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Constantemente a Coreia do Norte encontra-se no ciclo de notícias internacionais com ameaças nucleares, o que sempre é agravado em períodos de treinamento militar conjunto Coreia do Sul-EUA, elevando-se ainda mais as tensões na península coreana.

Em março deste ano, o Conselho de Segurança da ONU aprovou um novo pacote de sanções internacionais sobre a Coreia do Norte – com o apoio da China, mesmo sendo a sua cooperação ainda não satisfatória – devido à realização do quarto teste nuclear norte-coreano, em janeiro, seguido por um lançamento de foguete de longo alcance em fevereiro. Além de outros anteriores lançamentos identificados, no dia 23 de abril, a Coreia do Norte alegou ter lançado com sucesso um míssil balístico KN-11 (Polaris-1) tendo voado por 30 km – aquém do alcance desejado, mas revelando progresso em comparação ao teste do ano passado, o qual foi condenado pelo Conselho de Segurança da ONU no dia seguinte. De acordo com Moon Sang-Kyun, porta-voz do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, Pyongyang tem a capacidade de realizar o seu quinto teste nuclear a qualquer momento.

Outro ponto que deve ser destacado é a precária ou quase nula eficácia das sanções internacionais e embargos econômicos impostos a Pyongyang. Inclusive, o vazamento do Panama Papers ilustra bem a dificuldade das sanções da ONU em alcançar seus objetivos declarados de restringir o programa de armas da Coreia do Norte.

Na vasta gama de teorias relacionadas à Coreia do Norte, há dois principais entendimentos: O primeiro, orientado ao engajamento com Pyongyang, sustenta que se for dado o incentivo correto e a segurança econômica, política e militar, poderá haver movimento no sentido de reforma, democratização e talvez até mesmo a reunificação. Já o segundo, acredita que não se pode esperar reformas e liberalização voluntária e que as tentativas de estimular tais ações – como negociações, ajuda externa e outras concessões – estão fadadas ao fracasso.

Em todo caso, a narrativa do regime norte-coreano e a sua política Byungjin – desenvolvimento econômico e nuclear – têm a finalidade de intimidar a comunidade internacional a aceitá-lo como um Estado nuclear, parte mais importante da identidade do regime, e solidificar o poder de Kim Jong-un no âmbito doméstico. Desde que assumiu o poder, Kim Jong-un centrou a sua política na busca pelo desenvolvimento econômico e nuclear do país, objetivando preservar a estrutura autoritária do regime e dissuadir adversários estrangeiros.

No âmbito doméstico, o programa nuclear da Coreia do Norte serve como ferramenta para assegurar a sobrevivência do regime e legitimar a autoridade de Kim Jong-un. Ainda que não seja possível mensurar assertivamente o estágio e a quantidade de armas nucleares, químicas e biológicas que o país possui, não se pode negar o seu desenvolvimento e modernização.

No dia 06 de maio, ocorreu o congresso do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, o sétimo desde a fundação do país em 1945 e o primeiro desde 1980. Durante o congresso, Kim Jong-un foi eleito presidente do Partido dos Trabalhadores, cargo que nem mesmo o seu pai alcançou, revelando – ou ao menos tentando demonstrar – que o regime norte-coreano não está disposto a ceder e, a partir da política Byungjin, objetiva utilizar da dissuasão nuclear para garantir a sua sobrevivência e perpetuação.

A mensagem passada no congresso decepciona aqueles que esperavam que a Coreia do Norte fosse negociar o seu programa nuclear em troca de concessões econômicas e diplomáticas. O regime norte-coreano encaminha cada vez mais o seu programa nuclear como a principal estratégia do governo, ao passo que os EUA e a Coreia do Sul estão comprometidos a inviabilizar tal política por meio do isolamento e da aplicação de sanções da ONU e unilaterais até que a Coreia do Norte desista do desenvolvimento de seu programa nuclear e de mísseis, o que nitidamente é percebido como uma estratégia ineficiente.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.




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