Fonte: Netflix

A Caminho do Céu | Hangul: 무브 투 헤븐: 나는 유품정리사입니다 | Ano: 2021 | Gênero: Drama | Episódios: 10 | Produção: Netflix

Hoje o nosso papo de k-drama vai ser sobre uma obra sensível que eu aposto que consegue fazer qualquer pessoa chorar. Qualquer pessoa.

A Caminho do Céu, lançado em maio desse ano pela Netflix, apresenta a sinopse “Toda morte tem uma história. Nós damos vida eterna às suas histórias nunca contadas. Nós vamos ajudar você em seu próximo passo.”

O drama é inspirado em uma história real, no texto de não-ficção publicado por Kim Shae-Byeol em 2015 de nome “Ddeonan Hooe Namgyeojin Geotdeul” (em tradução livre para o português, “As coisas que deixamos para trás”). O autor, Kim, foi o primeiro sul-coreano que trabalhou no que podemos chamar como “faxineiro de trauma”. Confira o trailer do drama:

 

A obra gira em torno de uma pequena empresa, a Move to Heaven, cuja função é limpar e organizar as coisas de pessoas recém-falecidas. Em cada episódio, então, há uma história trágica diferente. Os “faxineiros de trauma”, como eles mesmo se chamam, mergulham na antiga vida de cada um, descobrindo detalhes profundos sobre os falecidos a partir apenas da interpretação de seus antigos pertences pessoais. O roteiro é de Yoon Ji Ryun (também foi roteirista de Boys Over Flowers) e a direção de Kim Sung-Hoo, que antes só trabalhou com filmes, sendo este seu primeiro drama (uma estréia impecável!).

As histórias são umas mais tristes que as outras e tocam tópicos extremamente sensíveis que se tratam não só da morte humana mas, principalmente, da vida. Aborda também questões sociais relevantes, como feminicídio, homofobia e abandono na terceira idade.

Han Geu-Ru (Tang Joon-Sang, atuou em Pousando no Amor), personagem principal, é um jovem com Síndrome de Asperger, transtorno do espectro autista que o faz ser desajeitado com interações sociais e ter dificuldade de entender/interpretar sentimentos alheios. Ele é quem conduz o trabalho de faxina de traumas durante a série e, em sua própria maneira, aprende a interpretar sentimentos das pessoas falecidas a partir dos objetos que possuíam. Tudo que Geu-Ru considera que foi importante na vida do indivíduo é colocado numa caixa amarela e entregue para a pessoa que era considerada a mais importante para o falecido.

A Caminho do Céu [Drama]
O que seria colocado na sua caixa amarela? E para quem ela seria entregue? (Fonte da imagem: Netflix)

Enquanto Geu-Ru tem morais fortes, é perfeccionista e leva o trabalho a sério, entra na trama um personagem oposto a ele e a quem precisa aprender a lidar: Cho Sang-Goo (Lee Je-Hoon), seu tio que acaba de conhecer. Sango-Goo é ex-presidiário, um homem bruto e (à primeira vista) insensível que só se importa com o dinheiro do sobrinho.

A Caminho do Céu [Drama]
Sang-Goo (esquerda) em seu “emprego” (extremamente ilegal, diga-se de passagem). Fonte: Netflix.

Além da dupla, há a personagem secundária Yoon Na-Mu (Hong Seung-Hee, esteve em Navillera), vizinha e melhor amiga de Geu-Ru. Ela se importa muito com o amigo e está sempre cuidando dele de forma fofa, dando um toque de humor à história com seu gênio forte.

Com participação breve, há os idols de k-pop Choi Soo-Young (Girls Generation) e Yang Hong-seok (Pentagon), que atuam respectivamente como assistente social e policial civil.

A Caminho do Céu [Drama]
A belíssima Sooyoung do SNSD mostrando seu talento também na atuação. *Gee tocando suavemente no fundo* Fonte: Netflix

Durante a trama, apesar de cada episódio contar a história de falecidos diferentes, o espectador também acompanha o desenvolvimento dos personagens que trabalham na Move to Heaven – que, diga-se de passagem, não se dão nem um pouco bem no início. Aos poucos você vai descobrindo detalhes sobre o passado de de Geu-Ru e Sang-Goo e passa a entender suas personalidades, seus medos, seus pecados. Graças à ótima atuação, sua visão sobre o Sang-Goo se transforma da água para o vinho e te aviso que talvez você precise pausar um episódio ou outro para chorar em posição fetal (não que eu tenha feito isso, claro).

O desenvolvimento de Geu-Ru também é intenso mas, diferente de seu tio, ele é um personagem cativante desde o primeiro episódio. Apesar de fazer um trabalho incrível no Move to Heaven e ajudar os falecidos a seguirem seu caminho (como ele mesmo explica fazer), durante o drama ele passa por intensos estágios de luto, como o isolamento e a negação, intensificados pela sua síndrome. Só digo uma coisa: prepare a caixa de lencinhos. E também se prepare para se tornar tão protetor(a) com o Geu-Ru quanto a amiga dele Na-Mu.

Ambos personagens, tio e sobrinho, além das personalidades opostas, também representam formas diferentes de lidar com o luto: Geu-Ru, a negação, Sang-Goo, a raiva. Dessa forma, eles se completam e acabam se entendendo à própria maneira.

A Caminho do Céu [Drama]
Tio e sobrinho, ying-yang. Fonte: Netflix.

O drama te faz sentir muito. Muitas coisas. Empatia, tristeza, arrependimentos. A partir da reflexão da vida e morte dos outros, você passa a refletir sobre sua própria vida, sobre o que (e quem) é importante a você. A sensação é como se você se desenvolvesse junto aos personagens.

De forma sensível, te traz dor e também satisfação, te faz sorrir no meio do choro.

A Caminho do Céu [Drama]
O screencap não é só para mostrar a fotografia linda da série, mas também para exemplificar uma cena em que eu ~talvez~ (não confirmo mas também não nego!) tenha sorrido no meio do choro. Fonte: Netflix.

O fim da temporada de A Caminho do Céu acaba com um mistério e muitas questões em aberto, dando a entender que vem aí uma segunda temporada, como é comum em produções da Netflix. Porém, ainda não há confirmação da renovação por parte da plataforma de streaming, então vamos ficar de dedos cruzados!

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