Se o texto da semana passada causou um certo furor no Koreapost, acho que este aqui irá causar ainda mais polêmica. Antes de prosseguir, quero deixar claro mais uma vez que não sou nenhum especialista em comportamento social e que as opiniões aqui expressas são totalmente pessoais e sem base científica alguma. Pois bem, conforme antecipado na semana passada o assunto de hoje é polêmico: casamentos multiétnicos (casamento de um descendente de coreanos com um não descendente de coreanos e vice-versa).

Como disse antes, desde pequeno ouvi minha mãe me pedindo que casasse com uma coreana. Se me lembro bem, talvez desde que eu entrei no primário! Não entendia exatamente o por quê da minha mãe falar isso e para ser sincero nessa idade nem compreendia o que era um casamento, mas aquilo ficou na minha cabeça. Até que entrei em idade adulta e passei a questioná-la a respeito desse pedido. “Se estamos no Brasil, qual é o problema?”. Hoje, entendendo mais sobre a cultura coreana e como pai, consigo entendê-la melhor. Resumindo, primeiro é a tal questão da unidade do povo coreano somado ao fato dos meus pais serem imigrantes de primeira geração. Em segundo, a simples vontade de poder ter um relacionamento com a nora, que sendo coreana teoricamente falaria coreano e entenderia melhor as questões culturais.

Multi Ethnic Bride and Groom Holding Hands
Tema quente: casamentos multiétnicos (ou inter-raciais ou mistos, como queiram).

Acredito que outros amigos coreanos da minha geração devem ter passado pela mesma situação, em diferentes níveis. E certamente este assunto por muito tempo foi um grande tabu entre os jovens e ainda é complicado para muitos. Para não se indispor com os pais, em tempos passados muitos acabaram casando dentro da comunidade. Vários amigos(as) coreanos(as) meus na casa dos 40 anos casaram com brasileiras(os) não descendentes de coreanos(as). E boa parte deles acabaram afastando-se do convívio na comunidade coreana para evitar qualquer tipo de comentários negativos, o que é muito triste. Na geração atual de casados, vejo que este tipo de estranhamento diminuiu, o que pode ser explicado pelo fato dos pais mais jovens serem mais “abrasileirados” do que os pais da geração anterior.

nicolas-cage
Casal misto famoso: o americano Nicolas Cage e a coreana Alice Kim.

As angústias que cada casal passa são diferentes em cada caso, mas em comum, a sensação de que ocorre um desencaixe social dentro da comunidade coreana. Com o tempo, certamente os casamentos mistos irão aumentar, tornando-se corriqueiros e acabarão sendo aceitos sem muitas restrições. Gosto de tomar como comparação o que ocorreu no decorrer da imigração japonesa, onde a cada geração a porcentagem de casamentos mistos só aumentou. Dados não oficiais sugerem que dentro da comunidade japonesa atualmente por volta de 50% dos casais são formados por um descendente e por um não descendente.

Crianças mestiças de casais de coreanos com não coreanos.
Crianças miscigenadas de casais de coreanos com não coreanos.

E somente uma observação, é importante notar também que falar da comunidade coreana no Brasil e falar sobre a Coreia são duas situações diferentes. Na Coreia, casamentos entre nativos coreanos e estrangeiros (especialmente do sudeste asiático e chineses) estão tornando-se um pouco mais comuns hoje em dia e a miscigenação já não é mais novidade. Aliás, falando em miscigenação, existe aquele senso comum de que bebês miscigenados são mais bonitos que os bebês “puros”. E olha, para mim isso é verdade, é incrível como os bebês só puxam o que é mais bonito em cada etnia! 🙂

Enfim, o tema é complexo pois embaralha diversos assuntos e a única certeza é que precisamos rever os velhos estereótipos e preconceitos. Não vou conseguir esgotar este tema neste texto e provavelmente vou voltar ao assunto no futuro. Mas para tornar a conversa mais interessante, gostaria de convidar leitores coreanos em relacionamento com não descendentes de coreanos e vice-versa para que deem o seu testemunho no campo de comentários, será enriquecedor ouvir a história de quem passou pela experiência em perspectiva de primeira pessoa.

 

Bruno


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



54 COMENTÁRIOS

  1. Ótimo texto, acho que vc esqueceu de um pequeno detalhe, se o filho mais velho querer casar com uma nao coreana, as coisas se complicam bem mais ne? Sou casada com um coreano (ele veio p brasil c 15 anos morar com os tios, a mae vive na coreia ate hj), ela me aceitou muito bem, mas sei que em partes foi pq o filho vive no brasil, ja estava em idade de casar e não é o mais velho.
    Ah e a parte dos filhos mais bonitos é verdade kkkkk, temos uma mestiça linda e minha sogra mostra a foto com orgulho p todos na Coreia.

    • Katia, é verdade! Para quem é o filho mais velho há um peso maior e realmente as coisas podem se tornar mais complicadas! Fico feliz em saber que deu tudo certo para vocês, sejam felizes e mostrem a todos que casamentos multiétnicos podem sim ter um final bacana! 🙂

  2. Gostei muito do texto. Meus pais já diziam que quando você se casa, casa também com a familia. Cultura é algo complicado, as duas pessoas devem estar dispostas e abertas pra uma relação dessas porque não é simples, mas ao mesmo tempo penso que pessoas que tem a oportunidade de viver em outras culturas são mais abertas a relações assim. Qual a sua posição em relação ao(s) seu(s) filho(s)? E da sua esposa? Fiquei curiosa pra saber se a opinião de vocês é diferente.

    • Esse também é o espírito dos casamentos coreanos: quando você se casa, casa também com a família! É um pouco diferente da cultura ocidental, onde se diz: quem casa quer casa. Quanto aos nossos filhos, eu considero tudo bem casar com um não coreano, contanto que o pretendente tenha uma filosofia de vida e respeito iguais aos nossos. Já a minha esposa, que veio para o Brasil apenas depois de casada, diz que prefere que casem com coreanos.

