A popularidade do mercado de segunda mão tem aumentado entre os jovens na Coreia, e o uso destas roupas já é considerado moda, uma tendência seguida de consciência ambiental.

No Million Archive, uma vshop localizada em Seongsu-dong, em Seul, mais de 200 pessoas fazem fila antes mesmo da abertura da loja. O edifício, que é uma antiga fábrica reformada, está cheio de roupas de segunda mão. Nos fins de semana, é difícil entrar no local, pois está cheio de roupas e jovens clientes.

O tipo de roupa vendida no Million Archive muda a cada 20 a 25 dias. Jung Eun-sol, diretora da loja, administra os negócios com um estilo único. No verão, ela vendeu apenas camisetas e este mês (até a semana passada) vendeu apenas vestidos.

Jung começou a vender roupas quando ela era caloura na faculdade. Ela se apaixonou por roupas vintage quando foi a uma loja vintage de Hongdae, no oeste de Seul. Depois foi ao mercado de Gwangjang, onde viu filas de brechós e lojas de roupas.

Loja Vintage Million Archive, em Seongsu-dong, Seul. Foto: Koreatimes

Seu negócio teve um começo humilde. Ela teve que ganhar dinheiro para financiar suas despesas de moradia, mas queria fazer algo que amava. Ela encheu sua bagagem cheia de roupas vintage e vendeu perto de uma escola de meninas.

Também tentou administrar uma loja on-line e depois se tornou uma colaboração com a A-land, uma popular marca de moda local. O momento decisivo de sua vida aconteceu quando ela foi para a Inglaterra com o dinheiro que ganhou.

Ela foi ao Brick Lane Market, onde encontrou pessoas que vendiam vários artesanatos. “Foi uma experiência surpreendente, e me inspirei muito ao olhar diferentes tipos de produtos de segunda mão. Havia pessoas que vendiam cartões postais, pessoas que faziam massagens, vendiam artesanato, etc. Essas pessoas e lojas estavam todas em harmonia. Eu realmente gostei de como eles estavam se dando bem”, disse Jung.

“As atividades culturais na Coreia eram muito limitadas na época. As pessoas passavam o tempo comprando e bebendo. Eu pensei que a Coreia também precisava de um espaço onde as pessoas se misturassem, e eu queria começar essa nova onda”, acrescentou.

“Kilo Kilo” é um dos projetos que Jung conduziu na Coreia, inspirado no mercado de Kilo em Brick Lane. As roupas são vendidas, não pelo número de roupas, mas por quilograma. “Vendemos as roupas a 15.000 won por quilograma. Planejamos um projeto de 3 dias, mas terminou após 2 dias “, disse Jung.

Como este projeto, a preocupação final de Jung é em divertir e levar as pessoas a aproveitar sua experiência de compra. Por isso que a maior parte do mercado é movida por eventos e projetos, para produzir maneiras diferentes dos clientes se divertirem.

Ela quer criar uma atmosfera em que os clientes possam experimentar livremente as roupas de que gostam na loja, sem perceber o dono da loja e rir com os amigos. Jung também está ciente do meio ambiente e, ao administrar esse negócio, está contribuindo para a moda sustentável.

Poster do período de venda das camisetas de verão. Foto: Million Archive/Koreatimes

“Sinto-me orgulhosa do que estou fazendo. Moda ética e sustentável aparece nas mídias sociais, mas não enfatizo especialmente o ponto. Quero que as pessoas realmente incorporem o valor, em vez de sentirem pressão pela responsabilidade que precisam cumprir”, disse Jung.

Seu plano é tornar as roupas vintage mais populares para que as pessoas se tornem naturalmente conscientes do meio ambiente e do consumo ético. Em vez disso, ela espera quebrar estereótipos de roupas recicladas. Ainda existem aqueles que rejeitam roupas de segunda mão porque elas foram usadas por outras pessoas.

“Eu acho que vintage é realmente uma roupa nova. Quando pensamos nas décadas de 1970 e 1980, havia tantas roupas únicas. Foi nessa época em que as pessoas romperam com a convenção, a mente tão liberal se refletiu na moda e roupas. Eu só espero que as pessoas vejam esse aspecto do vintage”, disse Jung.

“Há uma razão pela qual as pessoas da moda usam roupas vintage.” Ela também enfatizou como as mulheres coreanas são restringidas pelos tamanhos de roupas oferecidos no país (que são bem pequenos), e hoje, procuram por diferentes tamanhos de roupas dos outros países.

“A maioria das roupas que trazemos são da Europa e dos Estados Unidos. Vendo a diferença de medidas, as pessoas podem ver o quanto as mulheres coreanas usam roupas de tamanho pequeno e como lutamos tanto para nos encaixar nesse tamanho”, disse Jung.

“Espero que mulheres com várias formas e tamanhos de corpo possam visitar nossas lojas e, para isso, tento preparar roupas com vários tamanhos”, acrescentou.

Poster de inverno, anunciando a coleção de blusões natalinos para o inverno. Foto: Million Archive/Koreatimes

Como objetivo principal, ela espera trabalhar com várias criadoras femininas neste negócio. Seu foco é criar um espaço onde as criadoras possam vender seus produtos e apresentá-los aos consumidores com estilo único.

Este poderia ser um lugar onde as pessoas possam promover seus produtos, apoiar-se mutuamente. No momento, estou executando o Million Archive para um passo decisivo. Quando crescer e conquistar mais consumidores, espero criar um espaço onde as atividades culturais floresçam, com feiras e lojas vintage“, disse Jung.

De acordo com uma pesquisa realizada por um dos maiores brechós online, “thredUP”, 50% das mulheres de 18 a 24 anos disseram estar dispostas a comprar roupas em segunda mão. Com base na pesquisa, a thredUp também previu que o mercado mundial de vintage passará de 3,6 bilhões de dólares para 4 bilhões de dólares até 2022, enquanto o mercado de luxo estará em torno de 3,05 bilhões.

“É divertido ver como as roupas de segunda mão estão se tornando uma tendência entre os jovens”, disse Jung.

“Eu acho que eles são inspirados principalmente pelas gerações mais velhas, dos legais e rebeldes. Eles pareciam ter bons momentos naquela época, enquanto hoje os jovens enfrentam uma realidade oblíqua”.

No entanto, ela acredita que a onda retrô não será uma tendência passageira, já que as roupas de segunda mão são um arquivo de vários tipos de roupas de diferentes períodos de tempo.

Em mais de 10 anos vestindo roupas vintage, ela ainda não se sentiu entediada. O Million Archive mais uma vez se transformará neste inverno, trazendo os clássicos suéteres de Natal “feiosos”.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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