A Política na Península é a nova coluna política do Koreapost! A nossa missão é manter todos os leitores do nosso blog informados sobre os assuntos mais importantes no que tange às dinâmicas políticas da península coreana. Sendo assim, essa coluna se propõe a ser um espaço não apenas de reportagem, mas sim de análise e de reflexão sobre as tomadas de decisões feitas pelos governos sul e norte-coreanos, a fim de promover o pensamento crítico sobre a Coreia e suas relações internacionais. Espero que aproveitem!

Em declaração oficial feita na Casa Azul no início do mês, o Chefe de Imprensa do governo sul-coreano, Yoon Do-han, anunciou a reunião que será realizada hoje entre o Presidente Moon Jae-in e o Presidente norte-americano Donald Trump.

Dentre as pautas a serem discutidas, a questão nuclear norte-coreana e a aliança Coreia do Sul-Estados Unidos são aquelas consideradas pontos-chave nas conversas.

Yoon Do-han afirmou que “ambos os líderes irão discutir meios de fortalecimento da aliança Coreia do Sul-EUA e a cooperação no estabelecimento da paz na península coreana por meio da desnuclearização completa”.

Esta nova reunião surpresa se dá em um contexto de estagnação das negociações entre EUA e Coreia do Norte, estas descontinuadas após o resultado negativo do encontro dos líderes realizado em Hanói, Vietnã, em fevereiro deste ano. Por não terem alcançado um consenso, Trump e Kim Jong-un terminaram pela segunda vez uma cúpula sem nenhum acordo assinado, e deste então Pyongyang e Washington não decidiram os próximos passos.

Donald Trump e Kim Jong-un se saúdam na abertura da segunda cúpula EUA-RDPC, realizada em Hanói, em fevereiro de 2019 (Foto: Evan Vucci/AP)

Durante o evento, Trump afirmou que o governo norte-coreano não estava disposto a renunciar de seu programa nuclear e em seguir os passos em direção à desnuclearização. Por outro lado, Kim argumentou que Washington não pretendia reduzir as sanções econômicas impostas à Coreia do Norte em troca da desnuclearização.

A resposta da Casa Azul foi crítica no que tange ao resultado de Hanói. “Isto não é de nenhuma forma benéfico para o nosso interesse nacional ou ao futuro da península coreana“, Moon afirmou. “Tais tentativas podem ser consideradas como irresponsáveis, especialmente quando relembramos o estado crítico que vivemos até o lançamento desse novo canal de diálogo“.

Assim, Moon Jae-in busca alcançar neste encontro com Trump uma forma de exercer seu papel de mediador e facilitador no conflito. Tal comportamento parte de uma demanda norte-americana que vê em Moon uma peça essencial de aproximação entre EUA e Coreia do Norte.

Um oficial da Casa Azul disse que durante um telefonema, Trump pediu à Moon Jae-in para ajudar “a levar a Coreia do Norte a um alcance próximo de um resultado nas negociações de desnuclearização”. Ademais, o Presidente norte-americano pediu que Moon discutisse a questão nuclear com Kim Jong-un.

Contudo, na contrapartida sul-coreana, realizar tais tratativas com Donald Trump também é de interesse de Moon Jae-in, uma vez que seu partido (Partido Democrático) apresenta níveis menores de popularidade entre os eleitores sul-coreanos. Com a promessa de estabelecer um diálogo contínuo e aberto com Pyongyang, a falta de resultados tangíveis na questão nuclear norte-coreana afetou a aprovação do governo frente ao público.

Além disso, o resultado das votações locais para os dois assentos vagos no parlamento sul-coreano, uma conquistada pelo partido de oposição LKP (Partido de Libertação da Coreia, mesmo partido da ex-Presidente Park Geun-hye) e outra pelo pequeno Partido da Justiça, demonstrou o fracasso do esforços do partido que está em poder em vencer essas eleições.

Servidores administrativos na zona eleitoral checam a identidade de eleitora nas eleições preliminares do parlamento, no Centro Comunitário de Seosin-dong, no Norte da Província de Jeolla (Foto: Yonhap)

Tal fator é preocupante, pois os partidos políticos veem nestas eleições preliminares um prelúdio ao possível resultado das eleições gerais que serão realizadas em abril de 2020 para os outros assentos no Congresso sul-coreano.

De qualquer forma, Moon afirmou que espera uma resposta positiva da Coreia do Norte ao encontro entre ele e Donald Trump, já que é parte do esforço em reiniciar as conversas de desnuclearização com o Norte. “Eu espero que a Coreia do Norte responda positivamente aos esforços de Seul e Washington“, ele afirmou.

O Presidente sul-coreano disse que trabalhará com Trump a fim de superar obstáculos e achar novos caminhos para a paz. “Se nós trabalharmos bastante, nós conseguiremos”, declarou. “Tal pensamento positivo nos levará à um resultado positivo”.

O encontro entre EUA e Coreia do Sul acontecerá durante um importante evento do parlamento norte-coreano (Foto: CNN)

Paralelamente, em Washington, a Ministra das Relações Exteriores da República da Coreia, Kang Kyung-wha, encontrou o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, e relatou aos repórteres que ela concordou em continuar a pressão sobre a Coreia do Norte a fim de conseguir concessões tangíveis de seu arsenal nuclear. “O que é mais importante neste estágio pós-Hanói é reiniciar as negociações entre RDPC e EUA”, afirmou.

Percebe-se, portanto, que o encontro entre Moon Jae-in e Donald Trump configura uma nova página nas tratativas da questão nuclear norte-coreana. É nítido que, apesar de todos os entraves políticos e econômicos concernentes ao assunto, nenhum dos países envolvidos deseja voltar à situação anterior de nenhum diálogo. Por meio da diplomacia, EUA, Coreia do Sul e RDPC buscam continuar a procurar por convergências, o que demonstra que este novo capítulo de conversas pode resultar na primeira oportunidade desde Hanói a gerar resultados positivos na questão.


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