  3. Bem, como eu disse no comentario do post anterior, eu sou brasileira e ele coreano, estamos noivos, e a gente ainda tem q lidar com certas criticas e uma boa dose de preconceito, mas a familia dele me trata super bem, ele diz q a mae dele gosta mais de mim do q dele. kkk Falta um pouco na comunicaçao entre a gente pois eu ainda nao peguei o jeito com a lingua coreana ainda e eles mal falam portugues tbm (imagina os jantares com a familia dele, eu ja sou timida…). Eu entendo o pq deles implicarem pra ele ficar com uma coreana, respeito isso, e ambos sabiamos q iriamos passar por essas coisas qnd comeceçamos a sair. Lembro q ele mostrou uma mensagem q mandou pro melhor amigo dele qnd começamos a sair “Eu estou fazendo uma coisa muito errada.” e o amigo dele respondeu “vc ta gostando daquela menina brasileira do cafe?” kkkk Olha, gente pra quem estiver lendo e pensando em sair com coreano ou ja estiver enfrentando essas coisas. Sejam fortes, como tudo na vida tem sim o lado ruim mas tem um lado muito bom tbm. Todos os dias sao experiencias novas, e novos aprendizados, e podem ate implicar mas qnd eles começam a gostar de vc… sinceramente eh uma delicia. E olha, mesmo com o preconceito em geral e as diferenças de cultura, vivem perguntado pq a gente nao casa logo e faz filhos logo. .-. Serio, eu sempre tenho q explicar q aqui no brasil todo mundo espera anos e anos antes de sequer noivar. xD

    • Ola. Sou filha de coreanos, EU nasci e cresci no brasil. Minha avo era uma senhora mt mente aberta e me deu dicas mt boas.
      Em relacao ao motivo de coreanos colocarem Tanta pressao em casar logo (ainda mais se ja namorao ou estao noivos) eh pq se um casal de conhece demais acaba nao kerendo casar kkkkk
      Em relacao a filhos eh pq filho eh fruto de relacao sexual e isso so acontece se o casal ta afim e q so acontece se I casal de ama (ou pelo memos essa eh a teoria)
      Em relacao a casamento misto… Realmente eh um assunto Sem fim….
      Tentarei postar mais logo mais.

      • Nossa! Debora estava querendo saber sobre relacionamento de coreano e você me deu a resposta que estava querendo. Sou brasileira e conhecir um coreano estavamos nos conhecendo super bem, mais foi quando ele disse que ele não tem tempo pra namoro pq o trabalho em primeiro lugar depois vem familia. Quero dizer que ñ entendi mais nada fiquei triste, mais passou pq depois de tanto perguntar ele falou em outras palavras “o que poderia fazer por ele”, ele disse que gosta muito de mim. Acredito que ele deve tá sem jeito de falar quando vc falou que coreanos ñ namoram muito pq ñ podem se conhecer de mais e ñ querer casar. Mais enfim, ñ sei o que fazer!

    • Joy, muito bacana a sua história! E também muito bacana que vocês estejam se dando bem! Mas vejo só, cada caso é um caso e parece que você tem um perfil bastante positivo, que reconhece as diferenças e tenta assimila-las. E pra você ver, olha o comentário que ele fez (“eu estou fazendo uma coisa muito errada”), como se gostar de alguém fosse algo errado. Desejo boa sorte a vocês e que possam casar e ter filhos logo! Sejam felizes! 🙂

    • Imagino o quão deva ser difícil aprender a falar na língua deles e entender o que falam….se para nós na mesma língua já é difícil entendimento, si é que me entende, imagino outra cultura, outra língua, e quando envolve religião então…nossa deve ser ainda mais difícil..rs

  4. Eu tava esperando um post desse xD. Pois eu gosto da coreia des de criança, mesmo eu sendo brasileira k, eu realmente gosto de histórias antigas na coreia, e gicava me perguntando como seria um casamento com um coreano e uma ocidental pois, eu imaginava que seria complicado ainda mais de porque mesmo uma familia coreana esta em outro país, e obvio que a familia quer uma expansão deles lá no país que estão. Assim também com a comunicação com os netos kk,mas todo país tem seus preconceitos né?. Mas hoje eu vejo que mudou bastante essa idéia porque hoje vejo que esse assunto nao é tao problema assim, muitos se casam mesmo sendo de outro país porque se amam ou se gostam sem problemas, alias eu vi uma reportagem de uma moça brasileira muito bonita que casou com um coreano, e o casamento foi lindo,e hoje eles estão cada vez melhorando a comunicação deles, pois ela quer melhorar e hoje tem um filho já ^^ e eu acho muito bonito mesmo k, e sim é um assunto bem tenso ainda mesmo.

    • Olá Lola! No fim das contas, o que realmente vale é o amor entre as duas pessoas, mas… e sempre tem um mas… seria bom que houvesse uma boa comunicação entre o casal e também com os familiares, não? Fora as diferenças culturais que existem e são grandes!

      • Kkk realmente sim xD para isso o esforço não e pouco kkk acredito que com esforço do casal eles consegue na comunicação, o que me preocupa por exemplo, creio eu tem crianças que mesmo com pais de diferentes cultura, sofre preconceito ou a criança nao gosta de ter nascido com pais diferentes. Eu ja vi pouco, mas esse assunto me preocupa mesmo

  5. Ola, eu sou filha de coreanos, e como vc Bruno Kim, sou da primeira geração, e sou casada com um “brasileiro”. Estou casada a 21 anos, como muitos filhos dessa época, eu apanhei muito e fugi para casar, não me arrrpendo do que fiz e nem como fiz, tentei conversar e mostrar que as pessoas são diferentes mas não quiseram me ouvir! Minha mãe foi a primeira a me procurar, em menos de 3 dias, mãe é mãe, mas meu pai só falou comigo depois de 3 anos e mesmo assim, até hoje, eu sei que não aceita, pois das 3 filhas, sou a única casada com ocidental e que vive um casamento feliz!! Minha irmãs, eu sinto que não são felizes em seus relacionamentos!! Tenho um irmão também mas como é “homem”, pode tudo o que não podemos!! Casou-se com uma brasileira também e ele não está nem aí para o que meu pai acha!! Mas também não tem o mínimo de respeito por ele, meu pai! Ele faz o quê quer e o quê der na telha!!
    Olha, a minha estória é comprida e muito bonita! Casei por amor, e vivo até hoje desse amor com uma linda filha!!
    Tenho orgulho de ser filha de coreanos, pois tive uma educação dentro dos melhores padrões possíveis que os pais fazem por seus filhos! Minha educação foi rígida mas nunca faltou nada para mim e para meus irmãos!
    Tenho muito respeito por meus pais e antepassados, pois os valores passados pra mim são respeitados pelo meu marido e minha filha e a criação dela é toda baseada ma mesma que recebi dos meus pais!
    Minha filha nasceu em São Paulo e estudou desde bebê em creche e escola coreana, aprendeu a falar e a respeitar a sua cultura também e meu esposo, mesmo não sendo tão bem aceito pelos meus familiares, admira a todos e respeita à todos.
    Jamais esquecerei ou negarei minhas origens e repito, tenho orgulho de ser coreana pois sei o quanto foi sacrificante para meus pais, a chegada aqui, a saída de sua nação para viver numa cultura totalmente diferente.
    Obrigada pela atenção!

