As crianças e adolescentes sul-coreanas tornaram-se uma das populações menos felizes, dentre os países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), devido à falta de oportunidades de descanso, brincadeiras e criação de relacionamentos sociais, apesar de seu estilo de vida relativamente rico.

Em resposta, o governo sul-coreano anunciou na quinta-feira planos abrangentes para melhorar a vida das crianças no país.

Segundo o Ministério da Saúde e Assistência Social, as crianças sul-coreanas lutam menos contra a pobreza material (uso da internet por domicílio, alimentação / roupas, espaços de leitura) e mais pela falta de relações sociais (lazer, atividades com amigos e familiares).

Crianças sul-coreanas passam apenas cerca de 48 minutos com os familiares diariamente. Foto: Yonhap

Além disso, a OECD informou que as crianças sul-coreanas, embora demonstrem excelente desempenho em leitura, matemática e ciências, estão desenvolvendo menos amizades (7,8 amigos em 2013, 5,4 em 2018) e sendo privadas de oportunidades importantes de engajamento social.

Como resultado, as crianças alcançaram o nível de 6,57 em termos de felicidade este ano. Embora tenha aumentado em relação a 2013 (que estava em 6,10), a Coreia do Sul ainda fica atrás da Espanha (8,1), Suécia (7,7), Estados Unidos (7,5), Inglaterra (7,5) ou mesmo da média da OECD (7,6).

Os jovens sul-coreanos passavam apenas 48 minutos com os pais diariamente, ficando muito aquém da média da OECD, estimada em 2 horas e 30 minutos. A concorrência excessiva em relação à educação e o estigma social desenfreado no país, que “os estudantes não podem brincar”, vêm privando as crianças das oportunidades de brincar. Considerações sobre políticas para horário de brincadeiras, espaço e programas também estavam faltando.

Entre as crianças com idades entre 9 e 17 anos, 97,2% acreditam que sua saúde está em boas condições. No entanto, apenas 36,9% se envolvem em mais de 30 minutos de exercícios por semana, o que explica o crescente número de crianças com obesidade que passou de 11,2% em 2008 para 17,3% em 2017.

Os dados também mostraram que 40,4% das crianças estavam sofrendo com o estresse e 27,1% tinham vivenciado sintomas de depressão. Outros 3,6% consideraram seriamente cometer suicídio, mostrando claramente o quanto as crianças estão expostas aos perigos dos distúrbios emocionais.

Foto: Yonhap

Vários programas e práticas que discriminam crianças, incluindo as chamadas “zonas sem crianças”, estão sendo mais ou menos aceitos pela sociedade sul-coreana, refletindo a percepção social geral contra as crianças, encarando-as como “um problema”.

A Coreia do Sul também carece de consciência pública sobre os direitos das crianças, e até pouco tempo, continuava a tolerar a punição corporal nos lares, apesar do número de casos de abuso infantil que ocorrem lá.

Visando criar uma sociedade onde as crianças sejam felizes, os sul-coreanos devem primeiro entender o direito das crianças à felicidade e reconstruir as instituições de cuidado e educação infantil, buscando uma melhor qualidade de vida.


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