Certamente quem adora assistir dramas ou filmes históricos coreanos, já reparou como as decisões eram tomadas nas reuniões com o rei. Ele, o rei, em seu trono, ouvia a divisão de ministros e a de intelectuais, sobre a situação do país, e as melhores posições a serem tomadas em qualquer decisão.

Na real, a pressão desse sistema não era brincadeira, e não é uma novidade o quanto os interesses pessoais da elite e da aristocracia pode afundar uma nação. Quanto ao campo intelectual, fica as responsabilidades sobre a construção de seu nacionalismo, e seus reflexos ainda posta a consciência ainda no século XXI. É um tema difícil pela escassez de estudos e documentação para analises, mas para compreender basicamente o assunto vamos voltar bastante na história:

O século XIX, principalmente após o ano de 1850, marca o fracionamento do governo diante de uma era de mudanças e descobrimentos. Mais antigo a isso, no caso dos ‘descobrimentos’, refiro-me ao imperialismo ocidental em territórios asiáticos iniciados no século XVIII, contando com uma série de ‘apresentações’ de artefatos tecnológicos e ideais civilizatórios, enquanto se apropriavam de artefatos mais valiosos, culturalmente falando.

(Antes de continuar, peço cautela na análise do que esta por vir. Não se trata de globalização, e sim de um apoderamento, uma verdadeira ocupação e imposição, muitíssimo natural na era imperialista).

Isto posto, o contato dos países ocidentais no território coreano desfragmentaram as raízes da politica, economia e áreas intelectuais.  Nos anos 1800, a decisão da família real em coroar Sunjo como rei (aos dez anos) desestabilizou o governo em suas instituições sociais e econômicas. O desvio da forma tradicional do governo monárquico ao ser dominado pelos “sogros reais” criaram vários problemas.

A aristocracia corrompia as funções administrativas e fiscais em todas as províncias e a corrupção era tão descarada que houve rebeliões nas áreas rurais. A crise politica até mesmo convenceu grande parte dos coreanos a se converter ao cristianismo católico que chegava com as mudanças no campo intelectual e lúdico do sistema milenar do tradicional Confúcio.

Middle_Class_in_Joseon

O histórico vínculo da politica social e o Confucionismo foi parcialmente responsável pela manifestação anti-estrangeira. O neo-confucionismo é a absoluta filosofia de origem chinesa que se espalhou pelo leste asiático e ‘ditou’ as leis sociais, culturais, religiosas e politicas. E era de igual influência para bloquear os “bárbaros” ocidentais, que forçadamente entravam no território do reino de Joseon.

Fixada nos séculos XVIII e XIX, a Escola Sirhak foi fundada para a prática de ensino da reforma Confucionista em Joseon. Os intelectuais que ensinavam na Sirhak pesquisavam práticas das áreas administrativas, econômicas, matemática, agricultura, história, literatura, entre outros. Com a influencia externa, os intelectuais de Sirhak passam a estudar a religião e a ciência do Ocidente.

A conceitualização de Sirhak foi feita com um pensamento de que era um “novo confucionismo”, pois, segundo seus desenvolvedores, o ensino era em prol do auto-cultivo e governança. Posso até considerar semelhante ao que Maquiavel propôs com ‘O príncipe’, mas claro, da forma tradicional asiática.

Já em meados do século XIX, os problemas políticos e sociais concentraram as dinâmicas intelectuais da escola, denominando-a como uma instituição fracassada por conter apenas estudos teóricos. Isso significou a necessidade de ampliar os horizontes e uma nova reforma aconteceu. Esta prometia desenvolver um conhecimento racional e de ação prática. Nomeada como ‘Filosofia de Wang’, as diretrizes dessa reforma impactaram os modernistas intelectuais na Coreia, com uma essência nacional independente, cheia de senso de patriotismo e respeito.

O contato com ideologias ocidentais, já estudadas por Sirhak, aconteceu enquanto China e Japão estava em transições politicas, e a Coreia – no caso Joseon – iniciava um processo de abertura comercial e diplomática,  principalmente com Inglaterra e Estados Unidos. Tal abertura ocidental seria forçada de um jeito ou de outro, devido a Guerra do Ópio (a península é geograficamente bem localizada em qualquer condição envolvendo as ilhas japonesas).

Assim, em ordem de um fortalecimento diplomático, a invasão intelectual ocidental católica começou a ganhar aceitação considerável pela população costeira. Enquanto o governo, preocupado, assistia os vizinhos China e Japão se condensarem aos acordos mercantis ocidentais.

Foram estes acontecimentos que promoveram as mudanças nas estruturas (como já dizia Braudel). As adaptações em prol da diplomacia se convencionaram e estabeleceram de modo mais delicado que poderia ser. A Escola Sirhak e sua elite letrada foi uma das primeiras a mostrar interesse em manter relações comerciais e intelectuais com o ocidente, ao mesmo tempo em que defendia reformas internas com base no pensamento ocidental poderia acelerar o processo de refortalecimento da monarquia e parlamento com uma essência nacionalista.

Gosto de pensar que a mescla de pensamentos ocidentais com o espirito de Sirhak em busca do fortalecimento patriótico é, decerto, a mais importante e imperfeita combinação teórica introduzida num povo que ainda estava por descobrir sua força e capacidade de luta, contra aqueles que os viriam ofender e oprimir logo no inicia do século XX. E assim esclarecer da melhor forma possível todo ‘tetris’ que é, na verdade, a noção de identidade nacional a partir de sua história, em sua essência.


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