A série de comédia romântica da tvN “Sh**ting Stars”, foi criticada por cenas que contêm retratos racistas de culturas estrangeiras no primeiro episódio.

O drama é sobre uma profissional de relações públicas chamada Oh Han-byul interpretada pela atriz Lee Sung-kyung, ela desenvolve uma relação de amor e ódio com a celebridade de sua agência Gong Tae-sung, interpretado pelo ator Kim Young-dae.

Com três minutos de programa, os telespectadores percebem que o protagonista Tae-sung foi para a “África” ​​como voluntário. O país específico da África para o qual ele viaja não é mencionado. A tela muda para uma imagem de um sol vermelho ardente nascendo, girafas galopando, suricatos virando a cabeça e um leão perseguindo zebras enquanto toca a música-tema de “O Rei Leão”.

A cena se volta para Tae-sung, que está cercado por aldeões que observam uma plataforma que está sendo perfurada no solo até a água jorrar e todos aplaudirem.

Agora vocês podem beber água limpa!” grita Tae-sung com os dois braços erguidos em sinal de vitória.

Muitos espectadores, especialmente os estrangeiros, ficaram perplexos com a deturpação flagrante da África no programa e twittaram comentários como “A África não é um país!” e “Esse retrato da África parecia a versão coreana de ‘O fardo do homem branco’”.

K-dramas e a problemática representação de outras culturas
Cena do drama da tvN ″Sh**ting Stars″. Foto: Korea JoongAng Daily

Desnecessário dizer que a África não pode ser simplesmente resumida como um continente em desenvolvimento que precisa daqueles com uma cor de pele mais clara para salvá-los.

Existem 54 países na África. A Líbia foi incluída nas cinco principais economias de crescimento mais rápido do mundo em 2021, com base nas projeções do FMI em abril do ano passado. O número de africanos de classe média triplicou nos últimos 30 anos para 313 milhões de pessoas, de acordo com um relatório do Banco Africano de Desenvolvimento em 2021. Isso significa que uma em cada três pessoas é considerada de classe média.

A série não tem nada a ver com a África, e o fato de Tae-sung ter ido para lá como voluntário não é parte essencial da trama, que é baseada no romance de escritório entre uma celebridade e sua assessora. O que a cena visa fazer é retratar Tae-sung como alguém que é gentil, inteligente, heróico e digno de adoração.

A cena é especialmente decepcionante, pois a tvN ofereceu temporariamente seus serviços na África do Sul no ano passado, através da tvN África.

Quando solicitado a comentar sobre a controvérsia, a Studio Dragon, produtora por trás de “Sh**ting Stars”, se recusou a responder.

As explicações por trás de tais cenas raramente são mal intencionadas, mas não há desculpas para a falta de conhecimento ou de esforço para fazer essas cenas com maior precisão.

K-dramas e a problemática representação de outras culturas
Cena do drama da SBS “A Cobertura 3” (2021). Foto: Korea JoongAng Daily

No ano passado, o ator Park Eun-seok emitiu uma declaração de desculpas em sua conta do TikTok depois de se vestir com uma fantasia ultrajante para retratar um afro-americano em “A Cobertura 3” da SBS (2021), ele disse que “nenhuma das aparições do personagem pretendia causar danos, zombar, desrespeitar ou desencorajar a comunidade afro-americana” e continuou que era “mais uma admiração da cultura do que uma zombaria”.

Park apareceu em um episódio da série com dreadlocks, tatuagens pintadas no rosto e no corpo, grade dentária e envolto em grossas correntes e anéis de ouro, o tempo todo falando no que parece ser “blaccent”, que ocorre quando uma pessoa que não é afro-americana fala de uma maneira que imita ou zomba do vernáculo afro-americano.

K-dramas e a problemática representação de outras culturas
Cena de “Senhorita Hammurabi”(2018). Foto: Korea JoongAng Daily

“A Cobertura 3” e “Sh**ting Stars” são apenas dois dos muitos dramas coreanos que incluem representações racistas de culturas estrangeiras.

Para citar mais alguns casos, o drama jurídico da JTBC “Senhorita Hamurabi” (2018) usou a burca como ponto de humor; “Man Who Die to Live” (2017) apresentou mulheres usando hijab com biquínis; e “Descendentes do Sol” da KBS (2016) chamou uma criança de pele escura de “Blackey”, um termo considerado ofensivo.

K-dramas e a problemática representação de outras culturas
Cena do drama da KBS “Descendentes do Sol” (2016). Foto: Korea JoongAng Daily

Em meio ao ambiente globalizado, as produtoras de dramas precisam retratar melhor outras culturas sem preconceitos e estereótipos”, disse o crítico cultural Jeong Deok-hyun. “Na maioria das vezes, não é intencional, mas decorre da ignorância.

Ele também apontou para o fato de que as produtoras geralmente não gostam de reconhecer publicamente esses problemas quando eles acontecem. “Se a controvérsia ocorre na Coreia, as produtoras costumam lidar com isso dando declarações públicas, mas não é o caso de questões que ocorrem no exterior.

K-dramas e a problemática representação de outras culturas
Cena do drama da SBS ″Backstreet Rookie″ (2020). Foto: Korea JoongAng Daily

“Backstreet Rookie” da SBS, que foi ao ar em 2020, foi outra série que atraiu a reação dos espectadores internacionais por cenas racistas quando um personagem apareceu com dreadlocks e pintou sua pele para que parecesse mais escura. O drama também gerou controvérsia localmente, mas por causa de cenas sexualmente e verbalmente inadequadas.

A Comissão de Padrões de Comunicação da Coreia emitiu notificações para o programa por transmitir cenas provocativas e inapropriadas em resposta a cenas envolvendo gírias ofensivas, menor beijando um homem adulto e um personagem gemendo enquanto desenhava um webtoon adulto. Não foram notificadas as cenas envolvendo representações racistas.

Dos dramas mencionados neste artigo, apenas “Man Who Dies to Live” da MBC emitiu uma declaração pública de desculpas por suas representações inadequadas da cultura islâmica.

Alguns conteúdos coreanos nos últimos tempos têm sido mais inclusivos e sensíveis.

A série da JTBC “Itaewon Class”, que foi ao ar no início de 2020, incorporou com tato questões de discriminação em seu enredo, apontando a realidade do racismo na sociedade coreana.

“Our Blues” da tvN, também foi elogiado por seus retratos respeitosos de minorias, especialmente dos deficientes, foram contratados atores com síndrome de down e pessoas com deficiência auditiva.

K-dramas e a problemática representação de outras culturas
Cena do drama da tvN “Itaewon Class” (2020). Foto: Korea JoongAng Daily

No entanto, as cenas recentes em “Sh**ting Stars” parecem ser um passo para trás.

Temos que ser capazes de nos colocar no lugar de outras culturas. Assim como a Coreia quer que sua cultura seja retratada adequadamente na mídia de outros países, devemos descrevê-los com precisão também“, disse Jeong.

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