Não é muito difícil perceber que os coreanos se preocupam bastante com a aparência. Uma volta nas ruas de Gangnam, Hongdae ou Itaewon e é possível ver uma infinidade de roupas estilosas – às vezes até ousadas demais.

Um cabelo bem cuidado também é uma parte muito importante para um estilo perfeito. E, para tal, coreanos vão atrás de salões de beleza. Curiosamente, este é um costume relativamente novo.

Antes do século XX, o confucionismo que dominava a Era Joseon proibia que as pessoas cortassem o cabelo. A maioria aparava o mínimo possível, pois o cabelo deveria ser preservado em respeito aos antepassados.

As mudanças começaram no final do século XIX, durante a modernização da Coreia. O governo demandou que os homens cortassem os cabelos, e os estilos tradicionais – do sangtu, amarrado no alto da cabeça, ao binyeo feminino – deram lugar a cortes mais modernos.

Binyeo, o estilo de cabelo tradicional para mulheres na Coreia. Foto: Pinterest
Binyeo, o estilo de cabelo tradicional para mulheres na Coreia. Foto: Pinterest
Sangtu, o estilo de cabelo tradicional para homens na Coreia. Foto: Pinterest
Sangtu, o estilo de cabelo tradicional para homens na Coreia. Foto: Pinterest

Referências aos salões de beleza mais antigos do país podem ser encontrados em um anúncio de jornal de 1920. Mas, a maioria dos salões da época se especializavam em cuidados com a pele, pois as mulheres coreanas relutavam em abandonar o estilo tradicional trançado. Aparência não era uma prioridade, pois era comum para as mulheres lavar os cabelos apenas uma vez por mês.

Acredita-se que o Hwashin Miyongwon, fundado por Oh Yeop-ju em 1933, seja o primeiro salão do país. Oh é creditada como a primeira cabeleireira da Coreia, e seus serviços eram bem caros. Uma permanente custava 20 wons, que nos valores de hoje seria menos de 2 centavos, mas na época a quantia comprava mais ou menos 160 kg de arroz.

Até os anos 90, o dito popular era que homens não iam a cabeleireiros. A cultura da masculinidade da época inibia os homens de cortarem seus cabelos no mesmo lugar que mulheres, e eles optavam quase que exclusivamente por barbearias.

A primeira barbearia é até mais antiga que os salões de beleza, de 1901. A ordem do Rei Gojong para que seu povo cortasse os cabelos, no decreto de 1885, demorou anos para ser aceita, até o segundo decreto, de 1900. A primeira barbearia, Dongheung Ibalso, não apenas criou novos estilos, como atendeu aqueles que foram forçados a cortar os cabelos por oficiais do governo.

Tanto barbearias quanto salões progrediram juntos por décadas, pois a ideia de tratamentos mais complexos para homens seguiram rejeitados por muitos coreanos. As barbearias chegaram a ser mais numerosas que salões de cabeleireiros – 29.713 para 16.330 em 1975 – já que eram vistas como lugares em que todos poderiam ir para um corte, enquanto salões eram vistos como somente para mulheres.

A barbearia Uncle Booth, em Yeongdeungpo (Park Hyun-koo / The Korea Herald)
A barbearia Uncle Booth, em Yeongdeungpo. Foto: Park Hyun-koo/The Korea Herald

Nos anos 90 a popularidade de celebridades como os atores Jang Dong-gun e Jung Woo-sung, e a ascensão do que seriam os idols de K-pop começaram uma nova moda para os homens. Aos poucos, o tabu sobre homens visitando salões de beleza foi diminuindo, até os anos 2000, a rede nacional Blue Club ajudou a tendência, já que se anunciava como um salão exclusivo para homens.

De acordo com dados oficiais, em setembro de 2016 a situação foi revertida, com 93.277 salões de beleza para 12.432 barbearias.

Mesmo com a queda, as barbearias ainda ocupam um lugar no coração de muitos homens coreanos. Vários locais possuem clientes regulares, que acham acolhedor o ambiente simples e confortável. Os barbeiros costumam ser homens de meia-idade, o que é um chamativo para outros homens de meia-idade que procuram apenas uma conversa amigável.

Um salão moderno. Foto: Pinterest
Um salão moderno. Foto: Pinterest

Salões de beleza também evoluíram ao longo dos anos, com designers famosos como Cha Hong que mantinha salões que não apenas cortavam cabelos, como também ofereciam serviços especializados de maquiagem, manicure e tingimentos.

Designers não fazem apenas cortes e penteados, eles também dão conselhos de estilo no geral. Eles se consideram artistas e se orgulham de seu trabalho, mostrando que o estilo na Coreia passou por um longo caminho desde as aparadas mínimas ou os cortes forçados de um século atrás.


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