Título: Mari Iyagi | Hangul: 마리이야기 | Ano de produção: 2002 | Direção: Seong Kang Lee | Duração: 86 minutos |Classificação: 10 – Não recomendado para menores de 10 anos | Disponivel na Netflix

A realidade na qual vivemos nem sempre é fácil. A ausência de familiares e amigos, dificuldades financeiras, e dificuldades de se encaixar na sociedade, estão entre as muitas barreiras que dificultam a nossa vida.

As dificuldades da vida e o tédio constante, muitas vezes, nos levam a buscar refúgio em sonhos, onde fugimos das responsabilidades, dores, desconfortos e solidão, e encontramos, amor, felicidade, simplicidade e até magia. A busca por um subterfúgio nos sonhos, às vezes, pode impedir o amadurecimento, por ser uma escolha mais fácil, e um tanto procrastinadora, dificultando a volta à realidade, por mais monótona que seja. E quanto mais tempo se passa sonhando, menos tempo se vive.

FOTO: IMDB

É assim que o personagem de Minha linda garota Mari, vive.

Kim Nam-woo, é um rapaz que vive relembrando sua infância em uma cidade litorânea.
Durante a infância Nam-Woo tem de lidar com seu medo de ser abandonado, ausência de seu pai e a partida de seu único e melhor amigo para Seul.

Para escapar, vai para um mundo de sonhos. Um dia Nam-Woo descobre uma estranha bolinha de gude brilhante, que transforma o farol perto de sua casa em um mundo fantástico. Lá conhece uma garota chamada Mari. Depois de ir a esse mundo, ele nunca mais será o mesmo. A história é sobre Nam-woo descobrir a si mesmo e crescer.

FOTO: Anime Kun

Este filme, além de emocionar, fará você pensar sobre sua infância e possivelmente, lhe fará olhar antigos álbuns de fotos.

Esta é uma animação bastante similar as do estúdio japonês, Ghibli, como Meu Amigo Totoro e Sussuros do Coração, tendo, da mesma forma, elementos de análise e compreensão individual.

FOTO: Anisearch

De início, vemos Nam-Woo adulto (dublado por Lee Byung-hun, de Mr. Sunshine), em seu ambiente de trabalho, vivendo no automático, parecendo distraído. Após ver um pássaro branco na nevasca, ele recebe uma ligação, que descobrimos ser de um colega de infância, Jun-ho, com o qual ele não fala há muito tempo.

Eles se encontram e relembram da infância e de colegas de classe. Logo, somos transportados para a infância de Nam-Woo e contemplamos uma bela paisagem litorânea, com um porto e um farol.

Nam-Woo não ganha simpatia de início, por ser quieto, parecer rude e mimado. Ele sempre ignora a todos, exceto, sua mãe, Jun-ho e seu gato, Yeo. Pouco se sabe sobre o pai falecido, mas podemos ver como Nam-Woo sente sua falta, e não quer que o novo “namorado” da mãe o substitua.

FOTO: imdb

Jun-ho e Nam-Woo brincam na região do farol desativado, Nam-Woo tem aquela área como seu refúgio, se sentindo melhor no local e principalmente, embaixo d’água.

Nam-Woo possui trauma de abandono, desde a morte de seu pai. Seu único amigo está prestes a ir estudar em Seul, sua mãe, viúva, quer seguir em frente, seu gato vive sumindo e sua avó está doente e sente que sua morte está próxima.

Um dia Nam-Woo encontra uma bola de gude especial no farol, que lhe transporta para um mundo de fantasia. Jun-Ho não acredita no amigo, de início, mas, logo, ambos vão para o mundo de Mari e agora, só eles compartilham esse segredo.

FOTO: imdb

A animação traz questionamentos como suicídio e o que ocorre quando alguém tira a própria vida. Além de lições sobre amadurecimento, sobre seguir em frente e deixar pessoas queridas partirem, algo que Nam-Woo evita durante grande parte do filme.

Durante o filme, fica a critério do telespectador julgar o que é real e o que não é, mesmo sendo difícil a distinção.

No fim, temos diversas despedidas e sacrifícios, depois voltamos para o presente, onde os amigos se separam novamente e Nam-Woo parece estar bem com a situação.

FOTO: Anisearch

Em seu monólogo final, Nam-Woo conta que voltou a cidade e que tudo parecia o mesmo, mas havia um sentimento estranho, ele estava diferente. Ele amadureceu durante sua jornada no mundo de Mari, aprendeu a seguir em frente, mas que se esqueceu das aventuras vividas.

O filme traz belas paisagem, mesmo sendo um filme de baixo orçamento,
e brinca com uma paleta de cores claras para evidenciar o mundo dos sonhos. Já era de se esperar que estaria em premiações, tendo vencido o Grand Prix (Melhor Longa-Metragem) no 26º Festival de cinema de animação de Annecy, um dos grandes festivais de filmes da França.

FOTO: Netflix
FOTO: IMDB
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O filme pode representar muitos de nós, que desejamos em algum momento fugir da realidade, através da nossa imaginação, criando cenários ilusórios, com histórias fantásticas, lugares, amigos e amores imaginários.


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