Shin Ji Hun já namorou muitas mulheres ao logo de seus 30 anos, mas nenhuma delas concordava com suas ideias sobre os custos do casamento serem divididos. Ele acha que tanto o noivo quanto a noiva devem dividir os custos do casamento. Todas as suas ex-namoradas, exceto por uma, foram totalmente contra.

Elas disseram que a família do noivo deve comprar uma casa para os noivos, já que é a tradição”, disse o homem de 36 anos. “Meus pais não têm esse dinheiro, e eu realmente não posso pagar por um apartamento em Seul por mim mesmo, apesar do meu trabalho e poupança pessoal”.

Ji-Hun é um dos muitos homens solteiros coreanos que pensam que a cultura tradicional do casamento na Coreia, que dita que, a família do noivo deve arcar com a despesa da primeira moradia dos os recém-casados, enquanto a família da noiva compra os moveis e utensílios domésticos, agora deve mudar.

De acordo com um estudo recente do Instituto Coreano para a Saúde e Assuntos Sociais, quase 80% dos homens entrevistados, disseram ser contra o costume. O estudo pesquisou 2.383 coreanos solteiros nas idades entre 22 e 24 anos, no ano passado.

Para Ji-Hun o financiamento de uma casa própria com seus próprios recursos pode acarretar uma hipoteca enorme. Cerca de cinco anos depois de obter seu diploma universitário, ele tem um emprego de tempo integral desde 2011. Jin-Hun, que afirma ter agora um estilo de vida simples, tem atualmente uma poupança de 80 milhões de won (R$ 226 Mil).

A casa que eu gostaria de viver (como um homem casado com minha esposa) custa cerca de 300 milhões de won (R$ 930 mil)”, disse ele. “Eu não me importo de ter uma divida hipotecária. É apenas um fardo muito grande para pagar sozinho”.

De acordo com o estudo feito em 2014 pela ONG Coalizão dos Cidadãos Locais para uma Economia Justa, levaria em media 29 anos para um casal recém-casado, com uma renda simples, ter o suficiente para financiar um apartamento em Seul, que custa em média 280.000.000 Won (R$ 868 mil). Desde 2014 é necessário fazer um depósito de um valor fixo como caução de acordo com o sistema imobiliário “Jeonse”, uma opção para evitar empréstimos. O custo médio de um apartamento nos sistema “Jeonse” em Seul é de 400 milhões (R$ 1.240 mil) a partir de março deste ano.

E desde o ano passado, o salário médio mensal dos universitários formados, com pelo menos um ano de formação, é de 2.900.00 Won. (R$ 9000,00)

Eu acho que é praticamente impossível para qualquer um na Coreia, independentemente de seu sexo, ter uma casa livre de dividas no início de seus 30 anos”, disse Lee Kyung-Eun, uma funcionária de escritório, de 31 anos em Seul. “É impossível, mesmo se eles forem funcionários de um dos maiores conglomerados e tenham a idade de 25 anos“.

Com essa situação imobiliária, bem como a cultura tradicional do casamento ainda prevalecendo, o custo do casamento e da compra da casa ainda estão sendo financiados pelos pais dos casais na Coreia, especialmente os dos noivos.

Em 2013, 66,5% dos coreanos que estão casados ​​por pelo menos 3 anos, disseram que os pais devem financiar a habitação e o casamento de seus filhos “tanto quanto possível”, de acordo com um relatório do Instituto de Desenvolvimento das Mulheres Coreanas.

De acordo com um relatório recente do Instituto de Pesquisa Econômica da Samsung, que entrevistou 1.501 pais de coreanos adultos, com filhos casados, eles em média, gastaram 125,05 milhões de won (R$ 406 mil) nos casamentos e a moradia de seus filhos.

O relatório também mostrou que os pais gastaram significativamente mais em casamentos e na casa de seus filhos homens. Em média foram 94 milhões de won (R$ 305,5 mil) por filho, e 42 milhões de won (R$ 136,5 mil) por filha.

