Enfim, o drama ‘Mr. Sunshine’ teve seu capitulo final exibido e sem dúvidas já deixando saudades misturadas com lágrimas impossíveis de controlar…

Na minha opinião, a narrativa ser focada em situações além do alivio romântico melodramático (que no caso foi lindo e na medida certa) foi o fato mais atraente na trama. A apresentação de personagens históricos reais, situações verossímeis, instituições fixadas na História (obrigada Netflix pelo ofereceimento) e principalmente a recorrência à memória da própria nação coreana, são de extrema importância.

Cr:Netfix (Mr.Sunshine epi. 24)
Cr:Netfix (Mr.Sunshine epi. 24)

Mas hoje vou falar do ‘Exercito dos Justos’, muito citado durante o drama todo, ganhando mais destaque do meio ao último episódio.

O conflito entre Joseon e as invasões japonesas em 1895, durante o 32º ano de reinado do Rei Gojon, foi um dos mais importantes e memoráveis atos de resistência a fortalecer o espirito nacionalista. A formação do ‘Exercito dos Justos‘ pode ser dividida em três períodos: do Confucionismo – a formação através de uma elite intelectual, da formação efetiva do ‘exercito’ e na convocação do público em geral.

Mas é bem claro que foi a convocação do público em geral (pobre) que realmente fortaleceu de fato a resistência. O primeiro conflito se deu em 1895 quando a Rainha Min (Imperatriz Myeongseong) foi assassinada (também citado no drama logo no primeiro capitulo rapidamente). Para o reinado de Meiji do Japão, a rainha Myeongseong era considerada um obstáculo para os tratados de expansão internacional, sendo ela contra a abertura de Joseon durante a Guerra Sino-Japonesa. Assim o governo japonês decidiu assassinar a rainha, e tal ato fomentou a organização de uma guerrilha.

O objetivo era proteção nacional, contra o Japão, e garantia de que o Estado (no caso ainda a monarquia) continuasse sendo vigente de e para coreanos. Havia a noção de que as investidas japonesas trariam terror e problemas sérios a toda população.

Então, estudantes de Confúcio estimulados pelo evento, se posicionaram em forma de milícia. Intelectuais (para quem se lembra do meu artigo do mês passado) tinham o respeito da corte e do povo.  Alguns nomes importantes dessa primeira fase são: Yoo In-seok (Jecheon), Yi So-woong (Chuncheon),  Lee In-young e Lee Kang-nyun.

A formação do ‘Exercito dos Justos’ começou em Jeomgokmyeon e era composta por Kim Sang Jong como recrutador e Kim Su-ok, como comandante da unidade principal. O exército dos justos construiu a fortaleza em Hwangsan e lutou com os japoneses em 29 de março de 1896, mas eles estavam desarmados e foram forçados a recuar após sofrerem mortes de alguns membros, incluindo Kim Su-bing e Kim Su-hyup.

Já em 1905 a segunda fase da estruturação da milícia acontece contra a conclusão do ‘Tratado Coreia-Japão de 1905’. Nesse período, fazendeiros e pequenos comerciantes se juntaram ao movimento. Assim o ‘exercito’ continha 600 pessoas espalhadas pelo território, porém poucas armas. Mas a escassez de munição não impediu que medidas fossem tomadas, e conquistas realizadas, dentro dos objetivos de seus líderes.

Porém, à medida que mais soldados do exercito japonês se instalavam pelo território com suprimentos bélicos mais do que suficientes, a ‘Segunda batalha’ entre os Justos e os japoneses foi de total desolação.

O terceiro conflito acontece em 1907 depois que as tropas do governo imperial estavam espalhadas, causando uma revolta massiva. O comandante do Exercito, Pak Yeon-baek e Hyoseon-ri  levantou um exército em Gongsan em 1906. O exército de cerca de 300 membros exerceu atividades militares em Uiseong, Geumseong, Uiheung, Sinnyeong Yeongcheon e Yeongil. Com isso, participaram da Batalha de Ipam em Uijin, e de Sannam, onde perdeu um grande número de membros e se escondeu em dezembro de 1909. Além desses exércitos, de acordo com alguns materiais, havia uma atividade de milicias do ‘Exército dos Justos’ com cerca de 50 pessoas. Em Uiseong, em 25 de novembro de 1907, e também em fevereiro de 1908, foram registradas duas atividades militares do exército dos justos.

Enquanto isso, unidades militares do exercito e marinhas oficiais de Joseon estavam finalmente tomando posição e se armando. Lee In-young,  o general-chefe do exercito Oficial Coreano enviou mensageiros para consulados espalhados pelo mundo a fim de que os países estrangeiros reconhecessem e apoiassem o exercito coreano como um combate internacional de proteção contra a investida japonesa. Esta, mostrou-se também sem sucesso, tal qual mostra o drama.

