Hoje reiniciamos a coluna KP TRAVEL, agora capitaneada por mim, Charles Martins e como primeira postagem nós fizemos uma entrevista com a nossa Editora de Conteúdo, Simone Ribas Sparsbrod, sobre a sua recente visita à Coreia.

Como foram os preparativos para fazer essa viagem dos sonhos de nossos leitores?

Bom, eu decidi fazer esta viagem relativamente em cima da hora, pois este ano eu fiz 50 anos e queria fazer algo diferente no meu aniversário. Mas depois de ver o preço para fazer uma festa, optei por me dar a viagem de presente. Essa decisão foi em Maio… A partir daí eu usei um Guia Turístico que peguei num evento da comunidade coreana em 2014 (meu primeiro evento) e usei também toda a minha experiência na edição de textos para o Koreapost para escolher os lugares que queria visitar.

Como ficaria pouco tempo eu optei por visitar apenas Seul e Busan desta vez. Mas eu queria mais com menos então, estudei muito as localidades e o mapa das duas cidades, pesquisei, falei com coreanos que conheciam bem os arredores e montei um “super roteiro” para conhecer o máximo de coisas possíveis em 16 dias. E deu certo!

 

Apesar de sofrer algumas alterações durante a viagem, este foi, basicamente o roteiro da Simone.
Apesar de sofrer algumas alterações durante a viagem, este foi, basicamente o roteiro da Simone, feito numa tabela em word, sem muita complicação.

Chegando em terras coreanas o que mais te chamou a atenção?

Além das coisas de sempre – limpeza, organização e pontualidade dos transportes públicos eu sentia no ar uma tranquilidade incrível. É claro que Seul tinha as correrias de grande cidade mas a tranquilidade a que me refiro é aquela de você saber que suas necessidades básicas – educação, saúde e segurança estão garantidas. Principalmente segurança. Não havia no semblante do povo aquela ansiedade típica que a gente reconhece nas ruas do Brasil.

Observei bem as pessoas nos ônibus e no metrô. A maioria foge daquela “beleza Hallyu” que estamos acostumados. São gente como a gente. A forma de ser vestir é muito variada mas você não vê gente “sem noção” pra se vestir sabe? Nada de decotes profundos, shortinhos muito curtos ou roupas exageradamente apertadas. Parecia que todo mundo tinha uma certa noção de decência. E, ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, não há só gente magra na Coreia. Vi muita gente gorda e até obesa (mas é mais raro).

Qual lugar você quis conhecer primeiro?

No primeiro dia do meu roteiro eu fui na “porta de entrada da Coreia”, no cenário que eu mais via nas “imagens do Google” quando digitava Coreia – No portal de Gwanghwamun que guarda o Palácio de Gyeongbokgung, outro cartão postal. Confesso que ao entrar no Palácio eu chorei de emoção ao ver materializado o cenário que a anos estava gravado na minha cabeça.

G-GATE
Portal de Gwanghwamun
G-PALACE
Palácio de Gyeongbokgung

Neste mesmo lugar tem a estátua do Rei Sejong, que foi uma das mais importantes personalidades da história da Coreia. O que este homem fez pelo seu povo, é realmente incrível!! Depois que eu percebi que não tirei uma foto da estátua do Rei Sejong, mas coloco aqui uma da Internet porque é importante demais para passar batido!

Foto: Korea Tourism Organization.
Foto: Korea Tourism Organization.

Qual comida você mais gostou de provar?

Na verdade eu adorei uma bebida em especial – a “uva-verde-nada”, ou seja, um suco, uma “limonada” feita de uva verde. Provei várias versões – natural, com água gaseificada e em lata!

UVAVERDENADA

Quanto à comida, o que eu mais pedia nos restaurantes era bimbimbap. Primeiro porque eu adoro e segundo porque eu podia comer de colher (vou confessar, não sei comer direito com o chocará – vulgos palitinhos). Mas eu descobri que existem inúmeras variações de pratos que tem como base o arroz mas não se chamam Bimbimbap.

Este foi um dos vários Bimbimbaps que a Simone comeu na Coreia. Num restaurantizinho de "ajumma" em Meyongdong.
Este foi um dos vários Bimbimbaps que a Simone comeu na Coreia. Num restaurantizinho de “ajumma” em Meyongdong.

Então, além de Samgyopsal (panceta de porco) que eu já adorava desde aqui, eu comi muitos pratos com arroz, alguns deles bem apimentados, mas muito gostosos.

Como foi interagir com as pessoas?

Foi muito bom. Achei o povo coreano em sua grande maioria muito receptivo e educado. Teve uns dois ou três empurrões no metrô (e uma situação que conto mais pra frente) mas isso é super comum em grandes cidades. Era engraçado ver como algumas pessoas me olhavam por ser diferente da massa (ainda mais porque tenho cabelo tingido de loiro), mas isso não me incomodou em nenhum momento.