  6. Suas palavras sao sabias e verdadeiras gostei muito….verdade guando voce fala que mistura coreano brasileiros filhos mesticos lindos minha filha e linda atualmente estamos aqui na coreia do sul e ela chama atencao a onde vai claro ne puxou a mae rsrsrsrs bjs

  7. Acho q esse é meu medo …a Questao da aceitação. ..minha mae aceita meu namorado ser coreano ….mas nao sei se a mae dele esta feliz em ele como coreano namorar uma estrangeira …. 🙁
    Mas por enquanto fico na duvida enquanto nao posso ir pra coreia

  8. Ola Bruno, muito legal sua materia! So acho que o problema eh um pouco mais fundo. Pra mim, entendo que o problema e a enorme influencia e poder que os pais tem sobre os filhos que normalmente sao gerados sem queyionar e refletir muito e dai nao ter ums opiniao fomada, independencia nas decisoes e pulso firme pra questionar aquilo que nao esta de acordo com. realmente a discursao encolve diversos aspectos! Parabens pela iniciativa e abertura para podermos opinar.

    • Bomi, sim, o problema é muito mais fundo! Talvez se trouxermos o assunto à luz das discussões possamos de algum forma ajudar a amenizá-lo, não? Você com certeza também conhece diversos casais de coreanos com não coreanos que acabam sendo colocados à margem da comunidade coreana, bem triste!

  9. Bem interessante seu texto, mais ainda o tema que para falar a verdade embora não seja tão explícito atualmente ainda “assombra” muitos descendentes de Coreanos. Já que pediu testemunhos, vou deixar aqui um breve relato do que para mim é uma história cool com final mais cool ainda, embora tenha vivido alguns percalços no meio do caminho.
    Sou descendente de Sul-coreanos, me orgulho muito disso, dos meus pais mais ainda. Mas esse lance de estudar, casar e ter filhos COM coreanos, confesso que sempre esteve presente em casa…pq? não sei. Embora meus pais estejam mais pra feijuca do que pra kimtchi, no fim, a ordem era ao menos “tentar” casar com um coreano.
    Meu primeiro namorado lá por volta do ano de…bem deixa pra lá….foi japonês. No entanto, quando a “idade chegou”, me casei com um coreano, digo, coreano mesmo se é que me entende, com uma família muito tradicional. Exemplo disso: o primeiro café da manhã que tomei na casa dos pais dele (sim, morei com meus sogros na época), acordei às 6 da manhã para “preparar a refeição” e de ham bok! hahaha
    Enfim, passados alguns anos, me separei e cá estou, casada e muito feliz novamente com um japonês. Posso dizer que sou muito feliz, não pq meu atual companheiro é japonês, ou só pq não é coreano (existe uma gde diferença nos dois contextos, rsrs) e sim, pq pura e simplesmente escolhi amar verdadeiramente seja lá com quem fosse.
    Se me arrependo? Não, jamais, meu primeiro casamento me proporcionou aprendizados valiosos.
    Independentemente de raças, criação, cultura e por aí vai, acho que em qualquer tipo de nação, tribo, bla bla bla, o que falta é o indivíduo tomar uma decisão por si só pensando exclusivamente no que te acende, no que te preenche, no que te faz feliz pra valer!

    Ah, meu atual companheiro, AMA a Coreia, a comida então….hahahaha

    • Andrea, obrigado pelo seu relato! Fico feliz que a sua história teve um final feliz e no fim das contas, a comunidade coreana ganhou mais um membro e não o contrário! 🙂

    • Olá Francisco, mas note que o mais importante é amar a pessoa independente de seu origem! O melhor é não idealizar muito os coreanos, boa parte dos meus amigos acabam achando que a Coreia é como nos dramas mas infelizmente não é. De qualquer maneira, vá atrás dos seus sonhos! 🙂

  10. Olá Bruno!
    Muito interessante o seu post!Parabéns!
    Sou coreana e cheguei ao Brasil com um ano de idade.Sou bem “abrasileirada”,porém a cultura coreana está bem enraizada em mim.O meu primeiro casamento foi com coreano e seguia toda a tradição de morar junto com a sogra pelo fato dele ser filho único.Tive uma filha e depois de alguns anos me separei.Hj sou casada com um descendente de japonês vinte anos mais velho do que eu.De vez em qdo vou ao Bom Retiro p/comprar comida coreana e qdo ando com ele de mãos dadas nas ruas do Bom Retiro,vejo a cara de espanto dos coreanos mais velhos!kkkkk Bom,sempre houve e sempre haverá um certo “preconceito velado” nos coreanos até entre os mais jovens,pois na minha opinião,a cultura coreana congelou desde o tempo da primeira imigração ao Brasil.Até o costume de bater no pé depois da recepção do casamento continua!Dizem que nem na Coréia se mantém essa tradição.Enfim,o que realmente importa,é tentarmos ser felizes independente da raça,credo ou costumes da pessoa que escolhemos.Qto à minha filha,apoiarei incondicionalmente à qualquer escolha que ela faça,assim como a minha família me apoia sempre!

    • Sonia, eu quis falar sobre esse costume de bater no pé mas acabou não dando espaço, vou voltar a ele um dia em outro texto! E sim, concordo com você 100%, a nossa comunidade congelou no tempo e às vezes isso cria situações até engraçadas. Fico feliz pela sua filha, você deve ser uma mãe muito bacana!! 🙂

  11. Linda a garotinha, meu sonho ter uma netinha assim kkk,
    Tenho duas filhas apaixonada pela a cultura coreano, e quem
    sabe um dia Deus coloque um príncipe coreano pra casar com algumas
    das minhas princesas brasileiras, para que meu sonho seja realizado.

