Chang Ji-Eun, uma designer gráfica de 27 anos, começa seu dia fazendo uma hora de aula de pilates em um estúdio de luxo no bairro chique de Cheongdam, no sul de Seul, e recebe uma sopa caseira saudável feita com “doenjang” ou pasta de soja, na hora do jantar. Ela fez as duas coisas através de aplicativos em seu iPhone.

Com o uso de smartphones crescendo rapidamente, startups online-to-offline (O2O) surgiram na Coreia do Sul nos últimos anos, permitindo aos consumidores usarem um aplicativo ou web site para fazer tudo, desde entrega de alimentos à passeios de carro ou treinos.

Como uma fanática da modalidade que faz aulas de pilates por mais de cinco anos, Chang tem somente que pagar 150.000 won (Aprox. R$ 400) por o mês para fazer aulas que variam de pilates ao ciclismo, em diversas academias, através de um app chamado “Mylo”.

Os usuários podem reservar pontos em várias aulas de aptidão através de aplicativos fornecidos por iniciantes on-line (O2O). (Yonhap)
Os usuários podem reservar pontos em várias academias através de aplicativos O2O. (Yonhap)

O Mylo, operado pela empresa de O2O, Classtime, baseada em Seul, é uma associação de fitness mensal que oferece opções de programações diárias para vários tipos de exercícios em mais de 500 clubes de ginástica premium em Seul e nos arredores.

“Eu costumava pagar muito mais por aulas de pilates. Agora, eu só tenho que pagar uma taxa mensal fixa e ter aulas em diferentes ginásios e estúdios de fitness, em vez de pagar o preço total em um estúdio”
, disse Chang.

Quase sete em cada dez pessoas na Coreia do Sul possuem um smartphone, o que o torna o país com a quarta maior taxa de utilização de smartphones do mundo, segundo dados da Digieco, um centro de pesquisa da operadora móvel sul-coreana KT Corp.

O Mylo, o primeiro deste tipo estabelecido na Coreia do Sul, paga estúdios e centros de fitness uma quantidade fixa de dinheiro para cada aula que é reservada através de seu sistema. A empresa, no entanto, se recusou a dar os detalhes de como a taxa é determinada.

O WithPilates, um luxuoso estúdio de pilates na área de Cheongdam, disse ter testemunhado um afluxo de novos clientes após a sua parceria com a plataforma de fitness no ano passado.

GuavaPass, TLX Pass, Mylo (Yonhap)
GuavaPass, TLX Pass, Mylo (Yonhap)

“Eu diria que a maior vantagem é o marketing, em como o estúdio pode reduzir o custo com publicidade”, disse um instrutor de sobrenome Lee.

O estúdio, no entanto, disse que luta é encontrar um equilíbrio entre manter os clientes regulares, que pagam o preço total de 370.000 won (aprox. R$ 1.000) por mês para oito sessões e atrair novos clientes.

“Nós geralmente deixamos espaços para clientes de aplicativos O2O somente quando as aulas não são preenchidas com clientes regulares que às vezes nos perguntam por que devem continuar pagando mais do que quatro vezes o que a pessoa ao lado deles na classe está pagando”, disse Lee.

O Mylo é semelhante ao app desenvolvido pela Startup Classmate, com sede em Nova York, que foi considerado uma das mais promissoras startups após o Uber e  Airbnb.

O Mylo, cujo serviço foi lançado em agosto de 2015, disse que seus associados superaram os 26.000 em dezembro de 2016 e prevê que esse número deve aumentar, uma vez que mais mulheres em seus 20 e 30 anos estão se interessando em malhar a um preço relativamente razoável. A empresa disse que o número de estúdios parceiros vai aumentar para 600.

Uma série de startups locais também começou a lançar plataformas de fitness O2O, incluindo a TLX Pass, ClassPick e Funpass que oferecem várias assinaturas mensais, trimestrais e ilimitadas ou cupons que podem ser usados para cada sessão.

O GuavaPass, um serviço baseado em Cingapura, para encontrar ginásios e centros de fitness nas proximidades, também iniciou seu serviço na Coreia do Sul em outubro de 2016. A empresa oferece serviços de assinatura fitness em toda a Ásia e Oriente Médio.

“Mais concorrência é esperada, uma vez que mais startups ou grandes empresas vão expandir seus negócios em serviços de assinatura fitness, considerando que existem estúdios e academias dispostos a entrar neste esquema”, disse uma empresa local sob a condição de anonimato.

Os funcionários trabalham na sede da Woowabrothers Co., uma das principais empresas sul-coreanas que operam o aplicativo de entrega de comida mais popular do país, o "Baedal Minjok", que significa "Delivery Nation" em inglês. (Foto cortesia de Woowabrothers Co.) (Yonhap)
Os funcionários trabalham na sede da Woowabrothers Co., uma das principais empresas sul-coreanas que operam o aplicativo de entrega de comida mais popular do país, o “Baedal Minjok”, que significa “Delivery Nation” em inglês. (Foto cortesia de Woowabrothers Co.) (Yonhap)

A Woowabrothers Co. lidera o startup sul-coreano que opera o mais popular sistema de entrega de comida por app, o “Baedal Minjok”, que significa Nação da Entrega, em português.

