Yuna Kim of South Korea celebrates her second place with the national flag following the flower ceremony for the women's free skate figure skating finals at the Iceberg Skating Palace during the 2014 Winter Olympics, Thursday, Feb. 20, 2014, in Sochi, Russia. (AP Photo/Vadim Ghirda)

Sabemos que a Coreia é um país fortemente machista e sexista, mesmo que fantasiosamente, dramas e ídolos tentam mascarar de todas as formas a realidade de uma tradição baseada na hegemonia de gênero, que determina costumes culturais. Por isso, como já muito abordado pelo Koreapost, principalmente nos últimos meses, a importância do feminismo para as sul-coreanas vem ganhando uma maior atenção.

Na capa deste artigo, temos a grande Kim Yoona, uma das principais atletas do país e um ícone, que define a Coreia do Sul contemporânea. Mas já pensou em como e por quê as mulheres se transformaram dentro da sociedade?

No século XIX a península sofreu as agressões de dominadores ocidentais, que ocidentalizando (leia-se “modernizando”) o Japão, país que, em prol de sua prosperidade, fez da península vizinha, sua colônia, ameaçou a construída, porém não conceitualizada, identidade nacional.

Dentro das estruturas – identidade nacional – o papel da mulher foi moldado principalmente com base no confucionismo, religião e filosofia adotada durante os séculos da Dinastia Joseon. E, de acordo com suas definições, homem e mulher devem ter tratamentos distintos. A mulher existe para exercer funções pré-definidas, de obediência, e de modelo na sociedade.

Dentre as funções, cabe a mulher, todas as responsabilidades domésticas e o dever de ser mãe zelosa e educadora da boa índole dos filhos. Também há distinção de que mulheres são frágeis e o homem é o ser forte da sociedade. A mulher é inferior ao homem, e por isso é dever dela, ser obediente aos homens da família: pai, marido e filhos homens se os tiver durante seu ciclo de vida. Enquanto em sociedade, o papel da mulher se restringe ao confinamento, submissão em prol do bem maior das autoridades masculinas. Entre outras coisas, a obediência sexual ao marido, naturalmente.

Assim denominado e desenvolvido, o conceito do – mulher – dentro na sociedade coreana esta claramente sentenciada como subordinada e inferior.  Obediência era o único comportamento esperado de uma mulher.

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Com a abertura externa do território, influencias ocidentais como religião e costumes foram introduzidos por missionários religiosos e intelectuais. Tanto o Japão, quanto a Coreia experimentaram a inclusão de novos pensamentos em seu cotidiano. E justamente por causa da incorporação ocidental é que a partir do século XIX, o intelectual coreano Choi Jae Woo, da Escola Oriental do Pensamento (Donhak sasang), começou a defender um nacionalismo que advogava pela igualdade das mulheres aos homens (no final e durante a decadência da dinastia Joseon).

O discurso de igualdade pregado entre mulheres e homens gera nas mulheres coreanas uma maior conversão ao catolicismo. Sem contar a descoberta de que mulheres americanas, e na época também as japonesas, começavam a se encaixar na sociedade com varias atividades profissionais fora de casa, e promoviam uma pequena, porém significativa evolução de caráter moral. Para alcançar as potenciais-modelos, se solta o grito da necessidade em modificar o papel da mulher na sociedade coreana: o bom exemplo da nova mulher naquela nova sociedade.

O contexto em que as tradições culturais influenciaram (e ainda influenciam) as relações de gênero, com incontáveis atitudes e práticas puramente sexistas sustentadas por uma cultura tradicional,  agora se depara com os movimentos feministas, principalmente no período pós-guerras, que barram e transformam com dificuldades, as tradições. Isso que menciono, acontece de modo mundial, não é restrito somente a uma Europa ou no caso, à Coreia.

A hegemonia masculina perde espaço para que seja possível explorar as vozes das mulheres. O período pós-guerra da Coreia determinou que mulheres não devessem ser ignoradas, pois na nova e moderna sociedade sul coreana, as habilidades dessas mulheres eram essenciais para o desenvolvimento. Assim, a educação, principalmente, se torna o veiculo fundamental da imposição feminina na sociedade. A reformulação da nação sul coreana, defendia a abolição da discriminação de gênero, do patriarcado, da hierarquia e autoritarismo sexista e incluía direitos à educação, ao trabalho igualitário.

O legado deixado pelos movimentos nacionalistas durante a colonização japonesa também forneceu oportunidades para que as mulheres se envolvessem em atividades politicas. Durante as lutas contra a colonização japonesa e clamor sobre a própria identidade nacional coreana, as mulheres foram autorizadas a participar das lutas politicas por causa da escassez de pessoas. Mulheres que participaram desses movimentos saíram de sua reclusão e organizaram-se para um propósito político, o que provavelmente teria sido impossível em um período de paz.

Por fim, o campo de estudos sobre o papel da mulher na construção no nacionalismo coreano é vasto e pretendo continuar a abordar em breve, aqui na coluna. Mas que fique claro que foram os inúmeros eventos desastrosos do século XX que possibilitaram que as mulheres saíssem das sombras. E posso dizer que, apesar das tentativas de construir conceitos e tradições de igualdade de gênero, isso está muitíssimo longe de ser uma realidade na sociedade coreana atual. Elas acontecem de modo lento com intenções contestáveis.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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