    • Olá Tia Nana, como disse ao amigo lá em cima, o mais importante é amar a pessoa independente de seu origem! O melhor é não idealizar muito os coreanos, sabemos que a vida real é diferente da vida que aparece nos dramas, né? 😉

  12. Vejo que o ponto de vista do post esta voltado aos coreanos/descendentes casados com brasileiro(a)s vivendo no Brasil.
    A Coreia que eu conheci ha sete anos atras evoluiu muito nesses ultimos anos e ate mesmo as tradicoes estao mudando. Hoje em dia e muito comum encontrar alguem na rua (aqui da Coreia) que te pare para perguntar de onde voce e e em seguida relatar que tem algum parente tambem casado com estrangeiro, eles se sentem importantes, mas claro depende um pouco do pais pois infelizmente ainda existe muita discriminacao por aqui. Dou gracas que o Brasil seja um pais de alta popularidade por aqui devido ao futebol e samba.
    A taxa de divorcio entre coreanos por aqui anda muito alta, principalmente da epoca de feriados como 추석 or 설날. As coreanas ultimamente nao querem assumir responsabilidades com as tradicoes o que acaba gerando muito conflito entre as familias, gerando divorcio em muitos casos.
    Quando visito alguma loja aqui na minha cidade sempre aparece alguem para me perguntar se minha sogra vive comigo ainda. Quando digo que sim eles fazem uma cara de indignacao e jogam na minha cara como e que eu suporto isso, que elas que sao coreanas nao aceitariam morar com a sogra, como e que eu aceito.
    Nao e facil, especialmente porque minha sogra ja e de idade, 85 anos.
    Eu jamais imaginei que ela fosse me aceitar, mas pelo contrario, ela e meu sogro (in memoriam) me receberam muito bem como membro da familia.
    Os dois migraram para a Bolivia logo apos a guerra da Coreia e minha sogra retornou em 2012 devido ao falecimento do meu sogro.
    Com relacao a tradicao, costumes e lingua, isso tudo a gente aprende e nao creio que isso seja o real motivo pelo qual o casamento multiracial seja um tabu entre os coreanos. Pode ser sim para os que vivem ai no Brasil, talvez por medo de que a comunidade seja extinguida.
    Mas apesar das mudancas que vem acontecendo nesses ultimos anos aqui na Coreia, ainda existem sim algumas familias que nao aceitam e proibem o casamento com uma pessoa de outra nacionalidade, especialmente entre familias de militares.
    Essas familias geramente ja tem um parceiro em vista para seus filho(a)s antes mesmo que eles se tornem adultos e quando eles chegam na idade de casar ou os pais descobrem que a pessoa esta namorando, partem para o 선, ou seja casamento arranjado.
    Sobre as tradicoes, no meu caso, aprendi tudo o que e necessario sobre costumes, comida, etc., para poder passar aos meus filhos.
    A primeira coisa que aprendi foi a comida. Eu gostava de visitar restaurantes diferentes para poder ver o que levava os pratos e tentar fazer em casa depois.
    Hoje em dia cozinho qualquer coisa que voce pensar, de kimchi e kaktugi ate mesmo 청국장 que eu nao gosto.
    Outra coisa que tive que aprender e faco com muito orgulho, agora para meu sogro, foi preparar 제사.
    Depois do falecimento do meu sogro, preparamos aqui na minha casa e tenho que fazer absolutamente tudo, sozinha, porque minha sogra nao sabe preparar (sim, ela e coreana).
    Faco questao de vestir minha filha com hanbok e deixo ela me ajudar e observar quando estou preparando a comida e altar, para que ela possa ir memorizando o ritual completo.
    Minha sogra fala com orgulho que o filho dela e casada com brasileira, e tem muito mais orgulho ainda de dizer que aqui em casa 100% da comida e feita em casa, ate mesmo bolos, paes e pizzas. As amigas dela ficam decepcionadas porque muitas tem que se contentar ate com comida de 제사 comprada pela internet porque as 며느리’s delas nao sabem ou nao tem interesse em fazer, como elas dizem, comprar e mais facil.
    Sobre a lingua, aqui em casa nao temos problema algum. Claro que ainda me esforco para entender os dialetos que sao infinitos por aqui, mas nada que nao possa ser compreendido.
    Aqui em casa falamos coreano, portugues, ingles e espanhol.
    Eu e minha sogra exclusivamente coreano e espanhol. As vezes quando estou irritada jogo logo um portugues que ela faz questao de entender e responder com o espanhol dela, ou coreano.
    Nunca tivemos nenhum problema relacionado a lingua mas percebo que as vezes ela finge que entendeu o que eu disse, quando eu falo em espanhol ou portugues, mas na verdade nao entendeu absolutamente nada, ai repito em coreano.
    Nossa, escrevi tanto que acabei saindo do assunto varias vezes. Mas esse assunto da pra escrever um livro, tranquilo.
    Vou convidar alguns amigos tambem casados com coreanos para comentar sobre o post.

    • Olá pessoal!

