O suicídio na Coreia do Sul é um problema sério e generalizado. O país tem a segunda maior taxa de suicídio no mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde, bem como a maior taxa de suicídio dos países membros da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Economico).

As Causas

As principais causas apontadas para estas tristes estatísicas começam pelos idosos. Quase metade da população idosa do país vive abaixo da linha de pobreza, o que para um país desenvolvido e tecnológico como este, é algo quase inimaginável. Contudo, isso é facilmente compreensível quando se toma conhecimento de que não há uma política governamental de aposentadoria. Este fato, combinado com uma mudança drástica na velha estrutura social onde os filhos cuidavam de seus pais na velhice (pois todos moravam e trabalhavam juntos enquanto que atualmente os filhos saem de casa para a faculdade, as vezes longe de suas cidades natais, e nunca mais voltam) faz com que os idosos dêem cabo de suas vidas por não verem saída para sua situação financeira ou por não quererem ser um peso na vidas dos filhos.

Outro fator relevante, desta vez, no índice de suícidios entre jovens é o sistema educacional. Considerado o segundo melhor do mundo e comprovadamente responsável pela produção de profissionais de altíssima qualidade, principalmente na área de exatas, o sistema educacional sul-coreano tem um grande problema – é extremamente competitivo. Todo aluno sonha em ir bem no ensino médio, para ingressar em uma boa universidade afim de conseguir os melhores empregos. Por conta disso, um aluno do ensino médio passa cerca de 16 horas por dia na escola e atividades relacionadas. Até 2005, os alunos iam para a escola de segunda a sábado. Além disso, a maioria dos resultados dos testes da Coreia do Sul são classificados em uma curva, levando a uma maior concorrência. Embora a educação da Coreia do Sul seja classificada consistentemente no topo em avaliações acadêmicas internacionais, a pressão e o stress são enormes e para muitos, a relação de hierarquia entre professores e alunos é muitas vezes considerada abusiva.

A economia também tem sua cota de culpa. Em 1997 e 1998, a crise financeira asiática atingiu a Coreia do Sul. Durante e após a recessão econômica de 1998, o país experimentou uma recessão econômica acentuada de -6,9% e um aumento da taxa de desemprego de 7,0%. Um um estudo mostrou que esta queda econômica teve uma forte correlação com o aumento nas taxas de suicídio. O aumento do desemprego e maior taxa de divórcio durante a crise econômica, levou muitas pessoas ao quadro de depressão clínica, que é um fator que muito comumente, leva ao suicídio. Além disso, a queda econômica perturba a posição social de um indivíduo, o que significa que as exigências e expectativas do mesmo não serão mais satisfeitas. Assim, uma pessoa que não consegue se reajustar à sociedade após a queda de seu padrão de vida, está mais propensa a cometer suicídio.

Além disso, devido ao recente crescimento da industria cultural coreana, sempre há uma onda de suicídios após a morte de celebridades. Um estudo avaliou que três de onze casos de suicídio de celebridades resultaram em uma maior taxa de suicídio da população. O grande de cobertura dada pela mídia colcaborou significativamente para o fato. Além do aumento da idealização do suicídio, estes casos com celebridades levaram as pessoas a usar os mesmos métodos para tirarem a própria vida.

As Curas

Apesar das estatísticas desanimadoras, a Coreia do Sul vem implementando estratégias para prevenir o suicídio, com iniciativas destinadas a aumentar a consciência pública, melhorar a comunicação social, realizando triagens com pessoas com alto risco de suicídio, restringindo o acesso a meios e locais que propiciem a pratica e melhorarando o tratamento da depressão em pacientes suicidas. Porque a cobertura da mídia influencia diretamente a taxa de suicídio, o governo tem promulgado diretrizes nacionais para a devida cobertura sobre suicídios na imprensa.

Outro método que a Coreia do Sul tem implementado é educar o que eles chamam de salva-vidas. O trabalho dos salva vidas consiste principalmente em ter conhecimento sobre o suicídio e em como lidar com indivíduos suicidas, e estas instruções são fornecidas para professores, assistentes sociais, voluntários e líderes da juventude. O governo coreano está implementando salva-vidas dentro das comunidades em situação de risco, tais como de idosos do sexo feminino ou famílias de baixa renda. Para maximizar o efeito dos salva-vidas, o governo também implementou programas de avaliação de resultados.

Particularmente em Seul, onde o principal ponto de suícidio é a Ponte sobre o Rio Han, a Guarda Costeira implementou a Patrulha do Suicídio, cujo trabalho você conhece agora, através deste vídeo:

Nosso desejo, como apreciadores da cultura coreana é que a Coreia do Sul consiga definitivamente reverter este quadro, reavaliando certos aspectos de suas práticas nos âmbitos educacional e corporativo. Que a evolução que o país experimentou na economia e tecnologia, possa se estender também para a qualidade de vida dos cidadãos.

Texto Autoral.
Base de Pesquisa: Wikipedia
Colaboraram na tradução e legendas do vídeo: Jéssica Bett e Ana Carolina Gomes


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



2 COMENTÁRIOS

  1. Olá! Encontrei seu site por acaso e estou gostando muito, lendo várias postagem, que, diga-se de passagem, são muito bem escritas e coerentes.
    Essa matéria, mesmo não sendo tão recente, acabou sendo algo bastante pontual devido ao recente acontecimento com o cantor Kim Jong-Hyun. Confesso que fiquei chocada, até mesmo abalada com tudo o que vi é ouvi a respeito, tanto sobre a forma como a depressão pode atingir as pessoas, quanto aos bastidores da indústria do K-Pop.
    Sou uma “nova curiosa” sobre a cultura coreana em geral, totalmente movida pela minha filha, adolescente K-Popper, mas encontrei na sua página algo realmente relevante que acrescentou conhecimento significativo, parabéns!

    • Olá Vera, obrigada pelo seu comentário. Eu sou a editora de conteúdo do Koreapost e também sou uma mãe Kpopper!! Minha filha está indo para a Coreia para fazer faculdade com uma bolsa do governo coreano e tudo começou assim como com você, quando ela tinha 13 anos (ela tem 19). O legal é que este mundo absorve gente de todas as idades. Obrigada por acompanhar nosso site e se quiser, me adicione no Face para batermos um papo! Um Abraço!! Simone Ribas Sparsbrod.

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