Bong Joon-ho tornou-se o primeiro diretor coreano a ganhar a Palma de Ouro no 72º Festival de Cinema de Cannes, no sábado, para seu último filme, “Parasite”. “Eu era apenas um tímido cinéfilo que almejava ser diretor desde os 12 anos de idade”, disse Bong durante seu discurso de aceitação da maior honra do festival de cinema. “Eu nunca pensei que este dia chegaria, onde eu seria o único segurando este troféu. Obrigado.”

Em uma coletiva de imprensa para o filme realizado em Seul, em abril, Bong esquivou-se da possibilidade de ganhar o prestigioso prêmio. Ele disse que “Parasite”, que explora questões de classe social, falava de assuntos específico demais da Coréia para o público estrangeiro entender completamente, e que havia outros candidatos proeminentes para a competição deste ano.

Cena do filme “Parasite”. Foto: Polygon.

O diretor de “Sorry We Missed You”, Ken Loach, e os diretores de “Young Ahmed”, Jean-Pierre Dardenne e Luc Dardenne, são duas vezes vencedores da Palma de Ouro. O diretor de “A Hidden Life”, Terrence Malick, o diretor de “Era uma vez em Hollywood”, Quentin Tarantino, e o diretor de “Mektoub, My Love: Intermezzo”, Abdellatif Kechiche, também já ganharam o prêmio.

Apesar das preocupações de Bong, o sentimento coreano que é retratado ao longo do filme foi uma das razões pelas quais o fez ganhar o prêmio. “Todos nós compartilhamos o mistério da maneira inesperada, da forma como este filme levou-nos a diferentes gêneros, falando de maneira engraçada, divertida – sem julgamento – de algo tão relevante e urgente, tão global em um filme local, com uma beleza eficiente da mídia e uma compreensão sobre o que realmente é um filme ”, disse o presidente do júri, Alejandro Gonzalez Inarritu, na coletiva de imprensa pós-cerimônia. Inarritu confirmou que o trabalho de Bong recebeu uma decisão unânime do júri.

Cena do filme “Parasite”. Foto: Asian Movie Pulse.

Bong começou a fazer seu nome com seu longa-metragem de estréia, “Barking Dogs Never Bite” (2000), onde chamou a atenção do público local por sua representação da hierarquia social e conflitos relacionados ao hiato de gerações. “Memories of Murder” (2003) foi um sucesso financeiro e elogiado pelos críticos por sua emocionante história de um serial killer.

Seu terceiro trabalho, “The Host”, foi um monstro de bilheteria. Mais de 10 milhões de espectadores foram ao cinema para assistir a uma criatura, feita com o uso de  tecnologia avançada CGI, sair do rio Han para aterrorizar Seul. Depois de ter sido reconhecido pelo público local e internacional, Bong trabalhou recentemente com grandes nomes de Hollywood, como Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Steven Yeun e Chris Evans, em seus filmes “Snowpiercer” (2013) e “Okja” (2017). “Parasite” chamou a atenção da mídia local por ser o primeiro filme em coreano de Bong depois de um hiato de 10 anos.

“Toda vez que vim a Cannes, um filme coreano recebeu um prêmio. Para ‘Secret Sunshine’(2007), foi Jeon Do-yeon quem ganhou o prêmio de Melhor Atriz, por ‘Thirst’ (2009), o diretor Park Chan-wook recebeu o Prêmio do Júri e agora é a vez de Bong” disseator Song Kang-ho enquanto dava uma entrevista no festival.

Cena do filme “Parasite”. Foto: Variety..

“The Host” (2006) foi a estreia de Bong no 59º Festival de Cannes, através da seção Quinzena do diretor. Seu quinto trabalho, “Mother” (2009), foi convidado para ser exibido na seção Un Certain Regard no 62º evento. Finalmente, “Okja” foi indicado para competir no 70º evento. Em sua quinta aparição no aclamado festival de cinema e segunda indicação para a Competição Internacional, Bong finalmente se tornou o vencedor da Palma de Ouro.

O Grand Prix, o segundo maior prêmio, foi entregue à diretora Mati Diop por seu filme de estréia, “Atlantics”. Ela se tornou a primeira cineasta negra a competir no festival e receber um prêmio. O prêmio de Melhor Diretor foi para os irmãos Dardenne por “Young Ahmed”. O prêmio de Bong é especialmente significativo para a Coreia, pois este ano marca o 100º aniversário do nascimento da indústria cinematográfica coreana. Com o impulso do grande prêmio, os direitos de distribuição do filme foram vendidos em 192 países, estabelecendo um novo recorde entre os filmes locais. O recorde anterior foi realizado pelo diretor de “The Handmaiden”, Park Chan-wook, que foi vendido em 176 países.

O Presidente Moon Jae-in agradeceu pessoalmente ao cineasta por sua conquista em uma carta de congratulações que ele publicou nas redes sociais. O presidente disse que estava curioso sobre “Parasite” e ” que este é um presente inesquecível que Bong dá a todas as platéias coreanas que amam filmes locais“. A expectativa do público local está crescendo, enquanto aguarda a estréia do filme na Coreia nesta quinta-feira.


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