      Muito interessante ler e mesmo participar de um site onde há tantas experiências interraciais e afinal vivemos em um mundo globalizado e a tendência é essa de fato!
      Sou casado com uma sul-coreana há quase 5 anos porém vivemos juntos há 7 anos.Nos encontramos e nos fixamos em um território por assim dizer ‘neutro’e a muitos milhares de kilômetros de nossos países ou famílias,portanto nunca tivemos a interferência deles a não ser quando os visitamos.
      Bem,a minha opinião geral sobre os coreanos é que são extremamente diferentes dos brasileiros em praticamente tudo.Admiro-os por tudo o que são em termos organizacionais,econômicos e sociais sem falar na incrível dedicação, persistência e perfeccionismo em absolutamente tudo o que fazem!Para trabalhar nunca falta disposição ou fôlego!O respeito com os ancestrais,a família e os costumes é praticamente inquebrantável!
      Para mim,ao lado de minha esposa Yong é sempre um novo aprendizado.O relacionamento não é perfeito,como todo relacionamento não o é e até pelas diferenças culurais,mas a cada dia confesso que aprendo mais e mais.
      Ela é extremamente dedicada dentro e fora do lar,sendo também extremamente boa cozinheira,fazendo os pratos deles e os nossos a velocidades incríveis e também os comendo a velocidades incríveis!Hehehe…
      É uma pessoa simples e muito justa mas que não se pode’pisar na bola’pois o ‘tempo’ vira mesmo e tenho que deixar as coisas acalmarem,de outra forma está iniciada a’Guerra da Coréia’!
      Quando ela está cozinhando e portanto concentrada no ato,eu não posso falar com ela ou mesmo entrar no ‘Paralelo 38′ que divide a cozinha da sala pois é guerra na certa!Me impressiona ver a dedicação quase religiosa com o preparo da comida da mesma forma que a consomem!Tudo é feito com muito gosto e apreciação.
      Ela reclama quando deixo algo no prato,pois acredito eu,que mais do que ninguém,saibam o valor que uma refeição tem,por tanto sofrimento e necessidades que já tiveram em tempos difíceis do passado.Isso parece estar bem gravado na cultura desse povo!Ah se também tivéssemos toda essa disciplina!!!
      A mulher coreana a meu ver fica muito enraivecida quando irritada ao ponto de bater no marido e chorar mesmo!Não econimizam nas lágrimas e nem no drama até por pequenas coisas!Mas vou levando e só comecei a entender isso depois de assistir algumas séries coreanas!
      Quando me perguntam sobre o nosso relacionamento,eu sempre respondo o seguinte:’não importa se é Samsung,Sharp,Panasonic ou CCE,só muda o console mas o HD é o mesmo!São todas iuais!Ciúmes,excesso de emoções e TPM!O problema é que adquiri uma excelente marca mas o manual é em coreano!’ Hehehehe…aí está a diferença!Tive que então aprender com a experiência e a prática mas ainda estou aprendendo.É um desafio interessante!
      Seja como for a família dela me recebe muito bem quando vou lá.São muito carinhosos sempre!Me enchem de presentes e tudo mais.Não houve até onde sei nenhum tipo de oposição para o nosso matrimônio e a mãe dela sempre me recebe com enorme sorriso quando elas estão falando no Skype.
      Por morarmos em um país alheio aos nossos,só nos comunicamos em Inglês todo o tempo.Ela não fala o Português e eu não falo o coreano.O nosso tempo é curto para isso.Ao visitarmos nossas famílias precisamos um do outro para traduzirmos o que perguntam a nós ou se temos sorte,há sempre uma boa alma ou outra que fala o Inglês.
      Voltando a história do matrimônio,eu vi que por lá são extremamente rigorosos com esse fato.A Yong no entanto como eu,pareceu quebrar a todas as regras!Foi a primeira filha,sendo obviamente uma mulher,casou-se com um estrangeiro e bem depois da idade estipulada pela própria cultura,que é de 30 anos!Por lá parece ser tabu ainda não se estar casado nessa idade!
      O pai dela que era mais turrão queria que o irmão dela adiasse o casamento só para que ela se casasse na frente.Acho que por essa razão,Yong deu um tempo de casa e foi para o exterior,onde então eu a conheci.Nosso encontro se deu na Nova Zelândia em 2004 em um albergue.
      No mesmo ano eu voltei para o Brasil e ela voltou para a Coréia no ano seguinte,mas ficamos em contato.Ela retornou para cá em 2006 e eu em 2008 onde nos reencontramos.Algum tempo depois tiramos nossos greencards para viver aqui de forma permanente onde então nos fixamos.
      Com o falecimento do pai em 2010(eu jamais conheci em vida)fomos até a Coréia e naquela mesma ocasião a mãe pediu que nos casássemos.Foi engraçado vê-la pedindo para que oficializássemos nossa união.Chegou até a me dar o cordão de identificação de combate do pai dela que lutou no Vietnam como oferta!Até hoje eu não sei se ela sabe o valor histórico daquela peça a qual fiquei muito impressionado ao ver.Eu teria aceito a oferta de casamento sem que ela tivesse me dado nada.
      Para minha surpresa ela tratou de organizar tudo muito rápido pois só ficaríamos por lá 16 dias em virtude de nossos empregos.Foi um enorme surpresa para mim o que carinhosamente chamo hoje de ‘o casamento Mortal Kombat’ sendo então nos belíssimos trajes tradicionais coreanos.Algo realmente extraordinário no qual nunca me imaginei participando!Sempre apreciei as tradições orientais e então naquele dia me senti dentro de um filme!
      Ano passado voltamos ao país dela e eu já estava até ficando famoso no metrô de Seoul.Crianças me paravam nas ruas para conversar em Inglês ou ainda para tirar fotos nos lugares turísticos.
      Apesar de ser negro e ‘carioca da gema’ tive sorte por não ter sofrido nenhuma discriminação por lá como muitos alegam,mesmo andando sozinho pelas ruas,eu ganhava descontos nas lojas e tudo mais.É um lugar muito desenvolvido,seguro e dinâmico e ouvi até o inusitado:’nossa que olhos grandes e bonitos você tem!’Confesso que nunca tinha ouvido nada do tipo em toda minha vida!Hahaha…
      Por fim e voltando ao campo das relações,eu sempre digo a ela quando nos desentendemos:’como quer que nos entendamos???Seu país tem uns 5000 anos e o meu uns 500!’Falo de forma jocosa para que ela não me cobre tanto ao modo da cultura dela!
      No mais é isso!Sempre aprendizados e desafios diários e eis a forma como tenho vivido nos últimos 7 anos!
      Com toda a modernidade,a tendência é que as pessoas abandonem seus tabus.Sou brasileiro e portanto mestiço,como a grande maioria!Meu avô paterno era cafuzo e o materno era italiano embora eu tenha pele negra.
      As pessoas de todas as partes do mundo têm seus preconceitos e ficam o tempo todo retornando a questões raciais e por mera ignorância!Para se ter uma idéia,o mesmo DNA que carrego do meu avô paterno que é indígena,é o mesmo dos asiáticos ou dos ameríndios que chegaram ao Brasil em tempos remotos.Todos necessariamente emigrando das planícies centrais asiáticas em tempos mais distantes ainda!Em suma temos praticamente o mesmo DNA!
      E o resultado disso???Bem,é como alguns teriam escrito anteriormente…uma linda miscigenação com traços e características belíssimas e a modelo Amerie quem o diga!
      Abraços e felicidades a todos com muita união,paz e menos tabus!Vamos nos aprimorar mais e mais com essas belas uniões!

