Modelos chinesas desfilam durante o concurso Face of China do qual cinco serão selecionadas para participar do Face of Asia, em junho, na cidade de Seul. Foto: The Korea Times

O compromisso de Euisig Yang de ser pioneiro continuou mesmo depois de se aposentar como modelo, em 2006, assumindo o comando da Korea Model Association (KMA) como presidente.

Ao invés do seu sucesso pessoal, seu foco agora é voltado para a situação e bem-estar de modelos na sociedade coreana. Euisig explica que é uma profissão precarizada.

Diferente dos trabalhadores assalariados, nós não temos um montante reservado para receber na aposentadoria. Assim como não existe promoção de cargo. A dura realidade é que apenas 5% dos melhores modelos alcançam uma vida decente” afirma.

EuiSig também se sente desconfortável a respeito da reputação que a profissão carrega.

As pessoas pensam que modelos são uma ferramenta que estilistas usam para exibir suas criações. Essa objetificação enraizada criou relacionamentos hierárquicos entre estilistas e modelos de passarela. Naquela época, estilistas eram autoritários e destratavam as modelos, ao contrário da atualidade. Suas relações eram desiguais. Foi um processo árduo para esses profissionais terem sua voz ouvida“.

Euisig sente que essa depreciação está relacionada com a falta de eventos que permitam ao público conhecer para que servem modelos. Ele explica que, anualmente, cerimônias de premiação celebram atores e atrizes, artistas musicais e até comediantes, mas não existe o mesmo tipo de solenidade pra modelos.

Euisig Yang observa enquanto colaboradores se preparam para o Face of Asia de 2015 para eleger os próximos top models no hall do Estádio Olímpico de Seul, em 24 de abril. Modelos de 15 países, incluindo China, Japão e Malásia, competiram pelo título. Foto: The Korea Times

Por esse motivo, em 2006, EuiSig criou o Korea Model Awards que busca premiar modelos que foram excepcionais durante o ano.

Outro de seus projetos foi a criação de times de beisebol, futebol, golfe e outros esportes compostos inteiramente por modelos que jogam contra outros times de celebridades esportivas em partidas amigáveis que acontecem anualmente, proporcionando que essas pessoas formem uma rede de contatos com profissionais da indústria do entretenimento.

Ele também reuniu todos os tipos de profissionais da área na Korea Model Association. Modelos fashion e de passarela, modelos comerciais e modelos promocionais receberam o convite para participar da associação.

Alguns modelos fashion expressaram sua insatisfação com Euisig por causa da sua “indiscriminada” abertura do KMA, pois acreditavam que a inclusão de modelos “não-tradicionais” poderia prejudicar a imagem da associação.

Euisig discordou. Ele afirma que a abertura para diferentes tipos de modelos viabilizará uma forte presença destes na indústria do entretenimento.

Por último, criou uma especialização em modelagem para ajudar modelos aspirantes a se prepararem para sua futura carreira na universidade.

Essa série de esforços se concentrou em elevar o nível de modelos da Coreia e em colocá-los na indústria de entretenimento para encontrar mais oportunidades, mesmo depois de se aposentarem.

Mesmo após anos de trabalho incansável, Yang sentia que ainda faltava algo.

Com isso em mente, ele criou uma plataforma global na qual modelos da Coreia podem interagir com outros modelos da Ásia e, como resultado, as indústrias da beleza e da moda podem se beneficiar dessas interações.

Dessa forma, em Janeiro de 2011 e com a ajuda de simpatizantes do projeto, ele inaugurou o Face of Asia, um concurso anual em Seul que seleciona a próxima ou o próximo top model da Ásia.

O evento regional teve um início modesto. Modelos de seis países competiram no concurso. As nações participantes foram Coreia, China, Japão, Mongólia, Indonésia e Filipinas. Modelos selecionados em concursos locais se juntaram na competição final, em Seul, onde foram eleitos os próximos top models da Ásia.

Desde o seu início, em 2011, o número de países que sediou concursos locais e enviou modelos para o Face of Asia, em Seul, aumentou gradualmente. Neste ano, modelos de 26 países serão enviados para o evento, que acontece em junho desse ano.

Essa expansão, no entanto, trouxe mais pressão para Euisig. Quanto maior o evento, maior o orçamento necessário para realizá-lo. Ele afirma que financiar o evento sempre foi a parte mais difícil e que já foi rejeitado cerca de 3.000 vezes.

Sempre que recebia indiferença dos executivos que encontrava para levantar fundos para o evento, eu me sentia constrangido. Era vergonhoso ouvir “não” da parte deles, e eu só pensava sobre como sair de uma situação tão embaraçosa e controlar minha expressão facial. Mas, assim que saía do local, esse mal-estar era substituído por uma sensação de ansiedade porque, sem o patrocínio corporativo, não poderíamos sediar o concurso.”

Ele comparou o concurso anual aos Jogos Asiáticos, dizendo que os dois eventos são semelhantes.

Na China, as pessoas chamam os modelos participantes de “jogadores”. Eu não sei de onde veio essa ideia, mas, eu vejo semelhança entre o esporte e competições de modelos. No Face of Asia, por exemplo, modelos representam seus países e competem pelo título.

Nós temos um longo caminho para tornar esse evento anual uma plataforma global de credibilidade e eu irei trabalhar incessantemente até que isso aconteça. O que eu me orgulho neste momento é que preparei a base para a edição que reúne modelos asiáticos e eles estão expostos para a cultura, beleza e produtos da moda coreanos, assim como para a mídia que cobre o evento. Isso é excelente para o futuro de suas carreiras.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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