“A Coreia do Sul adotou medidas de prevenção e triagem que se mostraram bem sucedidas. A política de Coronavírus da Coreia do Sul realmente funcionou.

Depois de registrar um surto de contaminação, o país reduziu significativamente o número de novos casos de Covid-19, mantendo uma taxa de mortalidade por casos relativamente baixa. O número de novos casos caiu drasticamente, e mesmo agora, entrando numa terceira onda, permanece controlado. Isso faz da Coreia do Sul um modelo a seguir na batalha contra a doença?

Como o país lidou com a pandemia?

Ao contrário da China, que optou por bloquear parte de sua população, a Coreia do Sul adotou uma estratégia que combina informações públicas, participação popular e uma campanha de triagem massiva.

Os parentes de todas as pessoas infectadas são identificadas sistematicamente antes de serem oferecidos testes de triagem. Ao serem testados positivos, os movimentos dos pacientes são reconstruídos pelas imagens de câmeras de segurança, uso de seu cartão bancário ou rastreamento de seu smartphone, e então tornados públicos. As pessoas até recebem mensagens de texto quando um novo caso é detectado perto de sua casa ou trabalho.

Essa abordagem levantou preocupações óbvias em relação à proteção da privacidade. Mas também incentivou alguns a fazerem o teste. A Coreia do Sul realizou mais testes do que qualquer outro país, a uma taxa de cerca de 10 mil por dia, tornando possível combater novos focos de infecção muito cedo.

A Estratégia Coreana Contra O Covid 19 E Como O País Sobreviveu À Crise

A Estratégia Coreana Contra O Covid 19 E Como O País Sobreviveu À Crise
Casos de coronavírus na coreia do sul traduzido. Fonte: linkedin/wikipedia

Como a Coreia do Sul fez tantos testes?

O país possui 500 clínicas autorizadas a realizá-los, incluindo cerca de quarenta clínicas ambulantes, para minimizar o contato entre potenciais pacientes e profissionais de saúde. A Coreia do Sul aprendeu com seus próprios erros e, notadamente, com a falta de testes disponíveis durante a crise da Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) de 2015.

Como a população reagiu?

Um programa de “distanciamento social” foi iniciado pelos funcionários, aconselhando as pessoas a ficar em casa, parar as reuniões e limitar o contato. Como resultado, bairros normalmente lotados ficaram vazios, enquanto lojas e restaurantes lutavam para atrair clientes.

Muitos eventos esportivos ou culturais foram canceladas. O uso de máscaras tornou-se generalizado, como recomendado pelo governo, que tem sido capaz de contar com uma população incrivelmente respeitosa às instruções. Com o agravo da situação, o uso de máscaras tornou-se obrigatória, mas, como a população já está acostumada, isso não foi um problema.

Por que a letalidade é tão baixa?

É impossível calcular hoje precisamente a taxa de letalidade do Covid-19, que só pode ser refinada após o fim da pandemia. No entanto, a observação dos números dos governos dá uma mortalidade muito menor na Coreia do Sul do que em outros lugares.

Vários fatores explicam essa impressão. A campanha de triagem possibilitou o cuidado precoce dos pacientes. Sua magnitude significa uma chance muito melhor de detectar pacientes sem ou com poucos sintomas, que não seria testada em outros países. Encontrar mais pacientes reduz matematicamente a proporção de óbitos.

A população infectada do Sul tem um perfil único, já que a maioria das pessoas infectadas são mulheres, e quase metade tem menos de 40 anos. As autoridades explicam que mais de 60% dos casos de contaminação estão ligados à Igreja Shincheonji de Jesus, uma organização religiosa frequentemente acusada de ser uma seita. A maioria de seus integrantes são mulheres, muitas na faixa dos vinte e trinta anos.

No entanto, sabemos que a taxa de casos-fatalidade do Coronavírus aumenta com a idade, e aqueles com mais de 80 anos (particularmente os homens) são os mais em risco.

A Estratégia Coreana Contra O Covid 19 E Como O País Sobreviveu À Crise
Foto: the seatle times.

Coreia do Sul, um exemplo a seguir?

“Para monitorar uma infecção, o teste é um passo inicial crítico”, disse Masahiro Kami, do Centro de Pesquisa em Políticas Médicas de Tóquio. Portanto, é um bom exemplo para todos os países. “A Coreia do Sul agiu rapidamente e bem”, diz Marylouise McLaws, da Universidade de Nova Gales do Sul. É difícil para as autoridades chegar a um acordo com medidas tão rigorosas. Isso costuma sempre ocorrer tardiamente.

A KCDC (Agência de Prevenção e Controle de Doenças da Coreia) tem usado procedimentos rápidos para acelerar o desenvolvimento de testes de triagem. A Coreia do Sul já pode realizar até 18 mil testes por dia e exporta kits de teste para outros países. O governo subsidia os testes e inovou as estações de testes drive-thru para incentivar o público a ir e ser testado lá.

Em 20 de março, mais de 316 mil pessoas haviam sido testadas, com a Coreia tendo uma das maiores taxas de testes per capita do mundo. Graças a essa política, o país identificou e isolou rapidamente os doentes sem restringir viagens ou fechar negócios. Essa alta taxa de detecção também pode explicar a baixa taxa de mortalidade no país, uma vez que até mesmo casos leves foram sistematicamente testados e isolados.

A Coreia identificou casos prioritários e monitorou o caminho das pessoas infectadas através de big data (detecção de GPS de smartphones e veículos, compras de cartão de crédito, histórico de viagens, imagens de câmeras de segurança) e inteligência artificial.  Os aplicativos foram monitorados em smartphones de viajantes que chegavam do exterior, sujeitos a um período de auto monitoramento de 14 dias, e casos suspeitos de Coronavírus foram colocados sob auto isolamento obrigatório.

Ao promover o monitoramento autônomo e transmissão de dados às autoridades públicas, esses aplicativos impediram que viajantes estrangeiros tivessem acesso negado ao território coreano. Lançado pelos hospitais, o diagnóstico remoto de pacientes com sintomas leves aliviou a carga horária dos profissionais de saúde que se concentravam em pacientes com sintomas mais graves.”

Este é mais um texto de Kim Yeajin, uma coreana, consultora de negócios na KR Sourcing, uma empresa em Melbourne na Australia, e fundadora e CEO da marca ECOCCLO | E-Commerce Apparel Brand, uma marca de produtos sustentáveis. Yeajin é uma produtora de conteúdo atuante no Linkedin e aceitou que seus artigos fossem publicados pelo Koreapost.


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