      • Cara, que louca e linda história amei ler seu comentário.muito bom essa troca de experiências vividas na prática. Tudo de bom pra vocês, que esse casamento continue dando certo e tendo muitas histórias pra contar. rs Ah! a parte do manual em corano foi d+. kkk

      • Linda sua historia Bruno.
        Sabia um pouco pelo que conversamos anteriormente, mas contada assim, por completa, fica bem mais emocionante de ler.
        Agora so esta faltando um bebezinho nessa historia, para ficar completa =)

      • Graziela, lindo relato!!! À medida que fui lendo fiquei com um sorriso bobo no rosto, imaginando você passar por todas essas situações divertidas (e sei que houve muitas situações difíceis também). Pois é, a Coreia esta mudando muito e bem rápido. Eu que vivo no Brasil e sou praticamente um “coreano da década de 70” culturalmente falando, fico surpreso toda vez que viajo para lá. Olha, se você escrever um livro vou querer um exemplar autografado, tenho certeza de que ele será recheado de histórias deliciosas! 🙂

  13. Interessante esse artigo. Sempre que posso, pergunto a colegas coreanos ou experientes na cultura, como eu seria aceita. Sou morena, sabe, cor de jambo. Tenho descendencia de índio com italiano e acabei nascendo com a cor típica brasileira. Eu morro de vontade de casar com um coreano, pois gosto muito da cultura e atualmente faço curso da língua pra ano que vem ir fazer uma visita ao país. Porém, por ser morena, sempre fico na cabeça que não serei aceita pois leio em alguns sites que a maioria dos coreanos não gostam de pessoas de pele morena. Mas tambem há quem fale que existem coreanos e familias que não ligam pra isso.
    Tenho 2 filhos de um casamento que não deu certo e um dia perguntei pra um amigo coreano se isso tambem seria um problema. Ele disse que alguns coreanos acham super legal crianças (ele mesmo disse que seria um brinde uma namorada com filhos kk), mas outros, que por respeito aos pais e à cultura, preferem formar a sua familia do zero.
    O que você acha sobre isso? Será que ainda tenho chances em encontrar meu coreano? T_T

    • Olá Raquel!

      O que eu te aconselho com alguma experiência que tenho convivendo com outras culturas,crenças,raças e etnias de todos os tipos,é o fato de sermos todos tão iguais e ao mesmo tempo tão diferentes.
      Com tudo que tenho visto em quase 40 anos de vida,eu escolheria alguém mais por afinidade em geral e não pelo origem em si.
      Vou dar um exemplo a você do que realmente acontece na realidade dos coreanos baseado em alguns amigos de minha esposa que vêm até a nossa casa eventualmente.
      Ocorre que por serem muito unidos eles observam demais uns aos outros tal como uma grande irmandade.Cada um parece ter enorme responsabilidade sobre os outros de uma forma geral.
      Recentemente uma das amigas de minha esposa conheceu um rapaz coreano mesmo que está aqui estudando temporariamente.A menina é do bem mas teve uma desilusão com um rapaz local e desde então não namorou mais.Conheceu então este estudante universitário e se gostam muito.A moça é da igreja assim como uma outra amiga em comum que possuímos a qual lhe apresentou este rapaz.
      Estranho como possa parecer e acredite se puder,o rapaz disse a essa amiga comum que essa moça era um tanto ‘atirada’!Pasmem!
      A amiga mais velha assim como sua mãe começaram a reprovar o comportamento da moça mais nova com relação ao namorado como se isso não fosse um problema unicamente deles!
      Outro casal mais jovem veio aqui outro dia.Muito bonitos por sinal e muito bem educados também!A moça reclamou que o rapaz não queria assumi-la e eu perguntei a razão sem nada entender pois era uma bela moça e muito inteligente também.A resposta dele é que considerava que não tinha um bom emprego para casar-se com ela ou manter um compromisso mais sério.A cobrança por lá é muito grande!
      Ele admitiu bem na frente dela que o relacionamento deles era só por aqui mesmo e que seus pais não sabiam de absolutamente nada!Eles terminariam tudo tão logo retornassem à Coréia!Deu muita pena dela e tudo isso vindo de um casal em seus 25 anos!
      São uma sociedade altamente competitiva e por lá o estatus conta e muito!Em muitos casos você é valorizado pelo que tem mesmo ou pelo seu estatus social.
      Na última visita àquele país nos encontramos com uma amiga de infância da minha esposa do mesmo vilarejo em que viveu.Moça bonita também,magra e esbelta porém solteira e pelo vista nunca teve um relacionamento e isso com 37 anos de idade!Posso ir adiante afirmando mesmo que ela nunca teve ninguém mesmo no sentido abrangente da palavra!
      Como disse anteriormente,acho a cobrança por lá muito grande.É algo cultural e inserido na educação dessas crianças desde tenra idade.Desde muito cedo sabem valorizar o dinheiro e sabem que tem que estudar e trabalhar duro para conseguir.É um país que também valoriza e muito a educação estando em terceiro no ranking mundial!Pontos para eles!
      Você percebe Raquel onde as discrpâncias começam?Simples coisas que para nós passariam completamente despercebidas para eles são coisas enormes.Aí estão algumas das diferenças culturais que presenciei.
      Vou adiante com um comentáio feito pela mãe dela ao ver um programa sobre o Carnaval brasileiro:’Não entendo como podem desperdiçar um ano inteiro de economias em uma única fantasia’…bom,eu também não!Hehehe…mas tentei explicar que aquela era uma das poucas alegrias das classes mais pobres e aquilo tinha muito peso na vida daquelas pessoas.
      Da mesma forma que não entendi a razão a qual mulheres casadas raramente se referem a você ou o tratam quase indiferentemente ao ponto de nem sequer olharem para você.Ao me despedir por exemplo,abracei a mãe dela que ficou paralisada!Não estão acostumadas com isso.
      Outro dia a mãe de um amigo veio visitá-lo.Perguntei pelo pai dele achando que não estivesse mais vivo e a resposta dele não poderia ser mais surpreendente:’Minha mãe veio só por que vai ficar na mesma casa que minha sogra que é viúva e então não é próprio que um homem fique só com duas mulheres.Se meu sogro estivesse vivo não haveria problemas e meu pai então poderia ter vindo nos visitar.”
      A visita entre amigos é só com hora marcada e deve ser combinada com dias de antecedência.Pode estar um dia ensolarado em um final de semana e mesmo que não estejam fazendo nada,caso você os convide para qualquer coisa eles sempre recusarão a não ser que você tenha combinado com antecedência!
      Perceba Raquel,como eu te disse são uma cultura fascinante mas nesses aspectos de convivência há uma enorme diferença entre eles e nós.Obviamente não somos nem piores e nem melhores do que ninguém mas se você quer se relacionar com uma pessoa desse grupo de pessoas é importante que entenda essas ‘restrições’.
      É por exemplo como mudar de país.Você ganha um monte de coisas positivas mas perde outras.É interessante notar o que vale para você e o que está realmente disposta a perder.
      Vim para o exterior e gostei.Não pretendo mais voltar para o Brasil para viver assim como tem gente que não gosta da experiência de viver fora,mas isso vai da necessidade de cada um!
      Acho a sociedade coreana um tanto matriarcal onde então as mães tomam decisões importantes.Elas são muito dominantes!Os homens por sua vez sob a cortina das mães são muito respeitosos e tímidos sendo um tanto submissos às vezes.
      Minha esposa sempre fala na minha cara que não é educado falar tanto para um homem,só que eu não estou nem aí e falo pelos cotovelos mesmo,sempre frisando que não sou coreano…hehehe…
      Para que você tenha uma idéia,por lá fui obrigado a me afastar na hora de arrumar minhas próprias malas no retorno!A mãe dela virtualmente me obrigou a não tocar em nada!!!Hahahah…acredite se puder!Ela tomou conta da arrumação e de todos os iténs que iríamos levar.Tudo maravilhosamente embalado e no exato peso exigido na hora do embarque e literalmente na marca exata!23kg!Vai ser preciso assim lá na Coréia!!!Hahahah…
      À noite eu saia com a minha esposa para comer um hamburguinho que por lá fazem muito bem em uma loja chamda Lotto.Eu não queria dar trabalho nenhum a mãe dela que cuida de um casal de netos,o filho e a nora.Ela então começou a dizer que eu não gostava da comida dela!São assim,pessoas muito atenciosas mas exigentes e emotivas no mesmo nível!
      O fato é que a comida da mãe de minha esposa era excelente e ela preparava tudo com uma dedicação incrível!Ela sabia que eu gostava de um cogumelo gigante frito que parece um queijo e preparava todos os dias!
      É isso aí então!Espero que seja feliz na sua busca sabendo desde já que o homem coreano é completamente diferente do homem brasileiro.Prioriza coisas diferentes!São muito mais dedicados,calados,sérios e tímidos que nós e são com toda certeza muito mais compromissados com a família e a prosperidade daqueles sob sua tutela,ao menos é a nítida impressão que tenho deles!
      E para finalizar outra ótima notícia para você!Por lá você nunca vai presenciar aquele horror da inhaca dos ônibus ou trens tão presentes nos Verões cariocas dado o Sol infernal e a constante humidade alta!Penei para achar um desodorante por lá e falo sério!As pessoas não possuem aquele odor corporal característico nos dias quentes!!!Hahaha…FATO!Que coisa boa,né??? 🙂