Não tive problemas de comunicação mas isso foi principalmente porque a Duda estava comigo o tempo todo e ela fala coreano fluente. Aliás, eu morri de orgulho porque quase todos os dias tinha um nativo que elogiava o coreano dela! Teve uma vez que uma senhora nos dirigiu a palavra e o senhor que estava ao lado dela disse: “Elas não entendem a nossa língua”, no que a Eduarda retrucou “sim, eu falo coreano” – em coreano é claro. Precisava ver a cara de espanto do homem!

Nos conte um fato inusitado.

Aconteceram diversas coisas muito engraçadas nesta viagem. Mas uma coisa estranha que ocorreu foi que, eu estava filmando um máquina que estava soltando folículos de água (infelizmente não conseguimos por o filme aqui) numa rua de Itaewon (porque estava muito calor) e de repente eu vi uma moça encostada em mim olhando o que eu estava filmando.

Quando eu acabei ela falou “play the video” de uma forma um pouco agressiva e eu não entendi mas dei “play”. Ela assistiu o vídeo depois disse “thank you” e saiu andando. A Duda estava um pouco longe nesta hora mas quando ela chegou perto eu relatei o acontecido.

Ela me explicou que alguns coreanos não gostam de ser filmados e a moça estava querendo checar se tinha saído no meu filme… Porém, eu estava filmando a máquina… Como eu ia saber que ela ia passar? No fim, ela não aparecia mesmo então, saiu andando…

O que mais marcou você nessa viagem, que não esquecerá?

Puxa, provavelmente não esquecerei de nada. Cada dia era mais marcante que o outro. Mas a segunda vez em que eu chorei foi quando visitei a Korea University para onde a Duda vai ano que vem para fazer os 4 anos de faculdade da Bolsa do KGSP.

Aqui vemos a Duda, da coluna Uma Duda na Coreia e filha da Simone, em frente ao prédio principal da Korea University.
Aqui vemos a Duda, da coluna Uma Duda na Coreia e filha da Simone, em frente ao prédio principal da Korea University.

É inacreditável que uma brasileirinha de classe média esteja tendo a oportunidade de estudar num lugar daqueles, numa das três melhores universidades da Coreia, sem nenhum custo para nós pais!! Com as minhas posses isso jamais seria possível, então, minha gratidão ao governo sul coreano será eterna.

Foi em alguma empresa de K-pop?

Sim, andamos pela K-Star Road onde há várias mas fotografei somente o prédio da SM (porque não conseguimos achar o prédio novo da Big Hit), mas tiramos fotos com vários dos ursinhos que representam os grupos de maior sucesso da atualidade.

Prédio da SM.
Prédio da SM
Ursinho do BTS
Ursinho do BTS

Depois visitamos a SMTOWN que é praticamente um museu do K-Pop. É realmente incrível!!

Foi como você esperava?

Foi mais do que eu esperava. Pena que deixamos para o ultimo dia de Seul, senão eu teria voltado para assistir aos shows holográficos que devem ser incríveis.

Casa sala contava a vida e a carreira de um artista. Esta era a da BoA.
Casa sala contava a vida e a carreira de um artista. Esta era a da BoA.

Tem uma dica de lugar para visitar que você gostou e achou diferente?

Eu tenho uma dica que vale para as duas cidades embora em Busan tenha sido fundamental. Aliás, falando em Busan, eu amei a cidade. Ela é moderna, mas é na costa então, tem praias e outras belezas naturais inesquecíveis – imperdível – tem que estar no roteiro de qualquer pessoa que vá para a Coreia.

Trilha no caminho para a praia de Haeundae.
Trilha no caminho para a praia de Haeundae – Busan

A dica são aqueles ônibus hop-on/hop-off. As duas cidades tem essa modalidade de turismo e é ótimo porque te dá uma visão geral dos pontos turísticos mais importantes da cidade. Você compra uma passagem que vale para o dia inteiro e recebe um panfleto com os roteiros dos ônibus. Se decidir descer em alguma parada para ver melhor, você desce e pega o próximo ônibus (cujos horários ficam afixados no ponto que você desce, então, é bem fácil).

Oryukdo Skywalk - Busan
Oryukdo Skywalk – Busan

Se você tem pouco tempo dá pra ver de tudo um pouco e se tem mais dias pode voltar nos lugares que gostou mais.

Que mensagem pode nos deixar sobre essa viagem incrível?

Nossa, gente, foi demais. Eu me senti coroada por todos estes anos trabalhando voluntariamente para a causa da cultura coreana, no SarangInGayo e depois no Koreapost. Eu aprendi a amar este lugar e já sentia saudades dele sem nunca ter ido, então, imagine agora!!

A Coreia é um destino um pouco difícil para nós, pela distância do Brasil, por ter que fazer conexões aéreas em outros países, pelo tempo de voo (em média 29 horas), pelo custo da passagem aérea, mas vale muito a pena.

Se a pessoa se programar ela consegue fazer uma viagem legal sem gastar “a vida”. Há muitas opções de hospedagem, com hostels e guest houses com preços muito acessíveis.

Em Seul o transporte público vai a qualquer lugar e é barato. É só estar preparado para andar bastante e subir muita escada e Busan como eu disse, é imperdível (vá de trem bala) e belíssima!

Eu desejo de coração que todos tenham esta oportunidade!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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