Com o assassinato de Kim Jong-nam – irmão do líder norte-coreano, crítico do regime e tido como sob a proteção chinesa – e o endurecimento das relações malaio-norte-coreanas, a relação da China com a Coreia do Norte é novamente alvo de críticas. A China tem sido vista pela comunidade internacional como um player vital na Península Coreana e pende entre a capacidade limitada e o grau de vontade para influenciar a Coreia do Norte. Ainda que a posição oficial seja pela desnuclearização de Pyongyang, Pequim resiste em pressionar o país nos moldes de satisfação internacional.

Trabalhadores de carvão em 2013 na cidade norte-coreana de Sinuiju.
Trabalhadores de carvão em 2013 na cidade norte-coreana de Sinuiju.

Recentemente, a China decidiu suspender as importações de carvão proveniente da Coreia do Norte, uma das principais fontes de moeda estrangeira de Pyongyang, na tentativa de conter o desenvolvimento do seu arsenal nuclear. A Coreia do Norte, por sua vez, criticou a decisão e alegou que a China estaria se deixando influenciar pelos EUA.  Todavia, comparado ao ano de 2015, em 2016 a China aumentou em 14,5% as importações de carvão norte-coreano, mesmo ano em que votou duas vezes para sanções relacionadas a tais compras. Além disso, a China ainda pode alegar futuras transações comerciais sob o manto do dever humanitário.

Chineses protestam contra THAAD e Lotte em frente ao consulado sul-coreano em Qingdao, na China, em 1º de março de 2017.
Chineses protestam contra THAAD e Lotte em frente ao consulado sul-coreano em Qingdao, na China, em 1º de março de 2017.

A retaliação velada da China à Coreia do Sul acerca do THAAD se expandiu para a discriminação às empresas sul-coreanas na China, cancelamento de viagens turísticas corporativas à Coreia do Sul, fechamento de filiais de um dos maiores conglomerados sul-coreanos, protestos populares para a sua saída da China, boicote de consumos de produtos sul-coreanos e prejuízos às apresentações culturais sul-coreanas em território chinês.

O Panorama de Tensão na Península Coreana

Pyongyang já percebeu e busca diluir certa dependência de Pequim, e tem mais potenciais parceiros do que se imagina. Seja com exportação de minerais e de trabalhadores, obtenção de divisas, vendas de equipamentos militares a países africanos principalmente, o ambicioso programa nuclear militar norte-coreano segue em desenvolvimento.

Enquanto no lado Sul da DMZ partes do THAAD acabam de chegar para a implantação, no lado leste o Japão é alvo de mais 4 mísseis balísticos (considerados como resposta norte-coreana ao início dos exercícios militares anuais US-ROK e um teste de ataque contra a base militar dos EUA no Japão) e na parte Norte da Península malaios estão sendo impedidos de deixarem a Coreia do Norte em troca da garantia de segurança aos diplomatas e cidadãos norte-coreanos na Malásia, uma ação que está sendo considerada pelo governo malaio como uma tomada de seus cidadãos como reféns em Pyongyang.

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3 COMENTÁRIOS

  1. Olá
    Texto incrível,parabéns e obrigada por nos proporcionar informações como essa.
    Atualmente estou no 3º semestre de Relações Internacionais e acho fascinante esse assunto ,pretendo fazer o TCC voltado para a península coreana. Você teria alguma dica de por onde devo começar as pesquisas?

  2. Marcelle, quando você acha que o Japão irá parar de assistir passivamente a tudo que ocorre e partir para respostas mais contundentes? Digo, mais do que somente discursos e/ou lobby diplomático.

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