Memórias de Um Assassino | Memories of Murder | 살인의 추억 | Ano: 2003 | Duração: 2hr 7min | Diretor: Bong Joon Ho | Classificação Indicativa: +18


Entre os anos de 1986 e 1991, em Hwaseong, na província de Gyeonggi, na Coreia do Sul, pelo menos 9 mulheres, com idades entre 14 e 70 anos, foram estupradas e assassinadas, pelo intitulado, ‘Serial Killer ou Psicopata de Hwaseong, Assassino do Zodíaco Coreano’.

O caso teve grande repercussão, já que os assassinatos seguiam um padrão, as vítimas eram abusadas sexualmente, além de serem amordaçadas e amarradas com suas próprias roupas, geralmente roupas íntimas. Os crimes sempre ocorriam em noites chuvosas.

Esse caso polêmico, trouxe diversas adaptação e uma delas é a de Bong Joon Ho ‘Memórias de um Assassino’, lançado em 2003.

Após a morte de uma jovem, os detetives Park Doo-Man (Song Kang Ho, de Parasita) e Jo Yong-koo ficam responsáveis pelo caso. Com o aumento do número de vítimas, sempre seguindo um padrão, Seo Tae Yoon, um investigador de Seul é enviado para trabalhar no caso e está convencido de que é há um serial killer.

Com o tempo os assassinatos vão ficando mais frequentes, gerando uma grande pressão do governo e da mídia para a resolução do crime, levando os investigadores a ficarem obcecados, agindo de forma hostil e brutal com possíveis suspeitos.

FOTO: vortexcultural

Diferente de diversos filmes de suspense policial, onde a investigação é fácil e o culpado é pego, temos uma trama mais complexa, pois o assassino está sempre um passo à frente da polícia, tornando-os atrapalhados e incompetentes. O assassino parece sempre estar brincando com os policiais, sempre seguindo um padrão e dando dicas, de que irá cometer um crime, sempre levando a pistas falsas e locais errados.

As negligências e abusos dos policiais são diversas vezes representadas no filme, usando de violência para gerar testemunhos e fazer com que possíveis suspeitos confessem. Principalmente, com um possível suspeito que tem problemas psicológicos.
Mostrando o que as personagens estão dispostas a fazer em nome da lei e para achar o culpado.

O diretor usa bastante da fotografia e de paletas de cores nas narrativas, utilizando de tons acinzentados, para trazer mais tensão, principalmente, nas cenas dos crimes e no descobrimento dos corpos.

FOTO: filmstarts

A narrativa traz 3 personagens totalmente distintas e opostas, mostrando um grande contraste no nível de profissionalismo dos policiais de cidade pequena e os de cidade grande.

Com diversos momentos de tensão, o filme traz cenas na perspectiva do assassino, seguindo duas possíveis vítimas, que só são descobertos mais tarde. É neste momento, que o telespectador, assim como o assassino, escolhe a vítima.

Essa história já foi contada em dramas como Tunnel e Signal, porém a televisão tem suas censuras, já o filme tem uma liberdade maior, mostrando cenas brutais e abordando tudo mais seriamente.

Nas cenas finais do longa, após um salto temporal, vemos um dos investigadores visitando uma das cenas do crime, uma criança lhe aborda e diz que ele não foi o único a ir até o local. Ao ser questionada sobre quem foi até lá, a criança solta, “Ele era comum”, assim como o perfil do suspeito que a polícia tinha.

Na investigação real houveram milhares de oficiais envolvidos e um grande número de suspeitos surgiu, 20.000, aproximadamente. Algumas evidências e relatos de testemunhas descreveram o assassino, sendo um homem alto, com idade por volta dos 20 anos, cerca de 1,65 a 1,70 de altura.

FOTO: planocritico

Assim como a vida real, o filme não possui um final feliz, mostrando a investigação fracassada e a frustração dos investigadores por não achar o culpado. De certa forma, esse caso trouxe uma evolução nas formas de investigação e na forma de agir dos policiais.

Até 2019 o serial killer não havia sido pego, com as tecnologias atuais, a polícia identificou um homem de 56 anos como suspeito de pelo menos 3 dos homicídios. O suspeito admitiu ter cometidos 15 homicídios incluindo, 5 desconhecidos pela polícia, que foi cometido em Hwaseong e Cheongju, além de ter confessado mais de 30 abusos sexuais.

O assassino, Lee Choon-Jae está cumprindo prisão perpétua desde 1995 por estuprar e matar sua cunhada em 1994.

O prazo de prescrição, tempo existente para processar o responsável pelo crime, que na época era de 15 anos, já foi expirado, então, mesmo com os depoimentos detalhados do assassino, ele não será julgado por todos os assassinatos cometidos. Porém, as revelações fizeram com que suas chances de liberdade condicional fossem reduzidas.

Memórias de um Assassino foi bem recebido pelo publico e pela critica, sendo premiado e exibido em vários festivais internacionais de cinema, incluindo Cannes, onde Bong Joon-Ho levou premio de melhor diretor.

Foi um pouco dificil encontrar um trailer para este filme com legenda. Conseguimos apenas em espanhol.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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