Lookismo = Ter algum tipo de favorecimento em razão da beleza

Nos Estados Unidos, a primeira modelo plus-size da Coreia do Sul, Kim Gee-yang, nem sequer foi considerada tamanho G. Mas na Coreia do Sul, as pessoas simplesmente a veem como uma “mulher gorda”, que não serve para ser modelo.

A Modelo Kim Gee-Yang, Também Conhecida Como Vivian. Foto: Public Radio International
A modelo kim gee-yang, também conhecida como vivian. Foto: public radio international

Na sociedade coreana, existem categorias para pessoas – normais ou médias. O resto não pertence a nenhum lugar, e as pessoas gordas são apenas zombadas. Eles veem as pessoas gordas como preguiçosas, nojentas ou que não tem saúde“, disse Gee-yang ao Korea Herald.

Isso não é verdade e não é da conta de ninguém“, disse a modelo, de 31 anos, que é tamanho 14 nos EUA (46 no Brasil) e tem 1,65 centímetros de altura. “Já faz muito tempo que eu não compro roupas na Coreia porque não há muitos tamanhos aqui que eu possa usar“.

Gee-yang, que estreou como modelo nos EUA em 2010, agora foi capa da revista 66110 que aborda artigos sobre questões de moda para mulheres de tamanho G e vende roupas para elas como parte da luta contra a ditadura de beleza do país.

Ser gordo não é um problema assim como ser magro, ter cabelos curtos ou longos, não é um problema!“. Na quarta-feira, uma associação de seis grupos coreanos de direitos das mulheres criticou as empresas de roupas pelo uso de manequins idealizando figuras de aparência não saudável e fazendo apenas tamanhos limitados em roupas, solidificando um padrão de beleza irreal.

As Ativistas Dos Direitos Das Mulheres Protestam Contra A Falta De Numeração De Roupas E Exibição Tendenciosa Das Mulheres Na Indústria Da Moda Coreana Em Myeong-Dong, Seul, Quarta-Feira Passada. Foto: Korea Herlad
As ativistas dos direitos das mulheres protestam contra a falta de numeração de roupas e exibição tendenciosa das mulheres na indústria da moda coreana em myeong-dong, seul, quarta-feira passada. Foto: korea herald

De acordo com o relatório da Korea Women’s Environmental Network em 31 empresas de vestuário, incluindo a FOREVER 21, H & M, Uniqulo e MIXXO, 74,2% deles não oferecem variedade de tamanhos – apenas mantendo os três tamanhos “principais”. E estamos falando de 95,5% de marcas locais.

Apenas 25% dos varejistas pesquisados tinham tamanho PP e 30,1% tinham GG. Em termos de regatas, apenas 11 das 31 marcas tinham tamanho GG e apenas sete marcas tinham PP. Quanto às saias curtas, de 26 marcas, seis varejistas tinham tamanho PP ou menor, e apenas duas marcas tinham tamanho GG e maior.

Foi solicitado que os varejistas tenham tamanhos variados de manequins e também que as imagens retocadas em suas propagandas sejam sinalizadas.

Foto: Korea Herald
Foto: korea herald

Um manequim padrão na Coreia do Sul tem 1,75 a 1,80 centímetros de altura, uma medida de cintura de 60 centímetros e quadril de 89 centímetros. Mas a média das mulheres de 20 a 24 anos no país é 1,60 centímetros de altura, cintura de 71 centímetros e quadril de 92,7 centímetros, de acordo com a Korea Agency for Technology and Standards em 2015.

É comum ver mulheres que dizem não encontrar itens disponíveis em seus tamanhos, especialmente itens femininos, como saias“, disse Ko Kum-sook da KWEN. “Os tamanhos limitados não só espalham um padrão distorcido de beleza, mas também fazem as mulheres pensarem que é culpa delas serem muito “gordas”“.

Muitas mulheres estão constantemente de dieta, sofrendo mentalmente e desenvolvendo transtornos alimentares“, disse ela. “Mais tamanhos significam que os direitos à saúde das mulheres serão melhor protegidos“.

Em um estudo de 2013 da Universidade de Samyook em Seul, que entrevistou 233 estudantes universitários, apenas 11,5% disseram que estavam satisfeitos com seus corpos. Porém, da mesma forma, 93,5% de 154 estudantes que estão na faixa considerada “normal” disseram que estavam descontentes com seus corpos.

Eu costumava pensar em perder peso o tempo todo. Quando vi mulheres parecendo perfeitas em suas roupas em propagandas, eu tentei. Mas quando não parecia com elas, ficava desapontada“, disse Kim Ah-yeong, ativista dos direitos das mulheres da Bulggot Femi Action.

Tanto as mulheres quanto os homens não podem evitar enfrentar o lookismo, mas isso coloca um peso a mais nos ombros das mulheres, disse ela. “Muitos homens também se interessam em cuidar de sua aparência, mas fazer isso é quase uma obrigação para as mulheres. Parece que existem estereótipos para a aparência das mulheres, como braços e pernas finas, coxas musculosas e seios grandes“.

Embora os padrões de beleza variem em todo o mundo, muitos outros países também colocam ênfase em ser magro. Mas é especialmente pronunciado na Coreia, disse um estudioso.

Foto: Korea Herald
Foto: korea herald

As opções limitadas para os tamanhos estão ligadas à sociedade coreana, colocando muito estresse em ter certos tipos de aparência, que pode ser visto em muitos coreanos que “entram na faca””, disse Seol Dong-hoon, professor de sociologia da Universidade Jeonbuk.

De acordo com uma pesquisa realizada em 459 homens e mulheres em seus 20 anos pela revista Univ 20 e Banobagi Plastic Surgery em 2016, 46,4% disseram terem feito cirurgia plástica. Destes, 44,5% disseram que o fizeram porque queriam atrair os olhares dos outros.

Em 2007, tentaram criar uma lei que tornasse obrigatório que os fabricantes de roupas fizessem vários tamanhos, incluindo os grandes, mas a petição não passou pela Assembleia Nacional.

Em 2015, a França impôs uma lei que proíbe modelos demasiadamente magras de desfilar em passarelas e exige que os anunciantes indiquem no texto, os casos em que as imagens das modelos foram retocadas digitalmente. Os EUA fizeram o mesmo com a Truth In Advertising dizendo aos anunciantes para indicar imagens manipuladas digitalmente.

Não é a primeira vez que o Korepost abre a discussão para este tema. Em outros três posts, falamos sobre a ditadura da beleza na Coreia:

Body Shaming: Um problema “de peso” na Coreia do Sul
O perigo do “padrão K-Pop” de peso
Beleza Padrão Na Indústria do K-pop: Não é Apenas Kyla

A youtuber Helena, coreana que fala português, do canal Coreaníssima, também abordou o tema neste vídeo:


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