Ao longo dos séculos, o valor e a honra da mulher coreana eram mensurados pela sua pureza e castidade. Muito devido à forte presença de valores confucionistas, as meninas da dinastia Joseon eram ensinadas sobre a importância da submissão e da abstinência sexual e, desde cedo, tinham suas vidas devotadas a figuras masculinas: seus pais e irmãos mais velhos, posteriormente seus maridos e, então, seus filhos.

O envolvimento sexual antes do casamento representava a violação da honra não apenas da mulher, mas de toda a sua família e seus ancestrais. A virgindade era, portanto, um dos traços mais valiosos da mulher coreana, ao ponto de que mantê-la ou não determinava o seu futuro e até mesmo a sua própria existência.

Esperava-se que a mulher fosse obediente, submissa, fértil e virgem. A mancha de sangue no lençol após a primeira experiência sexual de jovens recém-casados era o símbolo máximo da pureza da mulher, da sua conformação aos valores confucianos tradicionais, e de seu valor enquanto mulher, esposa e mãe.

E parece que o tempo não produziu grandes mudanças. Da dinastia Joseon à atualidade, a virgindade conservou a sua importância na sociedade coreana. Ainda bastante conservadora, não é incomum que mulheres sintam-se pressionadas a manter uma imagem dócil, de pureza e inocência.

Fonte: Korea Biomedical Review

Nesse contexto, tendo de (sobre)viver em uma sociedade em que os papéis de gênero são continuamente reforçados pelos valores confucionistas, a himenoplastia surgiu como uma opção para mulheres coreanas que não se mantiveram “puras” até o casamento.

A himenoplastia é o procedimento cirúrgico de reconstrução do hímen, a membrana presente na entrada da vagina, que normalmente se rompe durante a primeira experiência sexual feminina. O hímen é tido como o grande símbolo da virgindade da mulher coreana, que por vezes sente-se culpada por não satisfazer às demandas sociais e vê-se obrigada a se submeter ao dito procedimento por medo de ser julgada ou não ser aceita por seu parceiro.

Conhecida, então, como a cirurgia de “recuperação” da virgindade, é um procedimento relativamente simples (apesar de apresentar riscos, como qualquer intervenção cirúrgica), desenvolvido na França e que não costuma ser feito por propósitos médicos. Com exceção de vítimas de abuso sexual, a busca é em grande parte realizada por mulheres que ou buscam apimentar a sua vida sexual ou sofrem com pressões societárias e religiosas.

 

No caso da Coreia do Sul, a cirurgia de reconstrução do hímen é feita por mulheres que buscam satisfazer as expectativas de seus futuros parceiros e suas famílias – expectativas essas que são um mero reflexo de uma sociedade conservadora, fundamentalmente patriarcal e confuciana.

Mulheres coreanas sentem-se pressionadas para provar que a sua primeira experiência sexual é com seus maridos. Homens coreanos esperam que suas esposas sejam virgens e inexperientes em matéria de sexo. Apesar de bastante generalizadas, essas afirmações retratam bem a sociedade coreana, na qual a honra da mulher, no âmbito dos relacionamentos amorosos, resume-se à sua virgindade, e a honra do homem está em comprovar que foi ele o responsável por tirar a virgindade de sua parceira – ação que, sem dúvida alguma, faz muito bem ao seu orgulho e virilidade.

Contudo, é preciso ressaltar que a demanda por esse procedimento vem decrescendo ao longo dos anos. À medida que a sociedade coreana vem gradualmente se abrindo, a fixação com a abstinência sexual feminina parece estar diminuindo. Mesmo que nunca desapareça, essa tendência alimenta as esperanças de uma sociedade mais tolerante para com mulheres que por gerações carregam o peso da opressão emocional e sexual.


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