Yonhap News

Em 29 de abril deste ano, o Presidente do Chile, Sebastían Piñero, realizou visita oficial ao Presidente sul-coreano Moon Jae-in, em Seul. Durante a Cúpula bilateral, os representantes de ambos os países discutiram as oportunidades de cooperação econômica e política. Ao fim do encontro, foi assinado um memorando de entendimento que abarcou matérias de defesa, modernização e governo digital, transporte, tecnologias da infromação e comunicação.

Um dos assuntos de maior importância que foi abordado durante a visita de Piñero foi o tratado de livre comércio (TLC) entre Chile e Coreia do Sul. Em 2004, o TLC foi assinado e este marcou o início de parcerias entre as duas regiões, uma vez que foi o primeiro tratado de livre comércio assinado entre um país latinoamericano e um país asiático. Desde então, a Coreia do Sul estabeleceu acordos comerciais semelhantes àquele definido junto ao governo chileno com outros 16 países e regiões.

O Tratado de Livre Comércio é o assunto de maior repercussão na Cúpula realizada ao final de abril (Foto: Presidência da Coreia do Sul, 2019)

Após 15 anos da assinatura do TLC, o comércio entre Chile e Coreia do Sul quadriplicou, atingindo US$ 6.28 bilhões de dólares, tornando o país asiático o quinto maior parceiro econômico do Chile. Sendo assim, Moon Jae-in e Sebastían Piñero reforçaram a ideia de aprofundamento e expansão de oportunidades no âmbito do acordo de livre comércio bilateral. As quatro vertentes de atuação principais serão na área digital, tecnologia da informação, segurança cibernética, e promoção do livre comércio e do multilateralismo.

Nós precisamos de um tratado novo, mais moderno e mais inclusivo, e, ao mesmo tempo, que acelere as discussões de forma que a Coreia do Sul possa transformar seu status de membro observador para membro associado da Aliança do Pacífico”, afirmou o Presidente chileno junto a Moon Jae-in em coletiva de imprensa na Casa Azul, sede do governo sul-coreano.

A Aliança do Pacífico é um bloco econômico composto por México, Chile, Colômbia e Peru, mas que tem como um dos principais parceiros a Coreia do Sul (Foto: ONIAL, 2019)

Ademais, Piñero agradeceu o Presidente Moon Jae-in por seu comprometimento com mais iniciativas multilaterais onde ambos são membros e participam ativamente, como a Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) e a Conferência das Partes sobre Mudanças Climáticas (COP 25), ambas a serem realizadas em Santiago, capital chilena, em novembro e dezembro do ano corrente, respectivamente.

O momento de aproximação é oportuno, uma vez que países como Estados Unidos e Brasil, grandes parceiros de ambos os países, tem promovido políticas unilaterais nos cenários regional e internacional. Lembrando que a COP 25 estava planejada para ser realizada no Brasil neste ano, porém o Presidente brasileiro Jair Bolsonaro recusou a oferta e o governo chileno se candidatou a tomar a liderança do evento, o que garantiu uma oportunidade ímpar de se inserir estrategicamente na agenda do desenvolvimento sustentável.

Em dezembro de 2018, a COP24 termina com avanços e um chamado para fortalecer as metas climáticas nacionais (Foto: May, 2018)

A aproximação entre Chile e Coreia do Sul pode representar uma oportunidade ou um desafio ao Brasil, na medida que mostra o interesse do país asiático em investir na América Latina, mas, ao mesmo tempo, ao deixar evidente que o interesse coreano esteja em estabelecer negócios e parcerias com países que valorizam o multilateralismo, o desenvolvimento sustentável e que ofereçam mais benefícios à Coreia do Sul.

Vale a pena relembrar que o Chile é o único país latino-americano a fazer parte do grupo da Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), organismo multilateral composto por países considerados desenvolvidos. Além disso, como anteriormente abordado, as negociações para o tratado de livre comércio entre Chile e Coreia do Sul não são recentes e mostram que ambas viram um potencial na outra que mais nenhum outro país havia percebido anteriormente, principalmente no que tange ao alto valor de cooperação que a América Latina e a Ásia podem ter caso invistam nela.

Talvez com a medida de Bolsonaro tomada em março deste ano, durante sua visita oficial à Washington, EUA, de mudar status do Brasil de “país em desenvolvimento” para “país desenvolvido”, perdendo seus privilégios de auxílio financeiro frente à Organização Mundial do Comércio, na tentativa de explorar novas oportunidades que o novo status promete trazer, possa instigar a interesse sul-coreano em investir no país, já que historicamente Seul vê nos países desenvolvidos um chance de crescer conjuntamente.

Além do anúncio de Bolsonaro sobre a mudança de status do brasil de “país em desenvolvimento” para “país desenvolvido”, o Brasil deve cumprir uma série de demandas para alcançar tal objetivo (Foto: Veja, 2019)

Por fim, a tecnologia 5G é de interesse brasileiro, porém pode chegar nas mãos dos vizinhos chilenos primeiro, já que está inserida no memorando acordado esta semana entre o Chile e a Coreia do Sul. O ideal seria que o governo brasileiro aproveitasse a oportunidade e buscasse abrir novos fóruns de diálogo com Seul, seguindo o exemplo chileno, e estabelecer uma parceira com a pioneira asiática no assunto do 5G. O próprio governo brasileiro tem uma secretaria especial designada para tal finalidade (Secretaria de Desburocratização, Gestão e Governo Digital), dentro do Ministério da Economia, e, assim, poderia trabalhar nesta possibilidade de cooperação, ao invés de focar em ações e projetos unilaterais.


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