Para Jeong Hye-young, 35 anos, funcionária de um escritório em Seul, apreciar arte nas exposições é uma diversão, não só pelo fato de tirar sua mente de seu trabalho estressante, mas também porque vê a valorização das obras de arte.

“Eu não acho que obra de arte seja só para os ricos. Depois de começar a comprar pinturas, eu sinto como se eu soubesse mais sobre os artistas e realmente gosto de obras de arte”, disse Jeong, que coleciona pintura de artistas contemporâneos, tais como, Oh Ching-gyun, mais conhecido pelo seu trabalho pintado à mão “fingerworks”.

“A valorização no preço das pinturas também é um fator atraente para colecionar artes, que também pode ser considerado como um investimento, não apenas um objeto de apreciação,” disse Jeong.

Jeong está entre o crescente número de pessoas que investem em artes, especialmente entre a faixa dos 20 e 30 anos. Em um leilão que aconteceu em 23 de março, um leiloeiro local na Seoul Auction vendeu 95% das 146 pinturas, gravuras e esculturas oferecidas. Somados, eles venderam 10.4 bilhões de wons ($9.2 milhões de dólares).

“Muitos licitantes que participaram no leilão estavam na faixa dos 20 e 30 anos,” disse a empresa de leilões, sem citar números, devido a proteção de informação pessoal.

Jovens Coreanos Investem Em Obras De Arte
Fonte: seoul auction/the korea herald

O crescente interesse em investimento em artes é parte de uma nova era dourada para o mercado da Coréia do Sul, que passou por um longo período de depressão após seu apogeu anterior, entre 2005 e 2007.

Peças de artes de mestres coreanos, incluindo do falecido Kim Tschang-yeul, estão atingindo novos patamares de valor devido ao aumento da demanda, de acordo com um relatório recente de uma empresa de avaliação de arte, a Korea Art Authentication & Appraisal Research Center.

Nos principais mercados da Ásia, o investimento em artes está ganhando espaço devido a taxa de juros baixas e alta liquidez.

Um relatório divulgado no inicio de março, pelo banco de investimento UBS, mostrou que a corretora de arte Sotheby informou fortes vendas na Ásia em 2020, com vendas em leilões chegando a $932 milhões de dólares. Em comparação com pessoas de outras faixas etárias, a geração Y estava mais disposta a comprar eletronicamente a preços mais altos.

De acordo com a pesquisa do relatório, dos 2.569 colecionadores ricos ao redor do mundo, 56% pertencem a “Geração MZ”, compreendendo pessoas nascidas no início de 1980 até o início dos anos 2000. Eles gastaram em média $228 mil dólares com obras de arte, e 30% gastaram mais de $1 milhão de dólares.

A crescente popularidade do investimento em arte pode ser atribuída as plataformas eletrônicas, que facilitam leilões eletrônicos e novos tipos de investimentos, tais como, compartilhamento ou investimentos em ações fracionárias, de acordo com especialistas do mercado. Além disso, os investidores são mais atraídos por obras de arte, ao invés de ações ou criptomoedas, porque tem expectativa de retornos financeiros mais estáveis.

“Investimento imobiliário exige uma quantidade alta de dinheiro, enquanto a criptomoeda tem risco alto,” diz Song Ja-Ho, CEO da plataforma de operação de arte compartilhada Pica Project. “Esses colecionadores mais jovens pensam que obra de arte é algo especial, que eles podem possuir e desfrutar, ao mesmo tempo que podem obter algum retorno financeiro”, conclui Song Ja-ho.

As pessoas acham vantajoso investir em obras de arte na Coreia do Sul, porque é livre de impostos. As compras de obras de arte com valores de até 60 milhões de wons são isentas de impostos. Para valores acima de 60 milhões de wons, incide uma taxa de 20% apenas sobre os 10% do preço de venda. As transações envolvendo obras de artistas vivos não incorre em nenhum imposto.

Arte, Tokenizada

Graças a plataforma Pica Project, as pessoas podem ter uma obra prima cara por apenas 10 mil wons. Depois de exibida numa galeria, a obra de arte é posteriormente vendida com ágio, e os rendimentos obtidos são proporcionalmente distribuídos entre os investidores.

Jovens colecionadores de arte também se aventuram em investir em TokenS Não Fungíveis (NFT) – ativos digitais que podem conter desenhos, GIFs animados e músicas. Os Tokens Não Fungíveis têm alcançado tanto a indústria de obra de arte convencional, como o mercado de criptomoedas, e algumas pinturas tokenizadas tem sido vendida por milhões de dólares. “Missing and Found”, um NFT que destaca uma garota com olhos grandes e maquiagem pesada, da artista sul coreana Mari Kim, foi vendido no leilão da Pica Project por 607 milhões de wons. A imagem digital, cujo preço inicial era de 50 milhões de wons, foi paga em Ethereum, a segunda criptomoeda mais conhecida, depois do Bitcoin. Especula-se que o comprador seja um investidor jovem que conhece bastante de tecnologia.

Jovens Coreanos Investem Em Obras De Arte
Nft da artista sul coreana mari kim, vendida por 607 milhões de wons no leilão da pica project. Fonte: koreabizwire.

Embora o crescente interesse em artes seja bom para a indústria, alguns especialistas do mercado dizem que os colecionadores novatos deveriam desenvolver uma visão fundamentalista das obras de arte, por meio de pesquisa e observação de notícias e tendências.

“Os compradores novatos deveriam pensar duas vezes antes de tomar decisões em colecionar obras de arte, e não deveriam ser facilmente influenciadas pela opinião dos outros,” disse Yoon Bo-hyung, uma advogada e autora do guia de coleção de arte intitulado de “I choose artworks over Chanel bags”.

“Se você não tem certeza se compra uma obra de arte ou não, pesquise mais e encontre algo que o faça sentir “é isso.. isso é meu”, acrescentou ela.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor, digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome.

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.