Um escândalo de corrupção devastador e a confirmação do afastamento da presidente enfraqueceu o orgulho de muitos coreanos. Instituições tiveram suas reputações abaladas, procedimentos ignorados e as mentes mais brilhantes manipuladas pela líder desonrada e um punhado de cúmplices em busca de riqueza e poder.

Conforme os coreanos se esforçam para sair dos destroços, pode haver um resultado positivo – uma consciência democrática apurada entre os cidadãos e um novo movimento de reforma política que engloba até mesmo os políticos da velha-guarda.

Por mais chocante e vergonhoso que possa ser para eles, os eventos que culminaram no afastamento de Park Geun-hye podem ter sido um remédio amargo para a democracia jovem e em desenvolvimento do país, dizem especialistas.

A foto, tirada em 11 de março de 2017, mostra dezenas de milhares de pessoas reunidas no centro de Seul para celebrar o afastamento da ex-presidente Park Geun-hye no dia anterior. Em seu ápice, as manifestações contra a presidente Park devido a várias acusações de corrupção devem ter atraído cerca de 1 milhão de pessoas em um único dia.
A foto, tirada em 11 de março de 2017, mostra dezenas de milhares de pessoas reunidas no centro de Seul para celebrar o afastamento da ex-presidente Park Geun-hye no dia anterior. Em seu ápice, as manifestações contra a presidente Park devido a várias acusações de corrupção devem ter atraído cerca de 1 milhão de pessoas em um único dia.

Isso continuará a causar dor a todos por um longo tempo, mas acredito que seja um rito de passagem necessário e desejável para que possamos nos tornarmos membros mais responsáveis e competitivos da comunidade internacional”, informou Sohn Seung-pyo, professor de ciências sociais da Dongguk University de Seul.

O afastamento de Park no dia 10 de março marcou a primeira vez que um presidente coreano eleito de modo democrático foi afastado por meio de impeachment. A mudança ocorreu devido aos protestos semanais que reuniam centenas de milhares de cidadãos, sempre aos finais de semana, desde o escândalo no final de outubro de 2016.

Espera-se que a experiência coletiva de poder popular resulte em uma maior participação da população nas próximas eleições presidenciais, de acordo com pesquisas. Uma pesquisa recente conduzida pela Korea Society Opinion Institute revelou que expressivos 93,4 por cento de 1.016 pessoas votantes pesquisadas disseram que iriam participar da eleição presidencial de 9 de maio.

O total de pessoas que votaram na eleição anterior de 2012 foi de 75,8 por cento, seguidos de 63 por cento de 2007.

Tal interesse nas eleições e boa vontade em participar do processo eleitoral mostra que as pessoas estão começando a perceber que todo e cada vota conta.”  informou Song Seong-pyo.

Essa foto, tirada em 30 de março de 2017, mostra um grupo de sul coreanos residentes em Los Angeles na Califórnia registrando-se para as próximas eleições presidenciais. A Comissão Nacional Eleitoral informou que houve um recorde de 297.919 no exterior de registros para as próximas eleições em 9 de maio, cerca de 33 por cento a mais do que os 222.389 sul coreanos que vivem no exterior e participaram das eleições de 2012. (Yonhap)
Essa foto, tirada em 30 de março de 2017, mostra um grupo de sul coreanos residentes em Los Angeles na Califórnia registrando-se para as próximas eleições presidenciais. A Comissão Nacional Eleitoral informou que houve um recorde de 297.919 no exterior de registros para as próximas eleições em 9 de maio, cerca de 33 por cento a mais do que os 222.389 sul coreanos que vivem no exterior e participaram das eleições de 2012. (Yonhap)

A ocorrência com a ex-presidente pode ser uma chamada de atenção para muitos votantes apáticos como Kim Young-ah, para quem os dias de eleição representavam apenas um dia de folga para viajar ou passar um tempo com a família.

As próximas eleições presidenciais serão ao final de um recesso escolar de minhas filhas, e planejamos viajar ao exterior durante este tempo. Mas iremos encurtar a viagem, se for preciso, para participar da eleição.” disse a mãe e dona-de-casa de 41 anos, com duas filhas.

A abalada confiança pública no sistema nacional parece se recuperar após a decisão unânime do Tribunal Constitucional de punir a líder do governo. Imediatamente depois da decisão, a Coreia do Sul entrou em modo eleitoral, e restauração da justiça, democracia e direitos igualitários devem se tornar os principais motos dos candidatos.

A eleição será a primeira votação presidencial que devem ocorrer em maio nas últimas três décadas. A constituição do país requer que as eleições sejam feitas dentro de 60 dias após o afastamento ou pedido de demissão de um presidente.

Com mudanças ao período presidencial, as próximas eleições poderiam ser feitas em março, ou pelo menos, 60 dias antes do fim do próximo mandato presidencial que termina em 9 de maio, como decretado pela constituição. Desde 1987, as eleições presidenciais ocorriam em dezembro, com novos presidentes tomando posse em fevereiro.

Na foto, tirada em 13 de abril de 2016, um homem e sua família tiram foto em frente a sala de votação onde votaram para as eleições da Assembleia Nacional. Tirar fotos e compartilha-las provando ou confirmando suas participações nas eleições se tornou modo entre os sul coreanos, em especial entre os jovens. (Yonhap)
Na foto, tirada em 13 de abril de 2016, um homem e sua família tiram foto em frente a sala de votação onde votaram para as eleições da Assembleia Nacional. Tirar fotos e compartilha-las provando ou confirmando suas participações nas eleições se tornou modo entre os sul coreanos, em especial entre os jovens. (Yonhap)

A perspectiva eleitoral já mudou a favor de liberais como Moon Jae-in, rival de Park durante as eleições de 2012, e que domina as pesquisas eleitorais nos últimos três meses.

Quaisquer que sejam os resultados, especialistas vislumbram uma esperança para a democracia da Coreia no movimento de reforma entre conservadores políticos devido a queda catastrófica da presidente.

O ex-partido Saenuri se dividiu em duas frentes, ambas prometendo reformas para o futuro. Mais de 30 membros formaram um novo partido, Bareun Party, e membros favoráveis a Park renomearam o Saenuri como Liberty Korea Party. Os dois lados travam uma disputa acirrada pelos votos conservadores apesar das pressões para se unirem contra o liberal Moon Jae-in.

O candidato do Liberty Korea Party, Hong Joon-pyo continua a considerar uma união imediata e incondicional, mas o candidato do menor partido, Yoo Seong-min rejeita a oferta como um insulto. “Aparentemente Yoo Seong-min entende que a união pode ser vista como outro acordo e concessão com a injustiça”, opinou um observador, que pediu para não ser identificado.

A divisão e realinhamento das forças políticas tem sido uma norma antes das eleições coreanas. Mas a atual divergência na direita foi disparada tanto por reformistas autodeclarados com programas audaciosos para a justiça econômica, bem-estar social e diversidade como pela usual articulação política.

Agora que o país mostrou ao mundo seu potencial para se tornar uma grande nação democrática ao remover pacificamente um líder eleito, as próximas eleições serão uma chance de mostrar seu potencial de dividir e abraçar ideias e valores diferentes de grupos e criar uma sinergia harmoniosa.” adicionou o professor da Dongguk University.


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