Você já deve ter visto (ou mesmo vivenciado) fotos de pessoas de diversas etnias e nacionalidades caminhando alegremente no Palácio Gyeongbokgung, vestindo hanboks e posando para fotografias, em sua grande maioria, fazendo poses que remetem às formas antigas da educação coreana. Andar por Gwanghwamun é encher os olhos com diversas pessoas de hanbok, prontas para sessões de fotos.

Visitantes no Palácio Gyeongbokgung, Seul.

A Coreia (no caso, sem a divisão nacional) é um país que sabe exaltar sua própria cultura e patrimônio histórico como poucos países. Isso antes mesmo da Hallyu chegar a todos os continentes cativando uma juventude que hoje se mostra muito entusiasmada com qualquer situação relacionada à Coreia. Agora é fácil ter acesso às artes coreanas, pois há apresentações de grupos artísticos coreanos ao redor do mundo, bem como um aumento na tradução da literatura para outras línguas, entre outros.

Claro que esse ‘boom’ de acesso à cultura e artes contemporâneas da Coreia não seria possível sem as politicas de investimento na preservação da cultura tradicional  misturada com os interesses políticos de desenvolvimento que amadureceram os conceitos de arte e cultura. A Coreia do Sul usou e usa até hoje, o mix de cultura antiga com a contemporânea para enobrecer sua identidade nacional.

A conservação do patrimônio histórico (de tumbas, muros, palácios até espetáculos de pansori) demonstra a preocupação em defender a história da nação. A UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) inscreveu muitos desses patrimônios culturais na lista para proteção do legado humano. Cerca de 48 itens do patrimônio coreano estão listados como Patrimônio Mundial ou Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, ou foram incluídos no Registro de Memória do Mundo da UNESCO.

Patrimônio material e imaterial da Coreia, segundo a UNESCO

Além disso, desde a década de 1960, com a criação da Secretaria de Propriedades Culturais, há uma responsabilidade de politicas públicas envolvidas com a gestão da cultura e patrimônio. Essa secretaria é responsável pela promulgação de leis e regulamentos de preservação cultural e administração do orçamento de fundo de pesquisa acadêmica, escavações, reparos, reconstrução, preservação, conservação; e a comercialização de reproduções e souvenirs.

O “espírito da independência coreana” é o critério mais frequentemente usado para determinar quais objetos e monumentos devem representar o passado coreano. Essa argumentação se reflete diretamente no compromisso em desenvolver um espirito patriótico, segundo a escola historiográfica nacionalista, que defende a culpa de que os “estrangeiros” (e seu imperialismo cultural) impediam o desenvolvimento da Coreia no passado. Dentre a proposta da historiografia nacionalista enfatiza-se que, embora a Coreia tenha sido invadida por séculos, seu povo soube manter seu espírito de “independência cultural”, responsável por manter sua identidade intacta desde os primórdios.

Alternância entre passado e presente, em Seul.

Com o passar do tempo, a estratégia em enaltecer os patrimônios histórico-culturais atinge um dos objetivos: a responsabilidade turística. Esse desenvolvimento do turismo nos mostra que o governo coreano se envolveu fortemente no planejamento, gestão e comercialização de vestígios históricos, arqueológicos e museus como destinos de cultura e comércio. Desse modo, os investimentos na cultura e história do país continuam impactando as transformações nacionais de memória e nostalgia sendo constantemente valorizadas não apenas pela própria nação, mas também afeiçoadamente por outros povos.


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