Mas, em Dongdaemun já acontecia a forte resistência do exercito japonês através do país. Como era de se esperar, o exercito japonês, mais armado, quase dizimou os Justos. O ‘Exército dos Justos’ se dividiu em pequenos grupos de guerrilheiros para levar adiante a Guerra de Libertação nos territórios da  China, Sibéria e as Montanhas Jangbaik na Coreia. As tropas japonesas primeiro anularam o Exército dos Camponeses e depois debandaram o que restava do exército do governo. Muitas das guerrilhas sobreviventes e as tropas do governo anti-japonesas fugiram para a Manchúria e Sibéria e continuaram sua luta.

No último episódio (24) do drama ‘Mr. Sunshine’, há uma cena inspirada no verdadeiro Exercito dos Justos.  Na verdade se trata da unidade médica de Yangpyeong. A foto abaixo, retrata este momento e pode ser encontrada no Livro ‘Korea’s Fight for Freedom’ escrito pelo jornalista Frederick McKenzie em Yangpyeong (aparece no drama, e para quem souber bem inglês, é possível encontrar a obra para download).

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Cr: Netflix (Mr. Sunshien epi. 24)
Cr: Netflix (Mr. Sunshien epi. 24)

Na obra há as últimas palavras do sargento (centro da foto) antes de morrer devido uma doença;  As palavras foram :

“We should fight. I’ll fight and let you know.
Nós devemos lutar. Nós iremos lutar e faze-los saber disso.
We were here, we were afraid, but we fought to the end.
Nós estivemos aqui, nós estávamos com medo, mas nós lutamos até o fim.”

Enfim, esta foi a breve apresentação de um dos maiores movimentos de resistência nacionalista anti domínio japonês.

O domínio japonês, é conhecido na história como sendo bastante opressor e violento. Eles acreditavam que o Japão era melhor do que os outros países ‘fracos’ da Ásia. Violência, submissão das mulheres como escravas sexuais, xenofobia, exploração das massas pobres, institucionalização de um modo educacional focado somente na elevação do Japão, eram as “armas” utilizadas pelo pais, que dizimou muito da história e memória dos países colonizados.

Novamente, sugiro que assistam o drama e se emocionem. Vale a pena se divertir, e refletir sobre como um país se forma, em cada período especifico.

E deixe ecoar… “nós lutamos até o fim”.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



9 COMENTÁRIOS

  1. Foi uns dos momentos mas emocionantes do drama, sem duvida o melhor do ano.
    Me apaixonei pela historia da Coreia pela sua luta e sua por sua força de não desistir.
    Camila gostaria de livros relacionado ao assunto para leitura.

  2. Terminei de assistir hoje…quando Eugene lê a carta de um.militar americano sobre a coragem dos coreanos achei que seria um drama maravilhoso e com certeza foi.mesmo .
    ..emoção até o final…obrigada pelas informações sobre o Exército e os japoneses são brutais .

  3. Terminei hoje. Foi para mim um verdadeiro presente. Eu Não conhecia nada da história da Coreia, e com o seriado eu aprendi bastante e me emocionei com a sua história.
    Graças as séries a Coreia ganhou a minha sinceridade admiração.

  4. Esse seriado foi para mim um verdadeiro presente.
    Eu não conhecia nada da história da Coreia, e com a trama eu aprendi bastante e me emocionei com a sua história.
    Graças a Mr. Sunshine a Coreia ganhou a minha sincera admiração.

  5. Confesso que comecei a ver a série e logo parei. Voltei tempos depois e me deparei devorando cada episódio até a madrugada. Encerrei ontem e com sdades :(. Um relato precioso e extremamente bem criado. Em cada detalhe, em cada fala, em cada interpretação, a sensação de estar presente no tempo vivido, ali mesmo, que parecia poder tocar. Como destaca seu artigo, além do clima romântico do casal, o relato da história real vivida por cada coreano é de fato um grande e precioso aprendizado. Entro na 4ª série na linha e me apaixono cada vez mais 🙂

  6. Sem sombra de dúvidas esse é um drama maravilhoso e que relata um lado da história que não poderia ficar de fora. O que mais me emocionou foi a coragem e o patriotismo dos coreanos. Eles tinham medo dos japoneses sim, mas usaram isso como combustível pra continuar lutando. E penso que mais medo ainda eles deviam sentir ao pensar em deixar o país que eles amavam nas mãos de outra nação que queria oprimir sua cultura e sua identidade..
    Chorei como um bebê no final dessa história, foi realmente lindo E poético…
    E o drama me fez buscar mais informações sobre a história da Coréia. É uma pena ter pouco material em português…
    Obrigada pela Matéria..

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