O aplicativo, disponível nos sistemas operacionais Android e iOS, é atualmente o número 1 desses serviços com mais de 27 milhões de downloads a partir de janeiro. Distribuído pela primeira vez em 2010, o aplicativo oferece aos usuários serviços similares aos de sua homóloga americana GrubHub Food Delivery & Takeout.

Muitas pessoas costumam encomendar comida na Coreia do Sul por meio de pedidos por telefone. Entretanto, os apps da entrega tornaram-se cada vez mais populares e tomam agora quase 15 por cento do mercado total da entrega de alimentos.

O Baedal Minjok é um líder de mercado com mais de 50 por cento de participação, seguido pelo “Yogiyo” e “Baedaltong”, que são ambos de propriedade da empresa alemã Delivery Hero.

O aplicativo, que processa mais de 4 milhões de pedidos de 190 mil restaurantes registrados, deu início ao serviço de entrega de pratos caseiros, aparentemente para atender à crescente demanda de pessoas que jantam ou bebem sozinhas.

“Sempre foi difícil comprar a quantidade certa de ingredientes para mim, porque eu moro sozinho”, disse Chang, observando que encomendar sopa ou salada é mais econômico.

A empresa também lançou um novo serviço, “Baemin Fresh”, que fornece alimentos através de caminhões refrigerados entre 10:00 e 19:00 às portas dos clientes, dando um passo a mais à sua conveniência.

“A empresa pretende atender às necessidades de uma nova tendência de clientes e bebedores solitários”, disse Seong Ho-Kyeong, um funcionário do Woowabrother, acrescentando que o aplicativo pretende adicionar menus mais luxuosos.

Não só as startups, mas as principais empresas de tecnologia e Internet, incluindo operadores de comércio eletrônico, se aventuraram no negócio de beleza O2O, que se estima ter um grande valor de mercado.

A Kakao Corp., operadora do principal serviço de mensagem móvel da Coreia do Sul, lançou um aplicativo de reserva em salões de beleza no ano passado como parte de sua expansão em vários serviços on-line e off-line, com 38 milhões de usuários locais.

Os usuários precisam pré registrar seus cartões de crédito e débito e fazer reservas e pagamentos simplesmente digitando em suas senhas. Eles podem fazer reserva de horário em mais de 1.500 salões de cabeleireiro em todo o país.

Foto: KaKao Corp.
Foto: KaKao Corp.

A Kakao é um recém chegado no setor, já que a startup local, a Edge People, lançou seu aplicativo de reservas de horário para cabelo, unhas e pele em 2011 e possui mais de 2.000 lojas como parceiros que oferecem vários serviços a preços relativamente baratos.

A Ticket Monster, a terceira maior operadora de comércio eletrônico da Coreia do Sul por vendas, também possui uma seção reserva de horário em salões de cabeleireiro e unha em vários locais do país.

“Eu só faço o meu cabelo e unhas através destes sites O2O e aplicativos, pois não só é um serviço barato, mas eu posso fazer uma reserva facilmente.Também posso ler as opiniões de outras pessoas antes de visitar os lugares”, disse Kim Min-Kyeong, uma curadora de arte de 34 anos.

Esta foto mostra o site do serviço online-para-offline do Yonhap (foto do arquivo Yonhap)
Esta foto mostra o site do serviço online-para-offline do Yonhap (foto do arquivo Yonhap)

Seguindo com a tendência, o serviço online-para-off-line (O2O) da Yonhap News Agency, a principal empresa de notícias da Coreia do Sul, planeja adicionar mais seis startups e mais dois tópicos a partir de meados de fevereiro.

A Yonhap lançou o serviço no mês passado, permitindo que os leitores se conectem com as atividades diárias, incluindo a reserva de restaurantes nas proximidades e encontrar receitas através de seus smartphones.

O nome do serviço, que é apenas em coreano, é uma combinação de uma hashtag e a palavra coreana “heung”, que é melhor descrito como um sentimento de alegria e emoção que mantém as pessoas “ligadas”.

Nove startups, incluindo um site de informações de restaurantes Siksin, e três tópicos, tais como alimentos e viagens, foram incluídos no serviço.

Um funcionário do setor on-line-off-line disse que o lançamento do segundo estágio do serviço vem conforme o mesmo atrai cada vez mais a atenção dos leitores.

“Para uma cooperação win-win (ambas as partem ganham) entre a mídia e as startups O2O, vamos continuar a procurar por startups O2O menores que estão lutando para garantir um ponto de contato com os clientes”, disse o funcionário.

Ahn Byeong-Ik, chefe da Siksin, disse que o serviço O2O pela Yonhap é um “ponto positivo” para a empresa que permite atrair clientes oferecendo uma nova maneira de se conectar além dos portais da Internet.

As estimativas da indústria mostram que o mercado doméstico para serviços de O2O vai saltar para 300 trilhões de wons até o final deste ano, de 15 trilhões de won no ano passado.

Ahn Byeong-ik, chefe do site de informações de restaurante Siksin. (Foto cortesia de "Siksin")
Ahn Byeong-ik, chefe do site de informações de restaurante Siksin. (Foto cortesia de “Siksin”)

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