água e capas para smartphones. Uma pulseira acompanhada de um símbolo das mulheres de conforto é vendida em 12.000 won ($10 dólares), enquanto uma bolsa com logotipo simples da Marymond é de 10.000 won. O resultado das vendas compõe um fundo de auxílio para as 37 vítimas sobreviventes e para a criação de um museu sobre o tema.

Alguns produtos da Marymond. Foto: Korea Herald
Alguns produtos da Marymond. Foto: Korea Herald

O fato de o produto não dizer explicitamente que eu apoio a causa, torna-o mais elegante“, disse o estudante universitário Kim Ha-yeon, que recentemente se juntou à lista de pessoas que apoiam as vítimas usando os produtos Marymond.

Os clientes da marca incluem celebridades como Suzy (Miss A) e o ator Park Bo-gum. Após o crescimento recente, mais de 585 milhões de wons foram entregues no abrigo das vítimas no ano passado.

Kim Taehyung (V), integrante do grupo BTS, apóia a causa da Marymond. Foto: Twitter
Kim Taehyung (V), integrante do grupo BTS, apóia a causa da Marymond. Foto: Twitter do Artista

O sucesso da empresa não é apenas impulsionado pelo interesse público na questão não resolvida, que foi espinho de longa data nas relações entre a Coreia e o Japão, mas também reflete o aumento do consumo consciente, dizem os especialistas.

Comprar um produto de uma empresa que se preocupa com a comunidade, faz as pessoas se sentirem bem e orgulhosas de apoiar a marca. Desta forma, o fator da caridade, levou a Marymond a se tornar bem-sucedido“, disse Chung Dong-il, professor de Economia da Sookmyung Women’s University.

Além disso, há um impacto emocional que é associado à compra de um produto“, continuou ele.

Assim como a Marymond, a Craftlink vende pulseiras de cordas artesanais coloridas para apoiar mais de 24 mil mães solteiras na Coreia do Sul que vivem à sombra da sociedade.

Confecção de Produtos da Craftlink. Foto: Korea Herald
Confecção de Produtos da Craftlink. Foto: Korea Herald

Ao comprar um acessório moderno, os consumidores podem ajudar os outros. Isso faz com que as pessoas se sintam melhor com a compra porque estão apoiando uma boa causa com seu dinheiro“, disse Martin Ko, CEO da Craftlink, ao The Korean Herald.

A empresa em 2013, vendeu 30 milhões de won em braceletes feitos por mães solteiras, em 20 dias, através do portal Naver. E no início deste ano, lançou uma coleção completa de itens acessórios para apoiar a mesma causa.

Uma pessoa, por conta própria, não pode fundamentalmente resolver ou abordar a raiz dos problemas sociais, como o fraco apoio do Estado às mães solteiras, mas a compra de um produto diretamente conectado à sua vida pode ter um impacto“, disse Ko.

Especialistas dizem que as redes sociais impulsionam a popularidade de tais itens, pois os indivíduos interessados compartilham informações sobre os itens de valor social com seus seguidores semelhantes.

As gerações jovens estão criando suas próprias formas de estudar questões históricas e apoiar os movimentos sociais“, disse o professor Seo Kyeong-deok, da Sungshin Women’s University, em uma entrevista recente.

Mas houve preocupações sobre a comercialização de questões sociais e históricas.

As vendas de produtos de valor social incorporados podem apoiar os necessitados e aumentar a conscientização sobre as questões sociais, mas quando uma questão relacionada com o nacionalismo é combinada com o comercialismo, existe a possibilidade de que o marketing de produto apenas leve luz a fatos históricos sensíveis e alguns podem levar a exclusões e antagonismos“, disse o professor Lee Taek-gwang da Comunicação Global da Universidade Kyung Hee.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




Compartilhe
Artigo AnteriorSaimdang: Light’s Diary [Dorama]
Próximo ArtigoConheça a Banda de K-Indie, “The Rose”
Jonathan Silva
Jonathan Silva, tem 23 anos, é fascinando pela cultura coreana por isso sempre procura aprofundar seu conhecimento sobre esse belo país. Atualmente também está aprendendo esse novo idioma. É formado em Gestão da Tecnologia da Informação, sempre está em busca de novos conhecimentos e aprecia conhecer novas pessoas.

DEIXE UM COMENTÁRIO