Uma das problemáticas encontradas em meus estudos no mestrado é reconhecer e diferenciar tradição, cultura, arte e identidades e suas representações. Em uma aula de História Cultural do mestrado me pus a pensar nas separações de culturas que qualquer sociedade passa ao longo da história.

Vou sempre voltar e reiterar um aspecto base: A modernização sul coreana aconteceu de forma extremamente rápida, e sabemos que tudo que é construído rápido gera problemas. A identidade a ser construída com a divisão nacional após a Guerra da Coreia (1950-53) acumulou uma quebra das tradições, uma separação da introduzida cultura japonesa e sofreu em longo prazo (ouso dizer que ocorre até hoje) de aplicação da “Americanização”.

A divisão da cultura tradicional e moderna é tão complexa quanto entender as relações que levaram a divisão nacional. Acumulando legados oferecidos de uma colônia japonesa e da fixação territorial de americanos (dos Estados Unidos), a Coreia do Sul, tem uma cultura completamente da diferente da oferecida no Reino Joseon.

Uma coisa curiosa é voltar justamente nessa Coreia medieval (Joseon) e refletir sobre o que era cultura daquela época. Oras, afinal, Joseon foi a Dinastia que consolidou um país e definiu características de uma nação, mesmo que intelectualmente, fossem estabelecidos pensamentos de Confúcio.

As unidades  de identidade são construídas de um jogo de poder e exclusão. Na Coreia do Sul, a democratização levou a tentativa de exclusão de influências japonesas (aquele sentimentalismo ofendido deveria ser excluído), mas persistiu na atuação de culturas ocidentais que ‘promoviam’ a reconstrução do país.

De um ponto de vista coreano, a atuação do ocidente na cultura popular massificava o comércio, materialismo,  violência e sexualidade. Tais quais aparecem bem nos filmes de 1954 a 1960 quando o cinema, tal qual todo país, se transformava.

E com isso, as influências traziam aspectos individualistas que ajudou na crise de consciência de identidade cultural coreana.

Com objetivos bastante irresolutos, algumas políticas culturais procuravam resolver os problemas. Em destaque, o governo de Park Chung Hee estabeleceu o “Plano máximo de cinco anos para o desenvolvimento cultural” de 1974 a 1979.  Este foi o primeiro plano de longo prazo por uma política cultural. Um dos principais objetivos da política cultural,  era estabelecer uma nova identidade cultural, destacando uma tradição cultural específica (Ministério da Cultura e Informação, 1973).

Com dificuldade, as culturas tradicionais até hoje são exaltadas e admiradas, mostradas para todo o mundo, toda sua beleza e significado. Mas como algo delicado, não podemos dizer que é o que define a Coreia do Sul hoje. É por isso que nem tudo o que parece ser é aquilo realmente. Consagradas como uma cultura rica e milenar é sem duvida, um patrimônios da humanidade. Mas assim como toda nação do mundo globalizado, enfrenta dificuldades para gerir essas culturas tradicionais.

Por exemplo, a onda Hallyu, tão bem conhecida pelos leitores aqui do site, pode mesmo ser considerada um aspecto da identidade da cultura coreana ou é apenas um reflexo da modernização acelerada dançando a passos da cultura externa?

Você leitor, saberia identificar hoje, aspectos de uma cultura tradicional e uma cultura contemporânea?  Aguardo respostas, para estimular ainda mais pesquisas neste ramo.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



1 COMENTÁRIO

  1. Acho que a globalização tende a deixar todas as culturas (jovens/imediatas) muito parecidas no entanto, afirmar que isso pode destruir ou mesmo minimizar a cultura tradicional de um país é muito perigoso.
    Quem gosta de Coréia vai atrás da Cultura Tradicional que envolve idioma, comidas e até instrumentos de música.
    Eu por exemplo, estudo japonês desde 2014 e apesar de gostar muito de animes, gosto do Japão feudal, de gueixa e samurais pois lugares como Shibuya existe em qualquer país.
    Retornando à Coréia, Descendents of the Sun é muito bom, mas nada supera um drama de época ou que traga as crenças coreanas como Scarlet e Goblin.

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