No total, 63,8% de todos os pais pesquisados ​​financiaram 40 a 100% de todos os custos necessários para o casamento e a habitação de seus filhos. Ao mesmo tempo, 75% deles disseram, ter um impacto sobre suas finanças pós-aposentadoria.

Ji-Hun disse que não quer sobrecarregar financeiramente seus pais pelo seu casamento. “Eu dependi deles financeiramente para toda a minha educação“, disse ele. “Eu não acho que seja eticamente correto pedir-lhes para pagar a minha casa. Eu conheço muitas pessoas que tem apartamentos que seus pais compraram para elas quando se casaram, e eu às vezes gostaria de ter a mesma sorte. Mas isso não significa que eu deva fazer com que meus pais tenham esta obrigação, se não podem“.

No entanto, Kim Yoo-jin, uma mulher de 33 anos que trabalha em Seul, disse que tudo é uma “questão de praticidade” na sociedade de hoje, em que a mobilidade social é severamente limitada. Ela disse que entre seu grupo de amigos, aqueles que são considerados os mais afortunados são as mulheres que “se casam” – o que significa que vão tem um apartamento financiado por seus sogros, e que não são obrigadas a ver os seus postos de trabalho como um meio de sobrevivência, mas sim como uma escolha de carreira.

Fonte: The Korean Hearld
Fonte: The Korean Hearld

Eu trabalho em tempo integral e também tenho as minhas economias. Mas não há nenhuma maneira de eu poder comprar uma casa decente com o meu salário. Para muitas pessoas o casamento é a única forma de garantir uma casa e estabilidade financeira. Então, se você encontrar alguém cujos pais estão dispostos a fornecer isso para você, por que não?

Kim Young Ran, um pesquisador que se especializou em estudos da família na KWDI, disse que a continuação do costume de hipergamia – a noção de que as mulheres devem “casar-se” e os homens devem casar-se com “educação e a economia” – reflete a disparidade de gênero predominante que existe na sociedade patriarcal da Coreia.

Se vivêssemos em uma sociedade onde as mulheres pudessem cuidar de sua própria casa, nós não veríamos mais isso acontecendo“, disse ela. “Contudo, o que se vê é que as mulheres jovens que são mais procuradas no mercado de casamento da Coreia não são aquelas que são mais educadas, ou mais bem-sucedidas. As que são mais procuradas são as mulheres com os pais ricos, que podem fornecer a seus futuros genros uma oportunidade e outros bens materiais“.

Young Ran disse que o sexisismo na força de trabalho da Coreia, a diferença salarial por gênero e falta de equilíbrio entre vida e o trabalho das mulheres, bem como a estigmatização e insegurança financeira vivida pelas mulheres solteiras, contribui para esta cultura.

Uma mudança no fenômeno generalizado do custo financeiro mais pesado para a família do noivo deve trazer maiores benefícios para homens e mulheres, disse ela.

Ao conseguir uma casa “de graça”, que lhe foi dada para que você seja uma boa esposa e futura mãe, você se torna subordinada ao casamento. Ter alguma independência financeira dentro do seu casamento te dá oportunidade de buscar a igualdade dentro de casa. É mais fácil partilhar as tarefas domésticas e o cuidado das crianças com o seu cônjuge quando você tem que independência financeira e contribui para o sustento da casa“.

E isso é exatamente o que Park Hee-jin, de 30 anos quer fazer. “Eu ainda quero ser eu mesma depois de me casar“, disse ela. “Eu não acho que eu possa fazer isso se for financeiramente dependente dos meus sogros. Quero me casar com alguém que administre suas finanças bem e não se importe de começar em algum lugar pequeno e simples. Eu acho que é realmente sobre fazer uma escolha, entre a sua liberdade e independência ou riqueza financeira e segurança.”


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