Olá leitores do Koreapost!! Este portal, famoso por levar o melhor conteúdo sobre a Coreia agora conta com mais uma coluna mensal. A proposta desta nova coluna vem do meu desejo de analisar mais profundamente o sentido nacional e a construção da nação coreana, através da história.

Em uma breve apresentação, sou formada em História pela USP, e foi em uma exposição na biblioteca da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas que tive meu primeiro contato com a cultura e língua coreana, em 2011. Desde então me encantei a ponto de assistir k-dramas, me apaixonar demais pela língua coreana, e começar a estudar a história e cultura do país. E quanto mais estudava, maior a necessidade de saber muito mais, e então em 2012, nasceu o desejo de me especializar em história e cultura coreana. Eis que atualmente faço meu mestrado com o tema sobre história, identidade nacional e cinema sul coreano, pós Guerra da Coreia (19950-1953). Estudei coreano por 18 meses na Keimyung University, em Daegu (próximo a Busan) e claro que não deixei de estudar e me aprofundar nos estudos da língua o que facilita imensamente meus estudos.

Andei por cidades como Pohang, Andong, Gyeonju, Busan e claro, explorei cada local possível em Seul.  Vivenciei a cultura da melhor forma possível (vivendo) e tudo isso estruturou ainda mais meu pensamento em relação aos meus estudos sobre a Coreia.

Enfim, encontrei a oportunidade de compartilhar todos meus estudos e experiências através desta coluna, chamada ‘Cores da Coreia’ com os leitores do Koreapost e espero que desfrutem bastante, pois será prazeroso escrever. Serão textos mensais, e o objetivo é trazer mais informação e detalhes da construção da identidade nacional e o poder que realmente construiu e ainda constrói a Coreia do Sul que conhecemos hoje: o próprio povo.

Os temas estão divididos nas cores nacionais, que são:

Preto: A cor das resenhas e análises de filmes antigos, de 1950 a 2004, e com a análise vou falar dos fatores sociais e políticos e principalmente do nacionalismo explícito nos filmes.

Vermelho: Falaremos sobre a Guerra da Coreia, em um aprofundamento, como um memorial  explicando o que for preciso sobre o desenvolvimento ao fim da guerra, além das consequências.

Branco: A cor branca apresentará os movimentos feministas atuais, as manifestações e reivindicações que acontecem quase todas as semanas.

Azul: Biografias de pessoas que lutaram pelo país desde a colonização japonesa.

Amarelo: Uma perspectiva cultural/de identidade nacional a partir de movimentos sociais desde 1900.

Há muito o que apresentar e trazer a todos vocês!

Então vamos começar com uma pequena introdução ao sentido de nacionalismo para a Coreia.

Como entender o senso de nacionalismo, para os sul-coreanos? Entender conceitos de identidade nacional e nacionalismo é complexo, e claro, exige muito estudo e análise.

Sem deixar a academicidade de lado, digo aqui que é preciso analisar e distinguir o país moderno e o nacionalismo como forma de identificação, levando em conta de que a sua cultura não distingue a etnia ou define a identificação nacional. As pessoas de um país podem se sentir representadas dentro do conceito nação e o nacionalismo se identifica através de religião, classes sociais, raciais, linguísticas, gênero e fatores históricos em comum. Mas a identidade nacional também passa por mudanças históricas, ou seja, são mutáveis.

Mas para entender a importância do nacionalismo para os coreanos, é preciso analisar três principais conceitos filosóficos de grande significância à Coreia.  Refiro-me as definições de Minjoong, Minjok e Haan.

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Minjoong é a fundamentação filosófica dos três. Direciona-se àqueles que são politicamente oprimidos, explorados economicamente, afastados socialmente e desconsiderados nas questões educacionais e intelectuais, segundo o autor da ‘Teologia Minjoong’ de Namdong Seo (1983). É um conceito que introduziu o crescimento e respeito pessoal da nação coreana em ordem de se recuperar da desestruturação nacional e social devido à ocupação japonesa, a Guerra da Coreia e a divisão do país. Essa fundamentação está presa a uma cultura da classe mais simples e relacionado ao conceito Minjok, por tratar de conceitos de homogeneidade e nacionalidade.

Minjok é o mais importante dos pensamentos para entender a identidade nacional e história da nação. É um conceito do senso comum sobre a identidade e nacionalismo.
Se estrutura pelo princípio de que uma nação parte de uma determinação histórica e um processo mais profundo, espiritual e de alma. Esse conceito possui ambas as determinações, emocionais e racionais, da quais se ligam com o senso patriótico, devido à memória das Revoltas independentes contra o Japão no período de colonização.

Como uma parte de um processo cultural que influencia uma nação, o cinema nacional produz significados culturais de continuidades e descontinuidades  históricas além de experiências da nação. Para a Coreia, a habilidade de entender a construção de linguagem pode não explicar tudo sobre a nação. Em adição a narrativa, o conceito Haan  deve ser adicionado.

Assim, por ultimo, o conceito  Haan deve ser interpretado como todo fenômeno cultural e artístico na Coreia. Isso porque, podemos interpretar este conceito como o desenvolvimento emocional expressado materialmente.

A palavra Haan descreve o coração de uma pessoa ou pessoas que passaram por dor, conflitos e possuem feridas. E suas cicatrizes não estão aparentemente visíveis, pois ocorrem por essência, sentimentalmente, nas pessoas. Ao acumular sentimentos, o Haan (sempre experiências dolorosas e negativas) explora meios materiais de expressão. Quando o Haan torna-se uma consciência coletiva, as emoções podem se manifestar de forma física. E quando isso acontece, Haan torna-se uma energia dinâmica que pode ser direcionada, construtiva ou destrutivamente para os outros ou para o próprio individuo. Ou seja, Haan são emoção e energia na qual resultam consequências favoráveis ou não.

Haan tem sido o tema central das artes coreanas, incluindo o cinema após a separação. O Haan foi romantizado e explorado através dos enredos, tornando o Haan visível, e cheio de manifestações nos filmes.

Ligando os conceitos acima citados, concluímos que o sentimento nacionalista vem de sua historicidade em comum, a ofensa sentimental gerada por opressões e guerras e a aglomeração de toda uma sociedade em prol da representação externa dos sentimentos que envolvem as mesmas memórias, lutas e abalos, e busca pelas solidificações nacionais para si mesmos e para o mundo.

É complicado? É sim, e vamos tentar entender melhor através da nossa coluna mensal. Então espero que desfrute ao máximo e acompanhe nossos descobrimentos através das cores que representam a Coreia do Sul.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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