      • Meu xará, seu relato foi fantástico, muito obrigado por compartilhar!! Como aconteceu com outro comentário acima, à medida que fui lendo o seu relato fui imaginando como devem ter sido as suas histórias! De uma certa maneira, eu também me considero um brasileiro que casou com uma coreana. Tenho também muitas histórias legais e outras bem estressantes mas no fim das contas, o saldo é 100% positivo!!

      • Wow, adorei sua resposta!
        Muito obrigada!
        Realmente há enormes diferenças culturais. Minha amiga é mestiça de japonesa e namorava um coreana. Ela disse que é uma coisa bem dificil mesmo.
        Obrigada =]

    • Raquel, acabei de ler o seu comentário e o do Bruno Cyrillo abaixo. É exatamente o que ele disse, há uma diferença cultural muito grande e talvez a questão talvez não seja gostarem ou não da sua ascendência, mas achar a pessoa certa. Já vi alguns coreanos casados com não coreanas bem morenas e realmente pode acontecer de haver barreiras mas não pela cor da pele mas sim pela pessoa ser simplesmente uma não coreana! Quanto a filhos, realmente isso pode acontecer mesmo, de haver preferência por alguém que não tenha filhos mas acredito que isso seja algo comum a todos e não só os coreanos, talvez alguns mais ou outros menos. Quem sou eu para dar conselhos, mas independente da etnia, busque alguém que a ame pelo que você é, independente de ser um coreano ou um brasileiro! 🙂

  14. Exato Bruno kim,é isso aí!

    Eu gostaria de compartilhar também os fatos engraçados…

    Por aqui,quando nos mudamos de casa,era engraçado ver as amigas de minha esposa chegando com embalagens de papél higiênico!Como todo brasileiro e carioca possuindo o ‘DNA da sacanagem’na veia,eu pensava com meus botões:’Para que tanto papél higiênico essas moças trazem???E haja bunda para limpar!!!’Hahaha…eis o modo como desejam boa venturança em seu novo lar mas eu só não sei a razão de se usar o papél higiênico!
    Interessante também é a gratidão imediata desse povo!Enquanto o brasileiro paga de ‘cachorro magro’,esse pessoal nunca chega de mãos vazias onde quer que vá!Era engraçado então ver as amigas da Yong vindo nos visitar com melancias,bananas e tangerinas!A Coréia não nega o fato de ter sido um país agrícola por milênios!Adoro ver tudo isso!
    Teve também a da minha criancinha preferida,a sobrinha de minha esposa chamada Yun-Ji.Tinha dois aninhos apenas e pelo Skpe,Yong conversava com ela dizendo que queria vê-la mas que não tinha dinheiro no momento para isso.A criança prontamente saiu da tela e algum tempo depois voltou com notas de dinheiro embaralhadas na mão:’Pode vir tia!Eu pago seu táxi!’
    Visitando a Coréia você fica virtualmente doido com a variedade de produtos!Muita coisa boa do biscoito ao eletrônico e eu doido para sair e ver a moda mas a mãe dela queria me proibir de usar meu próprio cartão de crédito,vê se pode isso???Eu via minha esposa cochichando com a mãe e ela balançava a cabeça,tentando dificultar minha ‘decolagem’!
    Após verem que eu sairia com ou sem o aval dela,naquela mesma ocasião,ela deu dinheiro local para o táxi pois não tínhamos trocado o que tínhamos por notas locais.No retorno mudamos de idéia e decidimos voltar de metrô.Yong reclamava dizendo que se a mãe dela tinha dado o dinheiro,era para voltarmos de táxi!Acho engraçada a obediência deles perante aos mais velhos!Fazem tudo na risca como os pais mandam sem discutir a razão!
    Segundo eles o genro também é filho e elas começam querer a mandar em você também mas e aí,como é que fica???
    Teve o episódio do polvo cru logo na primeira visita.Era a primeira vez que eu conhecia a família dela ao vivo.Estávamos em um restaurante.Colocaram então um polvo fervido no meu prato e ainda se mexendo.Cortaram então a cabeça do bicho ao meio com uma tesoura e jogaram tudo meu prato com o cérebro verde a mostra e me fizeram experimentar o prato sendo que a iguaria não descia de jeito nenhum!
    Eu suava frio e em um sufoco só!De repente todos levantaram juntos e já estavam indo embora!Só Deus sabe então como aquela coisa desceu com muito custo pela minha garganta abaixo quando então eu já me encontrava sozinho à mesa!
    Fiquei muito impressionado também nos sites históricos!É gente que não acaba mais!Literalmente um exército de pessoas que parecem surgir do nada e de todas as partes a velocidades incríveis e então com a mesma velocidade desaparecem.Típico mesmo de um país que conta com milênios de tradição de guerras!É virtualmente impressionante a movimentação em grupo deles!
    Os encontros em família parecem cronometrados pelo computador da NASA!É vapt-vupt mesmo!Não existe a coisa do ‘ir ficando’ como fazemos!Deu duas horas de visita e pronto!Hora de zarpar!
    Outra coisa que achei interessante é a disciplina!A mãe de minha esposa cuida dos netos com uma vara de bambu e quando bobeaiam a vara come!Na verdade não chega a machucar.A ‘arma’ contra a ameaça infantil tem mais aplicações psicológicas do que ferir.Só faz barulho de fato mas a galera é ‘pianinho’.São crianças muito mais dóceis e agradáveis do que as que conhecemos!
    Os canais de TV são incríveis!Só programas educativos,noticiários, documentários e uma infinidade de séries,novelas e programas humorísticos.Não vi um traseiro sequer de fora!Pornografia zero!
    E assim é o planeta Coréia!

