The Call | A Ligação | Hangul: 콜 | Ano: 2020 | Direção: Lee Chung Hyun | Duração: 112 minutos | Disponível: Netflix

A Ligação, Um Telefone Que Pode Mudar A Realidade
Foto: twitter

Atenção pode conter spoilers!

Se você pudesse se comunicar com alguém do passado e pedir para algo ser alterado, para um ente querido ser salvo, você o faria? E se pudesse, saber sobre o seu futuro, quando e como vai morrer, você o mudaria? Você faria qualquer uma dessas coisas sem importar-se com as consequências e mudanças?

É sobre isso que o filme, A ligação (The Call), se trata. Comunicação através do tempo e sobre conceitos de viagem no tempo.

A Ligação conta a história de duas pessoas que vivem em tempos diferentes. Seo-Yeon (Park Shin-Hye) vive no presente (2019) e Yeong-Sook (Jeon Jong-Seo) vive no passado (1999). Ambas se comunicam através do tempo, usando um telefone. Logo, ambas começam a questionar e fazer mudanças no futuro e no passado.

De início, o telespectador é apresentado a Seo-Yeon, personagem de Park Shin-Hye, conhecida por seus papéis em Pinocchio, The Heirs e o mais recente, #Alive. Seo-Yeon se muda para a casa onde viveu sua infância, e lá encontra um telefone e começa a receber ligações misteriosas de uma desconhecida.

A Ligação, Um Telefone Que Pode Mudar A Realidade
Foto: hancinema

Logo, somos apresentados a outros personagens, como a Mãe de Seo-Yeon, que possui uma doença e está no hospital, essa personagem traz mais profundidade para a personagem de Shin-Hye, com quem parece não ter um bom relacionamento, por motivos que serão revelados futuramente.

De volta a casa, Seo-Yeon acha um misterioso porão – ao quebrar uma parede – onde acha pertences dos antigos moradores, objetos para rituais xamã e um diário. Com o recebimento de outra ligação, o filme, troca para outra protagonista.

A personagem de Jeon Jong-Seo, conhecida por Burning – Em Chamas (2018), Yeong-Sook é apresentada durante um momento conturbado, sendo arrastada, para ser, aparentemente, torturada. Depois descobrimos que as ligações são feitas por Yeong-Sook, além de sermos apresentados, a outro personagem, a madrasta da mesma, que aparentemente, a tortura e faz rituais de exocismo com a mesma, por ter problemas psicológicos.

A Ligação, Um Telefone Que Pode Mudar A Realidade
Foto: hancinema

Logo, o enredo avança, ambas as personagens tomam conhecimento de suas linhas temporais diferentes, de outros acontecimentos e tecnologias, tudo, apenas, parece maravilhoso.

Yeong-Sook decide salvar o pai de Seo-Yeon, que morreu em um incêndio, aparentemente, causado pela mãe de Seo-Yeon, o que gera uma grande mudança na atual realidade. É aqui que começam a ser incorporados os conceitos de viagem no tempo.

A Ligação, Um Telefone Que Pode Mudar A Realidade
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Bebendo da fonte de filmes e séries norte-americanos, como Alta frequência, Timeless, além do drama coreano, Signal, A Ligação, utiliza de conceitos sobre viagem no tempo, porém, de uma forma mais inovadora. A regra clássica representada em filmes sobre viagens no tempo diz que tudo o que você muda no passado pode ter enormes efeitos no futuro, o tal “efeito borboleta”, que diz que o bater de asas de uma borboleta de um lado do mundo é capaz de provocar um tufão do outro lado do mundo.

Então, qualquer coisa feita por Yeong-Sook no passado, pode e vai afetar o seu futuro, que é o presente de Seo-Yeon. Durante o filme, ocorrem diversas mudanças que afetam a linha do tempo.

Com a alteração na linha do tempo, que ocorreu pelo pai de Seo-Yeon continuar vivo, a trama ascende para um suspense frenético. Yeong-Sook começa a desmontar os sinais de seus problemas psicológicos e seu lado sombrio.

A Ligação, Um Telefone Que Pode Mudar A Realidade
Foto: imdb

O diretor, que também é o roteirista, Lee Chung Hyun, sabe apresentar bem o quanto crenças e escolhas podem interferir na vida e realidade das suas personagens. Os elementos do efeito borboleta são representados, visualmente, de uma bela maneira, no filme, com a destruição e reconstrução de cenários.

As atuações em A Ligação, também são outro ponto muito bom do filme, que merecem ser destacadas. Surpreendendo a todos, novamente, Park Shin-Hye, interpreta um papel diferente dos de dramas, aos quais já está acostumada. Shin-Hye entrega uma excelente atuação, mostrando uma evolução e oscilação de uma garota inocente, reprimida e revoltada, por um trauma de infância, passando por uma garota feliz até chegar em uma mulher mais madura, com um lado sombrio, além de entregar, belamente, cenas de tensão e tristeza. Entretanto, o maior destaque fica para Jeon Jong-Seo.

Diferente de seu papel em Burning (2018), que não é muito memorável, em A Ligação, sua atuação é sublime, apresentando o desequilíbrio mental da personagem, revelado aos poucos na trama, como um sinal vermelho de que as coisas vão ficar sombrias. Jong-seo entrega uma garota inocente e sofrida, que se mostra sombria, com um lado psicopata, assustador e manipulador, fazendo a trama de suspense evoluir consideravelmente.

A Ligação, Um Telefone Que Pode Mudar A Realidade
Foto: hancinema

A trilha sonora é usada para aumentar a tensão e o suspense. Além de belos instrumentais, temos Seo Taiji e seu rock frenético, para mostrar o tom na outra metade do filme. Os cenários e a paleta de cores também contribuem, alternando entre belos cenários, uma excelente fotografia, com cores vivas, para cenários destruídos e sombrios, em tons de azul marinho, cinza e preto. Tudo isso mudo de acordo com as mudanças na realidade.

A Ligação não é tão explicativo, não entrega explicações lógicas para a comunicação entre as protagonistas através do tempo, usando apenas um telefone.

O filme não termina de forma óbvia, não tendo a necessidade de estabelecer um final concreto e imutável, cada um pode ter sua própria interpretação e opinião sobre o que realmente aconteceu.

A Ligação conta com um elenco de rostos famosos, de nomes como Lee In (Goblin, A Korean Odyssey e Inside Men), Kim Sung Ryung (Are You Human Too?, The Heirs, Believer), Oh Jung Se (It’s Okay, not to be Okay), Park Ho San (Extracurricular, Prison Playbook) e outros.

A Ligação está disponível na Netflix.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

1 COMENTÁRIO

  1. Legal, vou assistir, já sou viciada nos filmes e dramas coreanos, terminei de assistir a série 100 dias com meu príncipe (muuuuuito bom) e agora vou assistir esse que você recomenda.

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