Não é segredo que os sul-coreanos amam frequentar cafeterias. Sentar e tomar um café gelado no ar-condicionado pode ser muito confortável.

Mas quando se trata de combater o coronavirus, esse costume pode ser um obstáculo, pois as cafeterias estão emergindo como um foco de infecções causadas por aglomeração.

Depois de alcançar a honrosa marca de “0” casos por dia, a Coreia do Sul está há várias semanas lidando com outro surto Nacional de COVID-19, e tem visto centenas de casos surgindo a cada dia.

Infecções causadas por aglomerações têm sido relatadas em vários estabelecimentos, desde igrejas à cafeterias, na área da capital Seul. Até agora, 55 casos foram ligados a uma loja Starbucks em Paju, ao norte da cidade. No início deste mês, as autoridades de saúde identificaram mais de 15 casos ligados a uma cafeteria Hollys em Gangnam Ward, Sul de Seul.

A exposição ao COVID-19 num ambiente fechado representa o risco de contrair a doença, e o ar condicionado pode aumentar ainda mais o risco.

Com distanciamento social muitas cadeiras e mesas ficam encostadas sem uso. Fonte: The Korea Bizwire.

No caso do surto da loja Starbucks em Paju, as autoridades de saúde suspeitam que o ar condicionado pode ter potencializado a transmissão do vírus.

 

De acordo com as autoridades de Paju, um paciente com vírus sentou-se perto de um ar condicionado no segundo andar da loja e pode ter infectado outros através da transmissão aerossol.

Muitos dos visitantes não usavam máscaras, e parece não haver ventilação de ar adequada na loja, ainda que os aparelhos de ar condicionado estivessem em operação, por causa do clima úmido“, disse o chefe do Korea Centers for Disease Control and Prevention (KCDC), Jeong Eun-kyeong, no início desta semana, referindo-se ao surto do Starbucks.

Mesmo que as infecções não ocorram através da transmissão por aerossóis, a transmissão por gotículas também é possível em um espaço confinado, e o vírus pode ter se espalhado através do contato pelas mãos“, disse ela.

Na sequência do novo surto, o governo prometeu aplicar plenamente as medidas de distanciamento social de Nível 2, que incluem fechar estabelecimentos propensos a riscos de vírus, tais como clubes, cybercafeterias e buffets.

As cafeterias e restaurantes, no entanto, não estão incluídos na lista de instalações de alto risco.

As pessoas precisam ser cautelosas ao frequentar cafeterias“, disse Choi Won-suk, um professor da Divisão de Doenças Infecciosas do Hospital da Universidade da Coreia Ansan. “Eles devem seguir as diretrizes de higiene pessoal, tais como usar máscaras e lavar suas mãos.”

Para os sul-coreanos, beber café tornou-se um hábito diário, com cafeterias localizadas em quase todas as esquinas. De acordo com um relatório de 2018 do Instituto de Pesquisa Hyundai, os sul-coreanos bebem em média, por pessoa, um total de 353 xícaras de café por ano, quase três vezes mais do que a média global de 132 xícaras de café.

Ao final de 2019, havia mais de 93.000 cafeterias no país, de acordo com dados da divisão de Pequenas Empresas e Serviços de Mercados pertencente ao Ministério das PME (pequenas e médias empresas) e Startups. Dessas, mais de 42.600 estavam na área da Grande Seul.

Especialistas disseram que surtos em cafeterias podem acontecer a qualquer momento, uma vez que muitos delas usam um design interior que usa parede de vidro, o que torna a ventilação difícil, e também por que elas acomodam as pessoas em um espaço confinado.

Antes da pandemia, mesas e cadeiras eram muito próximas unas das outras e pessoas se aglomeravam em lugar fechado, o que criava um local de risco. Fonte: TripAdvisor.

Em particular, com o calor escaldante e o clima úmido que assola o país nos últimos dias, muitas pessoas visitam cafeterias que tenham ar condicionado.

No início deste mês, as autoridades de saúde divulgaram diretrizes de prevenção para cafeterias, que basicamente aconselham as pessoas a usar máscaras o tempo todos, exceto quando forem de fato beber o café.

Mas os proprietários dizem que tais medidas não refletem o que está realmente acontecendo dentro dos estabelecimentos.”Nas cafeterias, é difícil traçar uma linha entre as pessoas bebendo café e simplesmente conversando“, disse um dono de café em Suwon, ao sul de Seul. “É difícil dizer se neste momento estão infringindo as diretrizes de prevenção de vírus.”

Em um esforço para se juntar à luta pelo vírus, grandes franquias de café reduziram mesas e assentos em suas lojas, aumentando a distância entre os clientes.

No entanto, tais medidas são onerosas para os pequenos proprietários de café, uma vez que podem reduzir seus lucros.

Grandes cafeterias podem não ter um grande problema se reduzirem assentos, mas não é o mesmo para pequenas cafeterias“, disse Kang Sung-jin, um professor de economia da Universidade da Coreia.

Se o governo pretende impor medidas de distanciamento social para as cafeterias, deve também considerar como pode compensar a perda nas vendas”.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.