    • Lembrei aqui do episódio mais engraçado de todos,o da calça jeans!
      Ano passado visitamos o país em meio ao úmido e muito quente Verão.
      Como brasileiro e carioca estou acostumado a altas e úmidas temperaturas e a calça jeans não chega a ser um transtorno.
      Ao ver que eu estava usando aquela calça,fui virtualmente obrigado pela mãe da Yong a comprar uma outra de material mais leve.
      Eu insistia em dizer que estava bem e confortável pois estava acostumado com o calor mas nada adiantou!Ela deu dinheiro na mão de minha esposa para sairmos naquela hora mesmo para comprar a bendita calça que ela queria que eu usasse e sob livre e espontânea pressão!Hehehe…
      Sem querer desagradá-la ou desapontá-la acabamos comprando a calça e toda vez que saíamos eu tinha que vesti-la sob a checagem dela quando então eu sempre perguntava:’A Sra está feliz agora???’Hahahah…
      E assim são os habitantes do planeta Coréia!

  15. Sou da quarta geração de japoneses mas ainda escuto comentários de primas de minha mãe : ah fulana está namorando? Nikeidin ou gaidin? Vejo que em geral Qdo há misturas de raças, os costumes dos filhos tendem a ser os costumes de origem da mãe.
    Agora uma coisa que nunca vi foi coreano com brasileiro descendente de japonês. Aliás como meus avós vieram antes da primeira guerra, nem sabia Q o Japão tinha invadido a Coreia, China etc e feito crueldade pior que os alemães na segunda guerra. Isso é omitido e da vergonha do que o Japão fez

  16. Achei muito interessante o texto do senhor, uma coisa que eu achei muito legal vc ter falado e eu até parei pra ler duas vezes pq a conhecidencia foi incrível até nas palavras da frase, foi quando vc falou que as crianças mestiças pegam tudo de mais bonito de ambas as raças. E realmente eu tenho uma amiga que metade coreana metade brasileira, e tudo de mais bonito da mãe que e brasileira e do pai que coreano ela pegou, cada traços bonito de ambas nacionalidades, eu falei isso com ela aí ela concordou na hora e falou que pensa o mesmo e me mostrou fotos de crianças e atores mestiços e eu reparei que realmente pega tudo de mais bonito que os pais tem e incrivel independente se os pais são bonito ou não tipo cada minimo detalhe, pra finalizar parabéns para o senhor foi um texto incrível e um assunto bem polêmico, mas o senhor soube falar muito bem sobre ele

  17. Linda história da postagem, tenho uma amiga brasileira que namora um coreano acima dos 30 anos de não me engano ele marcou de vir ao Brasil conhecer a família dela e eles só se viram pela web ou seja o primeiro contato físico dos dois será quando ele vier ao Brasil mas ela me falou que ele pediu ela em casamento, ela está assustada até eu confesso fiquei quando ela me contou enfim apenas escutei a história dela e não quero e nem vou julgar os dois mas isso é realmente comum na Coreia um homem coreano conhecer uma estrangeira e em pouco tempo querer casar???

  18. gente eu estou muito nervosa. eu estou namorando um coreano a um mes,. ele me pediu em casamento. agora quer que eu va comprimentar os pais dele. eu estou muito nervosa com isso porque eu nao faLo coreano e muito pouco English .eu o amo e sei que ele tambem. eu achei esse pedido de casamento muito rapido estou com medo da familia dele nao gistar de mim. eu tambem nao tenho co diçoes de arcar com as despessas do casamento. sera que isso pode ser um problema?

    • Oi Tatiana. Obrigada pelo seu comentário. Na sua mensagem algumas coisas não estão muito claras então, fica difícil a gente opinar. Você poderia dar mais detalhes? Por exemplo, qual a sua idade? Qual a idade dele? Ele está aqui ou na Coreia? Isso irá nos ajudar a tentar dar uma opinião, mas mesmo assim, entenda que este é um assunto bem pessoal, né? Te aguardamos. Um Abraço!

  19. Muito boa a postagem, gosto muito de pessoas independente de sua nacionalidade. Gostei muito de ler cada experiência aqui exposta, foram para mim de grande aprendizado. Sou brasileira e amo outras culturas, pois são elas que enriquecem um povo, uma nação.
    Quero parabenizá-los por compartilharem suas lindas histórias.
    Sou solteira e não tenho intenção de casar por opção mesmo. Gostos dos dramas Coreanos, mas não me influencio com a ficção sou uma pessoa muito realista e racional (rsrsrs) sei separar realidade de ficção. Tenho um sonho de conhecer a Coreia pela sua história e cultura, um dia quem sabe dê certo.
    Amo o povo coreano não sei porque (rssrrs) deve ter algum motivo especial, quem sabe um dia eu descubra. Aí quando descobri terei algo de mais profundo para compartilhar com vocês! Fiquem todos na paz e na busca de seus sonhos!

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