Em tempos nos quais a atenção do mundo se voltou para os idols sul-coreanos, parece pertinente buscar entender um pouco mais a fundo a realidade dos jovens sul-coreanos, especialmente da parcela que não se vê necessariamente representada pelo fenômeno mundial do k-pop e que, portanto, não se identifica com seus(uas) belos(as) e bem sucedidos(as) representantes.

Viver em um país altamente tecnológico, gozar da internet mais rápida do mundo e ter à disposição serviços básicos de excelente qualidade não parece uma má ideia. Contudo, a realidade está longe de ser simples para grande parte dos sul-coreanos. São muitas as preocupações e aflições que tumultuam o dia-a-dia dos jovens do país e não permitem que os mesmos encontrem-se realmente satisfeitos e genuinamente felizes por estarem em um dos países mais desenvolvidos do planeta.

삼포세대 (sampo sedae) é como se autodenomina a atual geração de jovens sul-coreanos entre 20 e 35 anos que se sentem pressionados, especialmente por questões de cunho socioeconômico, a abrir mão de três coisas: namoro, casamento e filhos. Os que se vêem em situação ainda pior, definem-se como 오포세대 (ohpo sedae), por abrirem mão, além das três coisas já mencionadas, de uma casa própria e um emprego estável.

Os Jovens Sul-Coreanos Da Geração “Sampo” [A Moderna Joseon]
Ohpo sedae | fonte: asia today

Tendo de pensar em formas de conquistar estabilidade financeira, de lidar com a pressão e competição no ambiente universitário e de trabalho, e de ainda cumprir com as suas responsabilidades filiais (traduzidas muitas vezes em um auxílio financeiro aos pais), muitos jovens coreanos não vêem outra saída que não a de abrir mão de atividades consideradas “dispendiosas”.

Assim, constantemente pressionados para se conformar aos padrões de sucesso ditados pela sociedade, os jovens do país viram-se desistindo de coisas que muitas pessoas ao redor do mundo não costumam cogitar nem mesmo a possibilidade de uma vida sem.

As expressões 삼포세대 e 오포세대 são tão conhecidas e utilizadas na Coreia que foram inclusive mencionadas na música Dope da famosa boyband BTS. Ao longo de um verso inteiro, Rap Monster expõe a pressão a que os jovens coreanos estão submetidos:

“A imprensa e os adultos dizem que não temos vontades, condenando-nos.
Por que estão tentando nos matar antes de termos chances de tentar? Inimigos, inimigos, inimigos”

Para mais informações sobre o tema, vale a pena assistir ao “GIVING UP Dating, Marriage & Kids in Korea?” do canal 2hearts1seoul no Youtube:

Hell Joseon é ainda um outro termo cunhado pelos jovens sul-coreanos. ‘Infernal’ foi a palavra que escolheram para descrever o tormento de viver em uma sociedade que fomenta uma competição doentia e demanda o sucesso a qualquer custo, seja ele físico, financeiro ou mental (vale lembrar que a Coreia do Sul tem uma das maiores taxas de suicídio entre jovens do mundo).

Inicialmente, parecia impossível imaginar como viver em um país como a Coreia do Sul poderia ser difícil. Uma breve pesquisa foi o suficiente para trazer à tona alguns dos desafios enfrentados pelos sul-coreanos e fazer-nos refletir (espero!) sobre as diferentes realidades contidas em um mesmo lugar e as diversas formas de construir e vender a imagem de um país.

Por fim, é preciso pontuar que jovens ao redor do mundo estão se deparando com situações relativamente similares e vêm optando por vidas que não incluem casamento e/ou filhos. A Coreia do Sul é, contudo, um dos casos mais extremos, no qual os jovens estão desistindo de coisas tradicionalmente muito valiosas, causando por vezes uma onda de infelicidade e inquietação.

Vocês acham que no Brasil isso também é uma tendência entre os jovens? Deixe sua opinião nos comentários!!


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

2 COMENTÁRIOS

  1. Escrevi uma monografia com o título “Educação: Estudo comparado das legislações brasileira e sul-coreana (2016-2018)” e por outras pesquisas realizadas dentro da temática verifiquei que os jovens brasileiros não estão vendo muito sentido no casamento. Mas ainda, em sua maioria, buscam namorar e ter estabilidade financeira, existindo um crescente tímido, no que refere-se a procura de uma graduação para conseguir um trabalho que pague melhor do que um ao qual o jovem encontra-se somente, por vezes, com o Ensino Médio. Entretando, existindo casos em que a estabilidade financeira, independente da formação ser parte de realidades de pessoas que não conseguiram acesso a educação ou mesmo não puderam ter uma, motivada por inúmeras motivações.

    • Interessantíssimo o tema da sua monografia, Helmer! É fato que muitos jovens brasileiros já não veem o matrimômio como algo extremamente necessário, o que é uma baita mudança geracional. Obrigada pelo comentário!

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