Hotel by the River | Hotel às Margens do Rio | Hangul: 강변호텔 | Diretor: Hang Sang Soo | Ano: 2018 | Classificação Indicativa: +15 | Duração: 95 minutos | Disponível no catalogo do À La Carte

A vida é finita, assim como, outros elementos nela, sejam as relações, estações do ano ou os dias. Mas existem os recomeços, uma vida acaba, outra começa, uma relação termina para outra iniciar. O que significa que existe um ciclo, com início e fim.

Belas paisagens, diálogos reflexivos, mágoas do passado, e momentos conflitantes que surgem com os finais e os recomeços, são as questões centrais em “Hotel às Margens do Rio”.

Hotel Às Margens Do Rio. Um Refúgio Para Encerramentos E Recomeços
Foto: the cinema guild

Dirigido por Hong Sang Soo, o filme de 2018, acompanha duas histórias, a do poeta Ko Young-hwan (Ki Joo-bong, conhecido por The Spy Gone North e An Old Lady) que tem a sensação de que morrerá em breve, e decide chamar os filhos, Kyung-soo (Kwon Hae-hyo, conhecido por Peninsula) e Byung-soo (Yoo Joon-sang, conhecido por Caçadores de Demônios), para um encontro. E a de Ah Reum (Kim Min-hee, conhecida por The Handmaiden e The Day After), abalada com o fim de um relacionamento – que parece ser abusivo – e é consolada por uma amiga, Yeon-joo (Song Seon-mi, conhecida por Woman Who Ran). Todos se encontram no mesmo hotel, Heimat, e, em determinados momentos, interagem uns com os outros.

A trama possui um ritmo lento, não revelando tudo de cara e acompanhando situações rotineiras, como dormir e caminhar. Tudo é bem simples, com conversas sobre café e a baixa temperatura do lado de fora. O filme tem características que lembram uma crônica, com poucos personagens, suas rotinas, com uma narrativa contínua e que se passa em um único local.

Hotel Às Margens Do Rio. Um Refúgio Para Encerramentos E Recomeços
Foto: the cinema guild

O filme avança aos poucos, com os personagens tendo discussões reflexivas, revelando seus sentimentos, mágoas, experiências, casamentos desfeitos e um passado familiar marcado pelo distanciamento. Tudo isso, em uma mesa de restaurante, uma característica constante nos filmes de Hong, onde diálogos importantes, sempre possuem cigarros, mesas, refeições e bebidas, como coadjuvantes. Incluindo cenas mais estendidas de personagens sentados lado a lado. O que gera um clima mais natural e intimista, onde o telespectador se sente como um personagem, que está sentado à mesa, dialogando com os demais.

Hong se aprofunda nas minúcias dos comportamentos e relações, colocando algumas de suas vivências cotidianas nos filmes, os tornando mais compreensíveis, universais, com uma maior facilidade em criar vínculo com os telespectadores, que podem ter experiências parecidas.

Hotel Às Margens Do Rio. Um Refúgio Para Encerramentos E Recomeços
Foto: the cinema guild

O filme acaba se repetindo em algumas ocasiões, principalmente, em diálogos, que podem representar a espontaneidade do protagonista masculino, que está mais aberto e menos filtrado, devido ao sentimento de morte próxima. Além disso, uma voz é usada para registrar os pensamentos de personagens, utilizada como um elemento que revela mais sobre o que acontece.

Boa parte das conversas acontece em ambientes fechados, sendo dentro do hotel e num restaurante próximo, mas o espaço externo também é importante. Já que o rio do título e, principalmente, a paisagem repleta de neve são mencionados pelos personagens. O que leva a enfatizar a fotografia do filme, feita por Kim Hyung Koo, realçada pelo preto e branco, com longos planos, onde a neve parece nunca acabar e tudo parece meio místico.

Hotel Às Margens Do Rio. Um Refúgio Para Encerramentos E Recomeços
Foto: the cinema guild

Outro aspecto de Hong são protagonistas femininas frágeis, rendidas e que admiram protagonistas masculinos. O fascínio que o poeta manifesta pelas duas amigas soa algo artificial e incomoda. Além disso, existe um desequilíbrio entre as narrativas, já que a trama do poeta tem um desenvolvimento maior, ocupando muito mais tempo e espaço. Enquanto isso, a história de Ah Reum é deixada de lado e não cumpre todas suas funções.

Ao final do longa, mesmo que ambas as narrativas pareçam não ter nada em comum, elas acabam se encontrando, com a alternância de diferentes perspectivas que emanam dos dois dilemas. Ah Reum decide continuar a vida e dar a volta por cima. Já o poeta, em contato com seus filhos, aceita o fim de um ciclo, que é a aceitação de sua morte.

Hotel Às Margens Do Rio. Um Refúgio Para Encerramentos E Recomeços
Foto: the cinema guild

Hotel às margens do Rio é um filme intimista, lento, com personagens complexos, que têm suas camadas reveladas a cada diálogo e é necessário esquecer da lentidão para aproveitar o filme.

Veja o trailer:


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